O “novo” The New York Times começa a tomar forma

Um dos mais influentes jornais do mundo, o The New York Times, aprofundará neste ano as mudanças que vinham, aos poucos, sendo colocadas em prática na redação e na linha editorial. Em comunicado aos funcionários no dia 21 de maio, o editor-executivo do jornal, Dean Baquet, listou algumas dessas alterações, que valorizam o jornalismo profissional e as novas formas de narrativas, tanto no digital quanto no impresso, mas apresentadas de acordo com os novos hábitos dos leitores.

No comunicado, destaca-se o novo modelo de edição de texto proposto pelo jornal, bem como a transformação nas atividades dos editores. Para tanto, o The New York Times organizou uma equipe para descobrir se as editorias estão estruturadas apropriadamente para uma época em que as histórias não se movem mais no mesmo ritmo do jornal impresso. Ao mesmo tempo, Baquet anunciou que, em um futuro próximo, os editores deixarão de pensar em ocupar espaços em branco no papel para focar a atenção na cobertura. Um grupo à parte, de designers e editores, ficará responsável por montar o jornal impresso.

A redação do jornal norte-americano também passará a evitar a escrita “empolada” e investirá em histórias visuais. Conforme o comunicado aos funcionários do veículo, a ideia é fugir de artigos superficiais e utilizar mais as novas técnicas narrativas, como o jornalismo visual. Outra novidade é a ênfase nos assuntos de mais interesse do público, independente da editoria de origem da reportagem. “No passado, um editor do NYT tinha que convencer a Primeira Página a publicar histórias que fizessem parte de sua seção. Hoje assuntos como mudança de clima e educação encontrarão espaço por conta própria, por meio do interesse que geram”, disse Baquet em seu comunicado.

No meio digital, o jornalismo deverá se afastar de reportagens que podem ser encontradas facilmente na internet e favorecer coberturas exclusivas. Finalmente, o relato da cidade de Nova York também mudará. “A pauta deve englobar as administrações municipal e estadual e produzir reportagens que provoquem mudanças. É preciso considerar que menos da metade dos leitores do jornal vive em Nova York”, afirmou editor-executivo do jornal. Baquet informou ainda que não há demissões previstas para 2016, mas disse que o jornal precisará cortar em algumas áreas e investir em outras.

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