Cenário –  16 de Outubro de 2015


Indústria Jornalística

O noticiário político e econômico dos jornais e as sondagens semanais do Banco Central junto ao mercado financeiro (publicadas no site do BC com o nome “Focus – Relatório de Mercado”) fornecem os dados que sustentam análises pessimistas sobre a conjuntura nacional em geral e em particular sobre a situação da indústria jornalística. De acordo com o Relatório de Atividades da ANJ anterior, “a forma como o Brasil superou o impacto inicial da crise econômica mundial que eclodiu no último trimestre de 2008 fez supor que o país retomaria o ritmo de crescimento exibido nos anos que a antecederam, com impacto correspondente na indústria jornalística… Esse resultado foi atribuído, de um modo geral, às medidas anticíclicas adotadas pelo governo federal, em particular ao estímulo ao consumo de bens duráveis por meio de reduções da carga tributária”. 

A partir de 2012, tornou-se cada vez mais evidente que a recuperação econômica pós-crise de 2008 não era sustentável. Em 2012, o PIB cresceu apenas 1,0% e, em 2013, o crescimento foi de 2,3%. No ano passado, o crescimento foi de irrisório 0,1% e, em consequência, o PIB per capita registrou um recuo de 0,7% em relação ao ano anterior. No ano em curso, o cenário seguiu se deteriorando e, conforme a mais recente sondagem do Banco Central no momento da elaboração deste Relatório de Atividades, a expectativa do mercado é a de que o PIB recue 2,7% ao final de 2015.

Audiência

A evolução da conjuntura nacional e os desdobramentos das chamadas novas mídias seguem repercutindo profundamente na indústria jornalística. Um dos aspectos dessa combinação é a redução da circulação impressa e o crescimento da audiência digital. No caso brasileiro, a adoção de paywall e a comercialização de assinaturas digitais, conforme recomendação do Comitê de Estratégias Digitais da ANJ, têm contribuído decisivamente para o crescimento das edições digitais pagas. Segundo informação do Instituto Verificador de Comunicação (IVC), encaminhada em 22 de setembro à ANJ para a elaboração deste relatório, no total dos jornais auditados, desde janeiro de 2014, as edições digitais cresceram de 427.370 para 641.776 (+50%), enquanto as edições impressas diminuíram de 3.834.613 para 3.505.838 (-8,6%), resultando numa diminuição da circulação total de 4.261.983 para 4.147.614 (-2,7%).

Considerando-se apenas os jornais cujas edições digitais são auditadas pelo IVC, tem-se que a circulação total aumentou de 2.420.048 para 2.455.449 (+1,5%), com a participação (share) de edições digitais no total crescendo de 17,6% para 26,1%.

O quadro e os gráficos a seguir detalham a evolução da circulação impressa e digital desde janeiro de 2014.

Tabela 1

Circulação Todos Possuem Edição Digital
Total Impresso Ed. Digital Variação Total Impresso Ed. Digital  Variação
Jan./14 4.268.810 3.897.944 370.866 8,7% 2.393.124 2.022.258 370.866 15,5%
Fev./14 4.306.192 3.918.886 387.306 9,0% 2.409.062 2.021.756 387.306 16,1%
Mar./14 4.223.989 3.799.229 424.760 10,1% 2.393.391 1.968.631 424.760 17,7%
Abr./14 4.266.179 3.826.481 439.698 10,3% 2.438.315 1.998.617 439.698 18,0%
Mai./14 4.261.673 3.798.808 462.865 10,9% 2.455.157 1.992.292 462.865 18,9%
Jun./14 4.245.053 3.766.327 478.726 11,3% 2.431.237 1.952.511 478.726 19,7%
Jul./14 4.279.078 3.781.583 497.495 11,6% 2.447.447 1.949.952 497.495 20,3%
Ago./14 4.311.460 3.793.529 517.931 12,0% 2.474.876 1.956.945 517.931 20,9%
Set./14 4.319.769 3.764.352 555.417 12,9% 2.488.865 1.933.448 555.417 22,3%
Out./14 4.337.128 3.762.028 575.100 13,3% 2.518.994 1.943.894 575.100 22,8%
Nov./14 4.299.329 3.650.697 648.632 15,1% 2.578.404 1.929.772 648.632 25,2%
Dez./14 4.153.530 3.510.606 642.924 15,5% 2.515.949 1.873.025 642.924 25,6%
Jan./15 4.202.434 3.566.782 635.652 15,1% 2.489.488 1.853.836 635.652 25,5%
Fev./15 4.171.345 3.526.359 644.986 15,5% 2.485.141 1.840.155 644.986 26,0%
Mar./15 4.213.622 3.550.310 663.312 15,7% 2.505.882 1.842.570 663.312 26,5%
Abr./15 4.168.554 3.525.124 643.430 15,4% 2.460.635 1.817.205 643.430 26,1%
Mai./15 4.077.286 3.446.018 631.268 15,5% 2.410.508 1.779.240 631.268 26,2%
Jun./15 4.052.440 3.420.435 632.005 15,6% 2.381.040 1.749.035 632.005 26,5%
2014 – 1º Sem. 4.261.983 3.834.613 427.370 10,0% 2.420.048 1.992.678 427.370 17,6%
2015 – 1º Sem. 4.147.614 3.505.838 641.776 15,5% 2.455.449 1.813.674 641.776 26,1%
Variação -2,7% -8,6% 50,2% 54,3% 1,5% -9,0% 50,2% 48,1%

Fonte: Instituto Verificador de Comunicação (IVC)

 

Gráfico 1

Grafico 1

Fonte: Instituto Verificador de Comunicação (IVC)

Gráfico 2

Grafico 2

Fonte: Instituto Verificador de Comunicação (IVC)

 Gráfico 3

Grafico 3

Fonte: Instituto Verificador de Comunicação (IVC)

Como já havia sido registrado em 2014 pela “Pesquisa Brasileira de Mídia 2014: hábitos de consumo de mídia pela população brasileira”, realizada para a Secretaria de Comunicação Social (SECOM), da Presidência da República, a indústria jornalística brasileira é a mídia de maior credibilidade junto aos brasileiros. Dentre os 18 mil entrevistados, 58% afirmaram confiar muito ou sempre no meio Jornal e 50% disseram não fazer nenhuma outra atividade enquanto o lê. Já em relação às novas mídias, reina a desconfiança. Respectivamente, 71%, 69% e 67% dos entrevistados disseram confiar pouco ou nada nas notícias veiculadas nas redes sociais, blogs e sites. Em relação à publicida­de, 48% dos entrevistados que leem jornal responderam que confiam sempre ou muitas vezes, seguidos dos consumidores de TV e de rádio, ambos com 44%.  O percentual de brasileiros que leem jornais ao menos uma vez por semana permaneceu estável entre as duas rodadas da pesquisa: 21%, sendo a segunda-feira o dia da semana mais mencionado pelos leitores (48%), e o sábado o menos mencionado (35%). A escolaridade e a renda dos entrevistados são os fatores que mais aumentam a exposição aos jornais: 15% dos leitores com ensino superior e renda acima de cinco salários mínimos (R$ 3.620 ou mais) leem jornal todos os dias. Entre os leitores com até a 4ª série e renda menor que um salário mínimo, os números são 4% e 3%. O uso de plataformas digitais de leitura de jornais ainda é baixo: 79% dos leitores afirmam fazê-lo mais na versão impressa, e 10%, em versões digitais. Piauí, Ceará e Paraná são os estados com maior adesão às versões on-line dos periódicos, respectivamente, 39%, 25% e 22%. Amapá, Amazonas e Rio Grande do Sul, os esta­dos com menor adesão, respectivamente, 2%, 3% e 3%.

 


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