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O começo de tudo

Discurso de João Roberto Marinho agradecendo o título de Associado Honorário da ANJ.

Há 30 anos, Cláudio CF me procurou para propor a criação de uma associação que reunisse os jornais mais importantes do Brasil. Me disse que já tinha conversado com o José Antônio Nascimento Brito e que, se os jornais do rio dossem capazes de se unir, conseguiríamos levar adiante o projeto.

Fui a meu pai, Roberto Marinho, para perguntar o que ele achava da idéia. E ele me disse: “vocês tem o dever de levar esse projeto adiante; não repitam os erros da minha geração que não consegue se entender em torno de nada. A competição entre jornais deve se dar em torno do melhor jornalismo, da melhor informação, do furo de reportagem, da melhor apresentação gráfica, da melhor distribuição, tudo isso a serviço do leitor. Em tudo o mais, deve haver colaboração”.

Portanto, se eu contribuí durante tantos anos para essa associação foi porque, junto com minhas convicções, entendi a orientação de meu pai como uma missão. Era preciso trabalhar permanentemente em torno das pré-condições indispensáveis ao nosso trabalho: um ambiente democrático, em que a livre circulação de informação seja um valor reconhecido por todos.

A ANJ nunca abandonou o seu norte: a defesa intransigente da liberdade de expressão contra toda tentativa intimidação. Cada um de nós, em algum momento, já enfrentou prepotência daqueles que não se conformam em ver seus desvios expostos. Nesses anos todos, nenhyma intimidação prevaleceu, porque cada associado contou sempre com os demais quando se tentou matar a verdade. Hoje, infelizmente, muito de nós ainda enfrentamos obstáculos assim, que podem ser diferentes na forma, mas são iguais na essência. O que conforta é saber que o norte é o mesmo e que, no fim, aqueles que praticam o bom jornalismo serão reconhecidos.

No momento em que sou homenageado, olho para trás e o que mais me alegra é constatar que, nesses 30 anos, nas mais variadas funções, tentei sempre ser parte ativa desses ideais, cumprindo a orientação de meu pai.

Quando olho para frente, vejo muitos desafios, talvez o maior deles: a encruzilhada do mundo digital. Não tenho, porém, muitas dúvidas de que, de um jeito ou de outro,saberemos enfrentá-los, porque o que nos caracteriza não é o papel, mas a boa informação que ele traz. Em qualquer plataforma, o bom jornalismo sempre triunfará. Desde que, repito, tenhamos em mente que a afronta à liberdade de um de nós é uma afronta a todos nós. Muito obrigado.

João Roberto Marinho