Frente de redações da Europa contra notícias falsas se fortalece enquanto discurso de Trump anima governos repressores

A coalizão de publishers da Europa para a verificação de fatos CrossCheck, em atividade desde o último dia 27 de fevereiro, ganhou força. O projeto agrega no momento 37 empresas de conteúdo, lideradas pela instituição sem fins lucrativos First Draft News. Além de aumentar o poder de fogo jornalístico para minimizar os estragos da disseminação de notícias falsas, a união entre tradicionais competidores tem se mostrado capaz de gerar novas e aprofundadas reportagens. O possível sucesso dessa iniciativa também alimenta esperanças de vitória em uma batalha muito específica na guerra contra as mentiras: a repressão promovida por diferentes governos à liberdade de imprensa sob a alegação de que combatem a desinformação.

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“A alegada luta contra as notícias falsas converteu-se em ferramenta de propaganda para os predadores da imprensa”, advertiu Christophe Deloire, da RSF

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), alerta que muitos desses “predadores” viram nos constantes ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a jornalistas e veículos de comunicação uma inesperada oportunidade para justificar sua atrocidades à livre expressão. “A alegada luta contra as notícias falsas converteu-se em ferramenta de propaganda para os predadores da imprensa”, advertiu Christophe Deloire, secretário-geral da RSF. “Mais do que nunca é necessário que os internautas saibam distinguir o verdadeiro do falso, entre todas as informações oferecidas e eles. Mas a luta contra as notícias falsas deve passar pela promoção de um jornalismo livre e independente, vetor de uma informação confiável e de qualidade”, agregou.

É isso que tem feito a CrossCheck em seus primeiros dias de atividade. O grupo selecionou até aqui 20 histórias (todas relacionadas à eleição na França) para investigação. As informações recebem um selo “verdadeiro” ou “falso”, mas podem ser marcadas com o ícone de “cautela”, o que significa que são enganosas, embora tenham alguns elementos verdadeiros. E muitos dos publishers encontraram, de fato, na associação um caminho para produzir mais e melhores reportagens. “Há desafios inerentes a isso. Meu interesse é obter as melhores histórias sobre a eleição francesa para a BBC News, e o mesmo aconteceria para qualquer participante”, comenta o editor de mídia social da emissora britânica, Mark Frankel. No entanto, pode significar, diz ele, que haverá trabalho em colaboração, se a competitividade for deixada de lado.

Os parceiros da CrossCheck são principalmente da França e Grã-Bretanha, e incluem a BBC, Channel 4 News, International Business Times, Bloomberg, Le Monde, BuzzFeed, La Libertação, Les Echos e Agence France-Presse. Atualmente cerca de 60 jornalistas estão usando ativamente o CMS. A First Draft News espera que esse número cresça para 150 no total. Alguns publishers franceses já alimentam a expectativa que o sistema sobreviva depois da eleição e se torne uma ferramenta permanente para as redações.

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