A menos de um ano do período eleitoral, notícias falsas sobre política preocupam analistas

A menos de um ano do período eleitoral, notícias falsas sobre política preocupam analistas

Os brasileiros são a população mais preocupada com notícias falsas na internet, segundo pesquisa da BBC realizada em 18 países, mas isso não tem impedido a difusão em larga escala de notícias falsas sobre política nas mídias sociais. Cerca de 12 milhões de pessoas compartilham esse tipo de informação, segundo levantamento do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai) da Universidade de São Paulo (USP). Os dados preocupam analistas de diferentes áreas, em especial diante da possibilidade de que as “fake news” venham a ganhar protagonismo no período eleitoral de 2018, com potencial de alcance maior do que as informações de fontes reconhecidas como confiáveis, informou o jornal O Estado de S.Paulo.

O estudo é resultado de um monitoramento com 500 páginas digitais de conteúdo político falso ou distorcido no mês de junho. Se considerada a média de 200 seguidores por usuário, o alcance pode chegar a praticamente toda a população brasileira. “No atual momento, a polarização ideológica coincidiu com o consumo de notícias sobre política por meio das redes sociais. Quanto mais manchetes se prestam a essa informação de combate, maior é a performance delas, o que acaba por corroer o sistema como um todo, poluindo o debate político”, avalia o cientista político Pablo Ortellado, um dos coordenadores do Gpopai.

Para analistas, relata O Estado de S.Paulo, outro dado a ser considerado é o grau de confiança do brasileiro nas redes sociais como fonte para a escolha do melhor candidato em 2018. Para 36% dos brasileiros, segundo pesquisa Ibope de junho deste ano, as mídias sociais terão muita influência nesse processo, enquanto 56% disseram que elas terão apenas “algum” potencial. “As notícias falsas são mais apelativas com maior poder de contaminar esse ambiente”, diz o cientista da computação Thiago Pardo, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

A advogada da área do direito digital, Juliana Abrusio, afirma que há dois principais perfis desse perpetuador de inverdades nos momentos prévios de decisões políticas: o idealista na faixa entre 20 e 50 anos, que faz de tudo por seu candidato, e o contratado, que faz tudo por dinheiro. “Normalmente, prevalece o contratado”, comenta.  Ao mesmo tempo, lembra ela, um processo por crime de calúnia, difamação e injúria, materializado em notícia falsa, leva de 6 a 12 meses para ter um desfecho. “O direito não consegue caminhar na mesma velocidade da internet.”

Há ainda os perigos da das junk news, caracterizadas por informações descontextualizadas. O professor de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo Fábio Malini, por exemplo, verificou que esse tipo de conteúdo, de 300 fontes distintas, foi mais compartilhado do que as notícias verdadeiras sobre a delação de executivos e ex-executivos da Odebrecht no momento em que a colaboração premiada da empreiteira foi homologada, em janeiro deste ano. 

Não é por acaso que, conforme pesquisa da emissora de televisão pública do Reino Unido BBC, conduzida pela GlobeScan junto a 18 países, 92% dos brasileiros entrevistados disseram estar preocupados com inverdades na web.

Leia mais em:

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,na-web-12-milhoes-difundem-fake-news-politicas,70002004235

https://www.statista.com/chart/11240/people-worried-about-fake-content-on-the-web/

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