Comunidade internacional condena aumento da violência e da repressão à livre expressão na Venezuela

O aumento da violência e da repressão do governo de Nicolás Maduro na Venezuela, registrado nos últimos dias, foi condenado pela comunidade internacional, informou nesta quinta-feira (20) o jornal O Globo. Após a morte de dois jovens e um militar nos protestos contra a gestão chavista na quarta-feira (19), além de vários feridos – entre eles, mais de dez jornalistas – líderes mundiais, a União Europeia (UE) e organizações como a Anistia Internacional (AI) denunciaram a falta de liberdade de expressão no país. Entidades ligadas à comunicação, como a Sociedade de Interamericana de Imprensa (SIP) e o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), já haviam rechaçado, na semana passada, as agressões ao comunicadores e às empresas de mídia; a rápida degradação dos direitos civis e a maior restrição às liberdades de imprensa e expressão no país.

“Apelamos a todos os venezuelanos a se unirem para acalmar a situação e encontrar soluções democráticas no âmbito da constituição”, exortou Nabila Massrali, porta-voz da UE. “A onda de violência e repressão durante as manifestações na Venezuela está mergulhando o país em uma crise de difícil retorno que ameaça a vida e a segurança da população”, alertou a Anistia Internacional em comunicado divulgado em Buenos Aires.

Nesta quinta-feira (20), conforme O Globo, a oposição venezuelana convocou novas manifestações em todo o país, e há temor de mais derramamento de sangue. Em três semanas de mobilizações, já foram registradas oito mortes. Entre as demandas dos manifestantes estão a realização de eleições, respeito à Assembleia — de maioria opositora — e a libertação de presos políticos.

Agressão a jornalistas e um comunicador detido

No que diz respeito à repressão à imprensa durante a manifestação de quarta-feira, o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa informou que houve pelo menos 13 graves agresões a comunicaderes, principalmente por agentes de segurança, relatou o jornal El Nacional, de Caracas.O cinegrafista Rubén Rodríguez, do Últimas Noticias, por exemplo, sofreu um ataque à queima-roupa. Integrantes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) lançaram contra ele um bomba de gás lacrimogênio. Rodríguez correu e, mais à frente, um agente da Policia Nacional Bolivariana (PNB) o golpeou na cabeça, uma vez que o profissional continuava a registrar os fatos.

Eduardo Galindo, secretário de organização do Colegio Nacional de Periodistas de Apure, foi golpeado e teve sua máquina fotográfica roubada. Arnoldo Arcaya, do Diario 2001, foi hostilizado por um policial. Sergio Niño, do El Periódico de Occidente, também foi agredido e roubado por agentes públicos. Mayela Armas, do Crónica Uno, foi amedrontada por supostos integrantes do Serviço Bolivariano de Inteligência. Yuleima Flores, jornalista do El Falconiano, recebeu um golpe no ombro.

Agentes da GNB revistaram de forma agressiva Elías Rivas, do Nueva Prensa Guayana. Manifestantes tentaram agredir Manuel Cobela, jornalista da Venevisión. Cerca de 20 integrantes da PNB ameaçaram e roubaram Isaac González, do El Nacional Web. Jorge Brito, repórter independente, foi detido.

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http://www.el-nacional.com/noticias/protestas/aumenta-represion-mas-periodistas-fueron-agredidos-este-19-a_178031

http://oglobo.globo.com/mundo/comunidade-internacional-condena-violencia-repressao-na-venezuela-21233088