Jornalismo vai prosperar a partir de modelos de negócios diferentes dos atuais, diz Caño Imagem: Reprodução/El País

Jornalismo vai prosperar a partir de modelos de negócios diferentes dos atuais, diz Caño

O jornalismo está seriamente ameaçado, em um processo de crise da profissão iniciado a partir do das dificuldades econômicas de 2008. “Uma crise que, por outra parte, afetou a todas as instituições e aos valores éticos e morais, não apenas econômicos”, disse no último sábado (9) o diretor do jornal espanhol El País, Antonio Caño. Ele, entretanto, argumentou que a atividade jornalística tem um grande futuro pela frente desde que vá em busca dos leitores e, ao mesmo tempo, promova uma mudança no modelo de negócios em meio ao avanço digital. Mas essa modelagem, advertiu, não será nenhuma das que existem atualmente.

Durante diálogo com David Dinis, diretor do Público, em evento alusivo ao aniversário do diário português, em Lisboa, Caño afirmou que, apesar das muitas dificuldades impostas pela comunicação pautada pela alta tecnologia e dominada pelo duopólio Google-Facebook, os meios de comunicação têm potencial para prosperarem. É o que vislumbra atualmente o El País, que nunca teve tantos leitores como agora, 45 milhões em todo o mundo. “O meios de comunicação serão excelentes negócios porque não há outro instrumento para chegar a tanta gente; mas é preciso ir buscar os leitores, que já não vão mais às bancas. É preciso buscá-los onde estejam, seja no Facebook ou no Instagram”, comentou.

Caño afirmou que, na visão dele, a busca pelos modelos de negócios mais eficientes para os publishers não possui fórmula mágica, e não passa pelo sistema gratuito ou o pago. “A própria evolução do jornalismo vai a acabar com esse dilema; de fato nenhum dos dois está funcionando”, avaliou. O jornalista disse acreditar em um modelo de espaço aberto, mas com a oferta de determinadas atividades pagas. “De alguma forma, os jornalistas temos de cobrar por nosso trabalho, mas não com as fórmulas atuais”. Nessa transição, ele não crê no desaparecimento do jornal impresso. “Tem um valor, uma força que não há na web. Os diários nativos digitais, se pudessem, fariam uma versão em papel”, destacou.

O jornalista afirmou também que é preciso compreender muito bem o atual cenário para, então, buscar a melhor adaptação e crescer. Uma das peculiaridades da era digital, disse, é o fato de que o monopólio da informação, por exemplo, já não é do jornalista e, ao mesmo tempo, estabeleceu-se um outro extremo. “O problema é quando todas as opiniões valem o mesmo, a do profissional e a daquele que passa por ali. Vivemos um retrocesso da razão e um auge do 'jornalismo Eu’, feito com as notícias que nos agradam e as opiniões com as quais estamos de acordo. O 'jornalismo Eu’ é um entorno confortável em que vive muita gente”, lamentou.

https://politica.elpais.com/politica/2017/09/09/actualidad/1504981893_640654.html

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