O papel do Conselho de Leitores na democratização da mídia
Isys Helfenstein Remião
A busca por canais de interação que proporcionem um relacionamento mais próximo com o público-leitor é uma realidade vivenciada pelos jornais impressos, por isso cresce a necessidade de criar instrumentos que permitam trazer a sociedade civil para dentro das redações, dialogar com ela e entender seus anseios e expectativas.
O projeto Uma proposta educomunicativa para o Conselho de Leitores do jornal A Tribuna foi o tema do trabalho de conclusão do curso de Gestão da Comunicação apresentado na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP. O projeto traz a análise das experiências com Conselho de Leitores dos jornais: O Povo (CE), Valeparaibano (SP), Bom Dia (São José do Rio Preto-SP) e A Tribuna (Santos-SP) a fim de entender o papel que este instrumento exerce na democratização da mídia e na sua contribuição ao exercício da cidadania.
A questão que se apresenta é como proporcionar de fato uma gestão participativa que contribua para o processo cidadão e crítico da sociedade através de um instrumento pouco sistematizado e avaliado – os Conselhos de Leitores.
Desta forma, o projeto se propôs a avaliar o processo de seleção dos conselheiros, a formação desses em prol de uma visão crítica e articulada com a comunidade e por último a presença do público jovem nos Conselhos. É preciso discutir o conceito e as práticas adotadas nos Conselhos de Leitores para que se alcance um modelo democrático e que provoque na sociedade a reflexão em torno de uma participação cidadã e comprometida com os problemas e interesses das comunidades.
Com o foco no Conselho de Leitores do jornal A Tribuna foi possível estender a pesquisa à representantes de instituições sociais, movimentos juvenis e Conselhos Municipais, possibilitando um olhar mais criterioso quanto a necessidade de construir um modelo que não se restrinja a um espaço para críticas individuais e sim que seja capaz de fomentar a atuação em rede, articulando o interesse social e os processos comunicacionais.
Pensar a relação do jovem com o jornal impresso é outra questão que vem sendo muito discutida, representa um desafio para educadores e jornalistas compreender a diversidade cultural da juventude. Descobrir um espaço de diálogo, que contribua ao processo educacional e cidadão de jovens é um dos papéis que se colocam hoje para os meios de comunicação. A juventude precisa discutir e produzir meios de comunicação nas escolas, nas organizações sociais e nos próprios meios, em especial no jornal, para chegarmos ao exercício da cidadania, da democracia e, sobretudo investir na aproximação do jovem com a leitura.
O Conselho de Leitores configura uma nova proposta de democratização da mídia e mostra potencialidades para promover a cidadania e a autonomia dos jovens.
Isys Helfenstein Remião
Especialista em Gestão da Comunicação - ECA/USP