Coberturas dos furacões Irma e Harvey mostram o valor dos jornais locais e da inovação

Coberturas dos furacões Irma e Harvey mostram o valor dos jornais locais e da inovação

Além da destruição e das indagações sobre as alterações climáticas no planeta, os recentes furacões Irma e Harvey reforçaram a importância de dois tipos de jornalismo: o local, marcado pelo detalhado e longo garimpo de histórias; e o de alta tecnologia, com equipes munidas de vídeos e outros recursos, informando em tempo real nas múltiplas plataformas. Nos dois casos, em especial a mídia local, a continuidade desses trabalhos passa pela conscientização do leitor de que é preciso financiar essas iniciativas jornalísticas, defendem especialistas.

A força da reportagem feita à base de sola de sapato gasta, centenas de anotações, dezenas de entrevistas e o longo convívio com as fontes é enfatizada pela jornalista Kathleen McLaughlin, do The Guardian, que relata o trabalho da equipe do Texas Tribune. “Mais de um ano antes do Harvey entrar em Houston, o Texas Tribune mergulhou profundamente em uma investigação de como as mudanças climáticas e o crescimento não controlado criaram uma grande cidade vulnerável à devastação caso uma tempestade perfeita a atingisse”.

No fim do mês de agosto, após a passagem do Harvey, parecia mágico que o jornal pudesse ter antecipado o cenário aterrador. “Na verdade, foi o resultado natural do grande jornalismo praticado por repórteres que conhecem bem os assuntos e as comunidades locais e cobriram essas questões extensivamente”, sintetizou Kathleen McLaughlin.

Na outra ponta, está aparato de videojornalismo do jornal The Washington Post, do bilionário Jeff Bezos e comandado pelo premiado editor Marty Baron. Com imagens e relatos a todo momento e de diferentes – às vezes, inusitados – pontos, a cobertura do Post, conforme relata o site especializado em jornalismo Poynter, reproduziu com fidelidade e em tempo real os impactos do furacão Irma. Resultado de um dedicado invesitmento.

Apenas para coberturas de furacões, o jornal contra com dez videojornalistas. Atualmente, a equipe de vídeos do The Washington Post reúne 60 profissionais, dos quais 20 são editores encarregados de unir a cobertura própria do jornal com as informações das agências de notícias, sempre em alta velocidade. "Penso que estamos contando histórias melhor do que algumas das redes de TV", comemora o chefe da editoria de vídeo do jornal, Micah Gelman.

Leia mais em:

HTTPS://WWW.POYNTER.ORG/NEWS/WASHINGTON-POSTS-AGGRESSIVE-VIDEO-JOURNALISM-PAYING-HURRICANE-COVERAGE

https://www.theguardian.com/us-news/2017/sep/11/inequality-local-news-outlets-journalism-media-reporting