Jornalista russo crítico a Putin e autor de textos sobre corrupção morre seis semanas após ser espancado

Andrushchenko já havia sido atacado no passado. Os agressores não foram identificados.

O jornalista russo Nikolai Andrushchenko, de 73 anos, morreu nesta quarta-feira (19), em São Petersburgo, devido aos ferimentos resultantes do espancado que sofreu em março, após ficar seis semanas em coma. O profissional, um dos cofundadores do jornal Novy Peterburg, era conhecido por suas críticas ao presidente Vladimir Putin e por matérias sobre corrupção local, informou o jornal O Globo. Além disso, trabalhou em reportagens sobre direitos humanos e crimes diversos. Os responsáveis pelo ataque ainda não foram identificados, mas o editor do Novy Peterburg, Denis Usov, acredita que tenha sido uma retaliação relacionada a matérias sobre corrupção na cidade escritas por Andrushchenko.

Em 2007, o jornalista já havia sido espancado, mas os responsáveis de ambos ataques não foram identificados. Naquele mesmo ano, Andrushchenko foi preso por difamação e obstrução de justiça devido à cobertura de uma investigação de assassinato, segundo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). No entanto, os colegas de profissão afirmaram na época que a detenção teria ocorrido por causa do tom crítico nas matérias do Novy Peterburg sobre as autoridades locais nas proximidades das eleições parlamentares.

Ameaças e restrição a estrangeiros

Ainda nesta quarta-feira, outro jornal russo independente, o Novaya Gazeta, recebeu um envelope contendo um pó branco não identificado. O endereço de retorno da correspondência era identificado apenas por “Grozny,” capital da Chechênia, de onde pregadores religiosos e agentes públicos ameaçaram o jornal por informar sobre tortura e detenção de homossexuais. “Instamos as agências de segurança russas a fazer o possível para identificar, julgar e punir os responsáveis pela campanha repugnante cujo objetivo é silenciar um jornal corajoso e independente”, manifestou o CPJ.

O cerco do governo russo às mídias independentes também está na origem da saída, oficializada nesta semana, da Pearson e da Dow Jones do país. As duas venderem suas participações no jornal Vedomosti, um dos mais respeitados diários russos de negócios independentes. A decisão das das empresas estrangeiras está associada à legislação, de 1º de janeiro de 2016, que impede estrangeiros de possuir mais de 20% das ações em empresas de mídia russa. A lei é vista por muitos como uma forma de aumentar o controle das informações do Kremlin, e têm forçado a saída de várias empresas do país.

Leia mais em:

http://oglobo.globo.com/mundo/jornalista-russo-morre-seis-semanas-apos-espancamento-21232787

http://www.independent.co.uk/news/world/europe/russia-putin-critic-nikolai-andrushchenko-dies-after-beaten-up-by-strangers-a7691461.html

https://themoscowtimes.com/articles/pearson-and-dow-jones-sell-russias-vedomosti-newspaper-50868

https://cpj.org/2017/04/russian-newspaper-novaya-gazeta-receives-white-pow.php