Personal tools
You are here: Home > A Indústria Jornalística > Comentários sobre o Meio Jornal
Document Actions

Comentários sobre o Meio Jornal

A recuperação econômica registrada ao longo do segundo semestre de 2009, que se refletiu na retomada da circulação e das receitas publicitárias dos jornais brasileiros, retomou as características da expansão registrada nos anos anteriores, em particular a ampliação do nível de emprego e uma consistente elevação da renda da população.

Panorama econômico geral

O Brasil encerrou o ano de 2009 com uma ligeira retração de seu Produto Interno Bruto (- 0,2%) em relação a 2008, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado oculta o fato de que, durante o último trimestre de 2009, a economia nacional já se encontrava em recuperação acelerada em relação ao desempenho registrado no período anterior à crise econômica internacional que eclodiu em setembro de 2008. Isso fica claro quando se considera que o PIB do quarto trimestre teve um avanço de 4,3% sobre o mesmo período de 2008. Em conseqüência, as autoridades econômicas e os principais analistas privados passaram a preverem para 2010 um crescimento acelerado do PIB. Conforme a pesquisa FOCUS, realizada semanalmente pelo Banco Central, em 13/04 a previsão era de 6,0%, 0,49 pontos percentuais acima da estimativa registrada um mês antes. A mesma pesquisa identificou, como decorrência dessa recuperação econômica, o surgimento de pressões inflacionárias. Em 2009, o índice de preços mais utilizado por diversos setores econômicos como as empresas jornalísticas, o IGP-M, registrou uma retração dos preços de (-1,72%), contra um aumento de 9,81% em 2008 e uma estimativa (em 23/04) de aumento de 8,03% para 2010. Esse cenário, de acordo com as expectativas, levaria o Banco Central a promover aumentos da taxa básica de juros, que segundo a mesma pesquisa do Banco Central chegaria a 11,50%. O primeiro aumento ocorreu efetivamente na última semana de abril, quando a taxa básica SELIC foi elevada de 8,75% para 9,50. A medida representou uma reversão da política econômica anticíclica adotada durante o ano de 2009, que consistiu na adoção de medidas como a redução da taxa de juros e de impostos incidentes sobre produtos como automóveis, eletrodomésticos e materiais de construção (medida suspensa ao final do primeiro trimestre de 2010), além de ampliação do crédito por parte dos bancos estatais. O aumento da taxa básica de juros, segundo muitos analistas, pode desencadear um novo ciclo de apreciação da moeda nacional que, em abril de 2010 estava cotada em cerca de 1,76 real brasileiro por dólar norte-americano. Apesar da hipotética apreciação do Real em decorrência do afluxo de recursos externos atraídos pelos juros no país, a mesma pesquisa do Banco Central estime que a cotação média da moeda brasileira ao final do ano de 2010 será de R$ 1,80 por dólar.

Performance dos diferentes tipos de jornais

A crise econômica iniciada no último trimestre de 2008 não produziu efeitos imediatos sobre os jornais brasileiros. Em termos de circulação, houve uma retração de intensidade crescente entre janeiro e abril de 2009 quando a circulação diária auditada, base para as estimativas de circulação no país, realizadas pela ANJ, chegou a registrar um recuo de - 6,32% em relação ao mesmo mês de 2008. Nos meses seguintes, a circulação auditada oscilou a cada mês, ainda que sempre abaixo dos níveis alcançados um ano antes, mas com uma tendência geral de recuperação. Assim, o ano terminou um uma circulação auditada média de 4,2 milhões contra 4,35 milhões em 2008, o que representou uma retração de 3,46% – a primeira queda de circulação desde 2003. É com base nessa circulação auditada e em sua evolução que a ANJ estima a circulação diária total no Brasil, que recuou de 8,5 milhões, em 2008, para 8,2 milhões, em 2009.
O impacto da crise foi desigual sob todos os aspectos, não sendo possível identificar um padrão a respeito. Analisados de forma desagregada, os dados de circulação indicam que a crise afetou a todos os jornais brasileiros, embora alguns tenham registrado crescimento no ano, após registrar uma retração inferior a 2,0% no pior momento. Mesmo o mês de abril de 2009, quando o recuo total foi maior, não chegou a ser aquele em que a situação foi pior para alguns diários. Não houve um impacto homogêneo em termos regionais, já que nas mesmas regiões ou cidades, jornais diferentes – às vezes editados pelas mesmas empresas –, apresentaram performance diferente. Tampouco é possível afirmar que a crise tenha afetado com maior intensidade os jornais de qualidade ou os populares. Em ambos os segmentos, o desempenho foi variável. A explicação para essa dispersão na performance pode ser atribuída a um conjunto de fatores que incluem elementos sócio-econômicos, mas também estratégias empresariais diversas.
A recuperação econômica registrada ao longo do segundo semestre de 2009, que se refletiu na retomada da circulação e das receitas publicitárias dos jornais brasileiros, retomou as características da expansão registrada nos anos anteriores, em particular a ampliação do nível de emprego e uma consistente elevação da renda da população. A confirmação dessa tendência nos primeiros meses de 2010 permite supor que os jornais populares voltarão a crescer, mais rapidamente que a média da indústria jornalística já que desde 2004 (ano em que se passou a coletar essa informação para o World Press Trends) a participação da venda avulsa na venda total de jornais cresce ininterruptamente, sendo que em 2009, pela primeira vez, ultrapassou o número de jornais entregues a assinantes.

Publicidade

Historicamente, o Brasil registra investimentos publicitários totais equivalentes a cerca de 0,74% do PIB, o que significa que sua expansão tem crescido ao mesmo ritmo da economia nacional. Em 2009, contudo, enquanto o PIB recuava 0,2%, os investimentos publicitários tiveram uma expansão nominal de 4% alcançando R$ 22,27 bilhões, se computado apenas o valor bruto aplicado em mídia e R$ 30,55 bilhões, se incluídas as despesas com produção comercial. Deflacionando-se esses valores, ainda assim tem-se um crescimento de 2% no investimento bruto, o que representa 0,72% contra 0,69% no ano anterior (valor ajustado em relação ao fornecido à WAN para o World Press Trends - 2009). Os jornais, entretanto, não se beneficiaram disso, registrando um faturamento total de R$ 3,13 bilhões, o que significou uma redução de 8,11% em relação a 2008 e uma redução na participação dessa mídia no investimento publicitário total, caindo de 13,9% em 2008, para 12,4%, em 2009.

Internet e jornalismo online

Como era previsível em vista das tendências internacionais, a mídia que mais cresce no Brasil em audiência e faturamento publicitário é a Internet. Entre 2008 e 2009, o faturamento bruto da mídia Internet passou de R$ 759,3 milhões para R$ 950,4 milhões, o que representou um crescimento de 25,2%, elevando sua participação no bolo publicitário para 4,27%. Isso a situa como 5ª maior, pouco atrás do Rádio, ao qual deverá ultrapassar durante o ano de 2010. O crescimento está relacionado à expansão da renda média da população e do número de residências com computador, que em 2009 chegou a 18,3 milhões (aumento de 32%), 13,5 milhões das quais com conexão em banda larga. Com isso, o número de lares com esse tipo de acesso à internet passou a representar 24% do total de moradias brasileiras, um crescimento de 35% relativamente a 2008. São dados expressivos, especialmente quando combinados com a estrutura demográfica brasileira, que passa por um acelerado processo de envelhecimento. Atualmente, as faixas etárias mais numerosas da população já não se situam na base da pirâmide demográfica, mas correspondem aos adolescentes e jovens adultos, entre 10 e 24 anos.
Entre 2009 e 2010, o número de jornais diários com edições online sofreu uma ligeira redução, caindo de 133 para 132. Em compensação, a audiência prosseguiu crescente a um sólido ritmo de dois dígitos, chegando a 15,6 milhões de visitantes únicos por mês em janeiro de 2010, contra 12,8 milhões, no mesmo mês de 2009.

 

 

Brasília 28/12/2010