Fortalecer o jornalismo é decisivo para garantir eficiência no combate às notícias falsas Divulgação

Fortalecer o jornalismo é decisivo para garantir eficiência no combate às notícias falsas

Além da certeza de que o jornalismo profissional é o principal antídoto às notícias falsas, consolida-se agora a convicção de que é preciso garantir mais proteção à atividade jornalística, duramente atacada por aqueles que propagam a desinformação com o objetivo de desestabilizar a democracia.

“Nunca o jornalismo profissional, independente e empresarial foi tão relevante para creditar a informação”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), Paulo Tonet Camargo, na última segunda-feira (27), em São Paulo.

Ao participar de um dos painéis do encontro “Liberdade de Imprensa e de Expressão”, da XXIII Conferência Nacional da Advocacia do Brasil, Tonet acrescentou que é essencial criar mecanismos de responsabilidade para quem difunde informações mentirosas. “Não é possível que as plataformas tecnológicas de hospedagem digam que não tenham relação com as ‘fake news'”, completou o executivo, segundo relato da ABERT.

O editor-executivo da Folha de S.Paulo, Sérgio Dávila, também integrante do painel, concordou com Tonet sobre a necessidade de fortalecer o jornalismo profissional como uma ferramenta de enfrentamento às notícias falsas.

“O primeiro antídoto contra as ‘fake news’, a curto prazo, é o jornalismo profissional, aquele que segue uma série de posições e posturas éticas e comportamentos, além de critérios técnicos”, explicou. No entanto, segundo relato do informativo semanal da ABERT, o jornalista ressalvou que essa medida é apenas transitória. “O outro antídoto, esse a longo prazo, é a alfabetização digital, de ensinar nossas novas gerações a navegar pela internet”, destacou.

Fundador e sócio da Bites Consultoria, o jornalista Manoel Fernandes afirmou ser impossível acabar com a profusão de notícias falsas via internet, citando um estudo internacional que prevê, até o ano de 2020, mais produção de conteúdos falsos do que verdadeiros. “Quem vai nos ajudar a enfrentar isso são os órgãos de imprensa, em um grande consórcio, porque nenhuma empresa de mídia sozinha conseguirá enfrentar isso.”

Fernandes também frisou a necessidade de que os meios tradicionais invistam em ferramentas tecnológicas, que são, em grande parte, o segredo do sucesso da propagação de notícias inventadas. “Se não usarmos as mesmas técnicas, vamos ficar um passo atrás, já que para produzir uma fake news é muito fácil: basta ter uma conexão de internet”, frisou.

No mesmo painel, o advogado Manuel Alceu Affonso Ferreira disse que o combate às informações falsas é dificultado por, segundo ele, uma própria “inclinação humana de sentir mais atração por uma notícia mentirosa do que uma correta”. O advogado sugeriu como um “caminho jurídico” a criação de uma comissão formada por “todos os defensores do jornalismo profissional”, destinada a analisar profundamente o fenômeno. “A partir desse estudo, seria possível encaminhar um projeto de lei contra as fake news”, previu.

Direito ao Esquecimento

O encontro “Liberdade de Imprensa e de Expressão” também debateu o “Direito ao Esquecimento” em um segundo painel, que contou com a mediação do presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, e teve como debatedores o editor de livros Carlos Andreazza, o advogado Gustavo Binenbojm e o presidente da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), Fábio Gallo.

O presidente da ANJ defendeu o direito à liberdade de informação, mas ponderou ser fundamental a existência de uma distinção entre as esferas pública e privada. “A imprensa responsável faz o direito à atualização quando o assunto é de interesse público”, afirmou. Carlos Andreazza também defendeu o princípio de publicar aquilo que “for matéria de interesse público.” “Como editor, é a vida pública que me interessa, e não a privada. Tenho desinteresse pela vida privada de uma pessoa até mesmo como forma de protegê-la.”

O advogado Gustavo Binenbojm afirmou que a sociedade tem o direito de conhecer a informação “licitamente apurada”, mesmo que coloque alguém em uma “situação desabonadora”. “Só há uma maturidade de nação quando todos nós possamos defender a liberdade de expressão, ainda que ela possa ser usada contra nós”, manifestou. Caso prevaleça o entendimento favorável ao direito ao esquecimento no STF, vai se criar um estado mais autoritário, “que vai definir o que deve ou não deve estar publicado”.

O presidente da ANER, Fábio Gallo, afirmou que deve prevalecer o bom senso na questão do direito ao esquecimento. “Não se pode anular uma informação, mas o cidadão tem o direito de ter as informações atualizadas. Qualquer retirada de conteúdo fere a liberdade de expressão e incentiva a censura”, afirmou.

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