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Jornais devem ter conteúdo premium “além do muro”

Diretor de redação do The Wall Street Journal fez palestra sobre "O futuro dos jornais" no 8º Congresso Brasileiro de Jornais. Para ele os jornais devem cobrar pelo conteúdo mas, para isso, devem aumentar o conteúdo de qualidade oferecido além do muro que separa o gratuito do pago.

O “The Wall Street Journal”, um dos poucos grandes jornais dos Estados Unidos a aumentar a circulação do impresso, expandiu substancialmente suas operações digitais. Cerca de 35% da receita da WSJ provém de vendas online. “Somos agnósticos em relação à ideia de plataforma. Acreditamos em portfólio de conteúdos”, diz Robert Thomson, diretor de redação do “The Wall Street Journal” e editor-chefe da Dow Jones & Company. “O fato é que, pouco a pouco, estamos diminuindo o volume de conteúdo grátis e aumentando o conteúdo premium ‘por trás do muro’.”

A virada de mesa no WSJ ocorreu entre março de 2009 e março de 2010, quando passaram de um modelo de negócio baseado em conteúdo grátis para um baseado em venda de conteúdo “premium”. Nessa linha, os primeiros alvos do Grupo foram os profissionais de finanças e os pesquisadores. A receita com assinaturas e vendas online, então, cresceu, compensando, em parte, a queda na receita proveniente de anúncios.

O WSJ apostou também na expansão internacional, focando em conteúdos locais com linguagem local. “Custou-nos apenas dez dólares, em média, para traduzir nossas matérias para o chinês, por exemplo. Além disso, implantamos um sistema de abertura contínua de janelas para conteúdos exclusivos e, paralelamente, lançamos um jornal – o ‘Greater New York’ –, que circula de segunda a sexta em Nova York.”  

Desde o início deste ano Thomson está testando e oferecendo novos produtos para venda no iPad, que promete revolucionar o mercado editorial. “Mas, sem o seu, sem o nosso conteúdo, essas novas devices não passarão de mais um aparelho eletrônico para sonharmos com uma salvação que já é fato. Cobramos dos assinantes online um valor extra para acesso aos conteúdos para iPad, em venda casada.”

Thomson acredita que para colocar um aplicativo de conteúdo no iPad não é necessário inventar a roda. “A experiência de leitura no iPad é a que mais se aproxima da experiência de leitura em papel.  Mas, por mais que façamos, precisamos ter em mente que mesmo os usuários do iPad ainda estão em processo de familiarização com o dispositivo, que apenas começou a mostrar seu potencial como mídia e como negócio. Comece usando o dispositivo para conhecer seu potencial e então defina suas estratégias.”

Rio de janeiro, 19 de agosto de 2010

Por Sergio Vilas-Boas