Brasil tem dois assassinatos e 41 agressões a jornalistas entre janeiro e maio de 2018 /Reprodução/ O Globo

Brasil tem dois assassinatos e 41 agressões a jornalistas entre janeiro e maio de 2018

A má colocação do Brasil (102ª) no ranking dos 180 países com mais liberdade de imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) deve, infelizmente, ser mantida em 2018, pelo menos a julgar pelos dados até maio coletados pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT). Neste começo de ano, informa a entidade, dois jornalistas foram assassinados no país. Além disso, houve 41 casos de violência não letal, como socos e pontapés e disparo de bala de borracha.

Os números foram apresentados na segunda-feira (7) durante audiência pública do Conselho de Comunicação Social, órgão auxiliar do Congresso Nacional. “A violência contra jornalistas é um ataque à liberdade de expressão”, afirmou o diretor da ABERT, Paulo Tonet Camargo, durante o encontro. “Vivemos um momento de intolerância, porque as pessoas perderam a capacidade de conviver com o contraditório”, salientou. “Nunca o jornalismo foi tão importante e tão relevante, como nestes tempos de fake news”.

Relatório lançado em março pela associação mostra que, no ano passado, houve um caso de assassinato de jornalista no país e 82 de violência não-letal. As agressões envolveram pelo menos 116 profissionais e veículos de imprensa.

Na audiência, Adauto Soares, coordenador de comunicação e informação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, nos últimos 12 anos, 38 jornalistas foram assassinados. Desses, apenas 10 foram solucionados. Para a presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a conselheira Maria José Braga, a impunidade é combustível da violência. Ela apontou que os jornalistas são atingidos ainda pelo despreparo das forças de segurança brasileiras, pela tradição de violência das polícias militares e pela intimidação de políticos.

Josemar Pinheiro, representante da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão (Fitert), observou que radialistas e jornalistas vêm sendo vítimas também de censura e assédio moral. Ele destacou que os crimes contra os profissionais, de forma geral, não vêm sendo punidos. Conforme ele, as denúncias também não têm gerado medidas protetivas. Pinheiro acredita que fatores como a desregulamentação da profissão contribuem para esse cenário.

O presidente do Conselho de Comunicação Social, Murillo de Aragão, defendeu a educação da sociedade civil para lidar com a violência contra jornalistas e radialistas. “A sociedade precisa entender e respeitar o papel da imprensa como um bem valioso para o próprio funcionamento da democracia”, afirmou. Ele citou como modelo a campanha do jornal Correio Braziliense pela paz no trânsito. A ação do jornal foi iniciada há cerca de 20 anos, a qual, na sua visão, teria gerado mudança cultural na cidade.

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http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/COMUNICACAO/556933-DADOS-APONTAM-ASSASSINATO-DE-DOIS-JORNALISTAS-E-AGRESSAO-A-41-SO-NESTE-ANO.html

http://www.abert.org.br/web/index.php/notmenu/item/26212-violencia-contra-jornalistas-em-debate-no-ccsviolencia-contra-jornalistas-em-debate-no-ccs