Iniciativa do Facebook para combater notícias falsas fracassou, dizem verificadores de fatos Reprodução

Iniciativa do Facebook para combater notícias falsas fracassou, dizem verificadores de fatos

Quase um ano depois de o Facebook anunciar uma grande frente de aparatos tecnológicos e parcerias com organizações jornalísticas verificadoras de fato, jornalistas que trabalham para empresas que fazem a checagem de informações disseram ao jornal britânico The Guardian que o sistema de verificação fracassou. Muitos desses profissionais também acusaram a empresa norte-americana de explorar seus trabalhos para fazer marketing positivo, ao invés de realmente atacar o problema.

"Eu não sinto que esteja funcionando na totalidade. A informação falsa permanece sendo viral e espalha-se rapidamente ", disse um jornalista das organizações de verificação de fatos parceiras do Facebook. Um dos casos mais recentes é o da a falsa informação de que o atirador Devin Patrick Kelley, que matou dezenas em uma igreja no Texas. A falsa história foi contestada pelos verificadores de fato e, mesmo assim, foi compartilhada mais de 260 mil vezes, reportou o The Guardian.

Outros verificadores afirmaram ao jornal britânico que não recebem informações da companhia do Vale do Silício e têm dúvidas sobre a frequência com que as tags que sinalizam informação não confiável – com a frase disputed by multiple fact-checkers (contestado por múltiplos verificadores de fatos) – foram colocadas em postagens e sobre o efeito dessas marcações.

Para alguns, há ainda conflito de interesses no caso das parcerias pagas, o que pode inibir uma investigação sobre como a plataforma pode facilitar notícias falsas. "Eles estão basicamente comprando boas relações públicas, pagando-nos", ressaltou um dos profissionais ouvidos pelo The Guardian. O Facebook afirmou, "continuará a tirar dinheiro para espalhar a desinformação";

Em outro depoimento, o jornal britânico ouviu que o Facebook se opõe à contratação interna de um grande número de jornalistas e especialistas para fazer o trabalho de verificação de fatos. "O relacionamento que eles [Facebook] têm com as organizações de verificação de fato é muito pequeno e tardio. Eles deveriam realmente estar lidando com isso internamente, contratando exércitos de moderadores e seus próprios verificadores”.

O Facebook anunciou em dezembro de 2016 que iria começar a sinalizar notícias falsas com a ajuda de cinco verificadores independentes: ABC News, Associated Press, FactCheck, Politifact e Snopes. Mas diferentes reportagens este ano revelaram casos de ineficácia na checagem e que as tags não estavam funcionando como pretendido.

"Estamos meio que no escuro. Nós não sabemos o que realmente está acontecendo ", disse Alexios Mantzarlis, da International Fact-Checking Network da Poynter, que audita os parceiros  verificadores do Facebook. Ele lamentou que a “maior experiência” na luta contra a desinformação esteja aquém do esperado. “O nível de informação que está sendo entregue é inteiramente insuficiente”, reclamou.

Um porta-voz da empresa de mídia social disse que, no caso dos artigos rotulado como falsos, as "impressões" futuras caíram em 80%. "Estamos dando às pessoas a informação que precisam para tomar decisões sobre se devem ou não ler, confiar ou compartilhar, afirmou o porta-voz.

Leia aqui a reportagem do The Guardian na íntegra.