Combate às notícias falsas exige jornalismo qualificado, defende consultor da ANJ e ABERT Reprodução

Combate às notícias falsas exige jornalismo qualificado, defende consultor da ANJ e ABERT

Jornalismo de qualidade é a melhor arma contra o fenômeno global da propagação de notícias falsas na web, defendeu nesta quarta-feira (9), em Florianópolis (SC), o jornalista Carlos Müller, consultor da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT). “Notícias falsas sempre existiram, mas adquiriram uma dimensão muito grande no fim do ano passado, quando deram uma contribuição à eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos”, afirmou Müller em palestras para equipes dos grupos de comunicação NSC (ex-RBS-SC) e RIC e, também, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Hoje, assinalou, a diferença é que as notícias falsas são produzidas e propagadas de forma industrial, com modelo de negócio sustentável, rentável, e que vai muito além do aspecto pontual e de interesse imediato.

“É preciso entender a magnitude do problema e suas implicações, que estão em escala global.  É uma ameaça à democracia, pode envolver fraudes econômicas e uma série de implicações”, alertou Müller, também doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília (UNB). Na origem da multiplicação de mentiras – e também de discursos de ódio –, ressalta o jornalista, está o modelo de negócios adotado pelo duopólio digital formado por Google e Facebook.

Do ponto vista social, isso alimenta um comportamento contrário aos princípios da democracia, no qual as pessoas tendem a evitar pontos de vista diferentes dos seus ou de seus grupos. Ao mesmo tempo, estabelece uma lógica perversa de mercado em que Google e Facebook não combatem de forma eficaz aberrações (como as fábricas de cliques ou a concorrência desleal que ambos praticam) enquanto elas resultam em receita aos seus cofres.

Müller destacou, porém, que a mesma preocupação com ganhos começou e empurrar o duopólio digital a mudanças. Há pressão de anunciantes – o boicote de marcas ao Google a partir do reiterado problema de publicidade associada a terrorismo ou a ódio no Youtube é um exemplo –, de governos, principalmente a União Europeia, e de publishers. Em paralelo, há em curso uma série de ações para valorizar e fortalecer o jornalismo qualificado e, especialmente, o jornalista. “É preciso gente para fazer jornalismo conforme as boas práticas da atividade informativa numa sociedade democrática e para executar o trabalho de curadoria para o qual os algoritmos, no atual estágio de desenvolvimento tecnológico, apresentam inúmeras falhas e ineficiências.”

O jornalista ainda chamou a atenção da própria sociedade para o problema das notícias falsas. “Quando você compartilha uma notícia falsa no Facebook, você é corresponsável pelo impacto que isso vai ter. As pessoas compartilham por impulso, mas devem se questionar se aquela notícia tem fundamento. Vai levar tempo para que as pessoas percebam e consigam distinguir com mais facilidade e profundidade o que é relevante e verdadeiro do que é falso”, afirmou.

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https://ndonline.com.br/florianopolis/noticias/combate-as-noticias-falsas-deve-ser-bandeira-da-midia-e-da-sociedade-em-geral

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