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Alçando vôos: nas asas da imaginação e da criatividade

Depoimento mostra como a professora Marlene Rosa Alves, de Uberlândia, ligada ao projeto Algar Lê - Correio Educação, ajudou seus alunos da 3ª série a vencerem as dificuldades de leitura e escrita.

Professora: Marlene Rosa Alves

Escola: Escola Municipal Professor Leôncio do Carmo Chaves

Público: 32 alunos da 3ª série (a maioria sem interesse pela leitura e com dificuldades na escrita)

Cidade: Uberlândia/MG

Programa: Projeto Algar Lê – Correio Educação (Jornal Correio de Uberlândia)

Contexto

Ao perceber o elevado índice de dificuldade em leitura e escrita dos seus alunos da 3ª série, a professora Marlene Rosa Alves, da Escola Municipal Professor Leôncio do Carmo Chaves, localizada no bairro Planalto, zona oeste de Uberlândia, procurou recursos que subsidiassem atividades interessantes e significativas no desenvolvimento desta área.  O jornal foi um destes recursos.

Marlene acredita que o processo de leitura e escrita deve ser estimulado a todo o momento e defende a relevância do jornal pelo fato de possibilitar ao aluno leituras reflexivas de textos criativos e diversificados.

A professora afirmou que muitas estratégias que sugerem a utilização do jornal surgiram a partir dos vários encontros de formação continuada que ela participou, inclusive em anos anteriores. Ela ressaltou o formato diferenciado das oficinas, em que a prática é marcante.

Dinâmica

Os alunos foram divididos em grupo e cada um recebeu um exemplar completo do jornal para que escolhessem uma notícia. Depois de realizarem a leitura, apresentavam para a turma em forma teatral. A tarefa dos grupos era descobrir a notícia apresentada por cada um.

“Em alguns momentos as notícias poderiam ser modificadas, acrescentando personagens conhecidas para mudar a realidade da notícia. Havia um baú surpresa com diferentes materiais para que fizessem a caracterização. A criatividade, improvisação e o respeito foram imprescindíveis, pois um dos maiores danos que se pode causar a uma criança é levá-la a perder a confiança na sua própria capacidade de pensar e criar”, afirmou Marlene.

Após a apresentação as crianças tinham que reescrever a notícia. O estímulo foi dizer que era para escreverem ‘fazendo de conta’ que fossem jornalistas.

Resultado

“O resultado foi surpreendente”, garantiu a professora. “Todos os grupos apresentaram com muita criatividade e entusiasmo artístico”, disse.

“Crianças tímidas, retraídas, transformaram-se. Pude conhecer com riquezas de detalhes os meus alunos por meio da linguagem oral, expressão corporal, criatividade, improvisação. Isso passou a fazer parte do cotidiano das crianças e começaram então a perceber que escrever não era um bicho-de-sete-cabeças”, disse Marlene.

Dificuldades enfrentadas

A professora afirmou que a maior dificuldade na aplicabilidade da proposta inicialmente era trabalhar em grupo. A resistência dos alunos em aceitar opiniões e entrar em um consenso estava presente durante todo o processo, porém com a constante repetição da atividade, foi algo que passou a ser natural e indispensável. “As próprias crianças adquiriram uma grande autonomia e perceberam que as diferenças enriqueciam as idéias. Tomavam iniciativa, sentiam-se a vontade, enfim direcionavam o trabalho. O prazer era visível na realização da tarefa”, afirmou Marlene.

“Eu, como educadora, estive ali realmente como mediadora. Passava nos grupos, auxiliava, contribuía com idéias, dava suporte no que fosse necessário”, disse.

Conclusões

Marlene afirmou que a prática da atividade possibilitou o desenvolvimento integral das crianças. “Educar não é apenas formar indivíduos tecnicamente capazes e de modos civilizados, mas conduzir energias e estimular o desejo de aprender. É desenvolver no indivíduo todos os níveis de sua personalidade, fortalecer seu caráter e estimular a criatividade”, afirmou a educadora.

“As atividades com o jornal auxiliaram no desenvolvimento social, contribuíram com a desenvoltura das crianças e combateram a timidez. O relacionamento entre os alunos e o professor foi melhorando e conseqüentemente a aprendizagem passou a se concretizar com tranqüilidade e serenidade. Todo o ensinamento sobre convívio social só tem a contribuir muito para todas as crianças e posteriormente para todas as famílias”, disse Fábia, mãe de um dos alunos participantes.

“Agora será difícil recolher estes gênios de volta para a lâmpada, pois a liberdade e a criatividade são irreversíveis. Como diz Ruben Alves, ‘há escolas que são gaiolas e escolas que são asas’. Um professor deve ser um mestre de vôo para dar a seus alunos a coragem de voar”, afirmou Marlene.

“Acreditar que todos nós temos algo de bom para oferecer e de alguma forma podemos e devemos atuar nesse cenário degradante da sociedade em que vivemos. E, especialmente, contribuir com a transformação da realidade, principalmente na educação. Vale a pena? Vale a pena! Vale a pena”, afirmou Marlene.

Fonte: Informações e texto de Priscilla Melo - Site do Correio de Uberlândia
http://www.correiodeuberlandia.com.br/coluna/2008/09/PRIHMELO/35/algar_le_-_correio_educacao.html