Quem registrou o papiro?
Fábia Gomes
Sabe aquele dia que acordamos bem e de repente por um motivo qualquer ou até mesmo sério desabrocha em nós uma vontade de escrever? É com ela que descarregamos nossos sentimentos mais profundos que muitas vezes insistem em não querer sair pelas palavras ditas, só se escondem pelas palavras escritas.
O maior desempenho está em quem a comanda; ela pode ser linda, apreciada por todos, de grande valor de mercado – onde a caligrafia pode deixá-la igualada a qualquer borrão - ou até mesmo as que por uma moedinha se adquire.
Olha que a coitada sofre tanto quando está cansada, gasta ou parada por muito tempo. Batidas leves ou fortes a pressionam para trabalhar, mas o pior mesmo é quando utilizam uma chama qualquer para esquentá-la pensando que assim ela desistirá do descanso. A sua inocência a faz persistir algumas vezes sem reconhecer que pode ser seu fim, e quando isso acontece, como todo ser material ou imaterial, móvel ou não, pensante ou quase acéfalo é jogada fora. Dá-se um fim àquela que tanto lhe ajudou a crescer, a aparecer, corresponder e num súbito avanço de designers divertidos e chamativos o fez registrar-se para assim ser reconhecido como ser.
Seus familiares são bem próximos e a mesma coisa acontece com eles, só que provêem de outra matéria-prima, mais rústica, natural.
Hoje o seu sucesso se dá devido às cores que divertem e tornam mais colorido o nosso papiro moderno. Mas tudo começa de um rabisco simples com a primeira que se vê à frente. Um objeto, um poema, uma música, um relato e até mesmo a marca registrada da nossa descartável, mas utilíssima caneta - a pena modificada, a pedra revista e a madeira reformulada.
Fábia Gomes é Educadora e participa do programa Jornal, Escola e Comunidade, do Jornal A Tribuna, de Santos/SP