O GLOBO – 18/10/2018
MARIANA MARTINEZ
A pedido da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), os candidatos à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) assinaram um termo de compromisso de que respeitarão os direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição, mais especificamente no artigo 5°, que se refere “à inviolabilidade do direito à vida, à igualdade, à segurança e à propriedade”.
Intitulado “Termo de Compromisso de Respeito à Constituição da República Federativa do Brasil”, o documento proposto pela ABI também tem uma cláusula para garantir que “os candidatos ratificam e enfatizam seu pacto de assegurar os direitos à informação, liberdade de expressão e, por conseguinte, a liberdade de imprensa”.
Segundo o presidente da entidade, Domingos Meirelles, a iniciativa é uma tentativa de fazer com que a campanha retorne ao “eixo natural”, que é a discussão de programas de governo.
— A campanha perdeu o norte. Ela se transformou numa troca de insultos pessoais, ofensas e ‘fake news’ que deixaram o eleitor refém de um cenário de medo —disse o presidente da ABI.
De acordo com Meirelles, as duas candidaturas manifestaram em algum momento, às vezes de maneira clara, outras de forma mais velada, o desejo de mexer na Constituição: Haddad por meio de uma constituinte, e Bolsonaro a partir de um “grupo de notáveis”, sugestão do vice da chapa do PSL, general Hamilton Mourão.
— Para afastar essas suspeitas que rondam as duas candidaturas, imaginamos esse documento —completou o presidente da ABI.
Meirelles disse que a receptividade dos candidatos à Presidência foi boa. Ele falou diretamente com os dois e enviou os textos pela internet. Depois, foi encontrá-los para colher as assinaturas.
RESPOSTA POSITIVA
Bolsonaro recebeu o presidente da ABI em sua casa, neste fim de semana, no Rio de Janeiro. Haddad assinou o termo no sindicato dos professores, na última segunda-feira, em São Paulo.
— Para minha surpresa, não houve o menor constrangimento ou pedido para trocar qualquer coisa no documento. A minha leitura é de que eles assinavam muito aliviados —disse.
Para Meirelles, a resposta dos candidatos foi tão positiva, que é como se tivessem “fazendo tipo” em seus discursos de campanha ou na TV.
— Da maneira como me receberam, parecia que eu estava diante de outras pessoas —afirmou.
O presidente da ABI disse acreditar que, agora, com o documento, os candidatos vão precisar mudar o tom do discurso e o clima de intolerância na campanha deve ser amenizado. No entanto, admitiu que a assinatura do termo de respeito à Constituição não dá garantias concretas de que o presidente eleito cumprirá com a palavra.
— O documento tem um compromisso moral. Eles podem simplesmente ignorar. Mas acho que não vão fazer isso, ou vão ter de pagar um ônus diante da História, do seu eleitor e da própria sociedade brasileira —disse Meirelles.
“Para minha surpresa, não houve constrangimento ou pedido para trocar qualquer coisa no documento”
_ Domingos Meirelles, presidente da Associação Brasileira de Imprensa