O ESTADO DE S.PAULO – 18/10/2018

Um grupo de acionistas do Facebook, formado por fundos públicos e investidores privados, apoiou ontem uma proposta para remover Mark Zuckerberg, fundador e presidente executivo da rede social, do cargo de presidente do conselho, dizendo que a rede social não soube lidar, nos últimos tempos, com diversos escândalos de alto nível.

Ontem, os fundos estatais de Illinois, Rhode Island e Pensilvânia, ao lado do fundo da cidade de Nova York, assinaram uma carta, apoiando a iniciativa do Trillium Asset Management, que trouxe a discussão à baila em junho. Agora, a questão deverá ser votada em maio de 2019, quando acontece o próximo encontro anual de acionistas do Facebook.

A proposta dos fundos é de que a presidência do conselho da empresa seja ocupada por um executivo independente. É algo, no entanto, difícil de acontecer, uma vez que Mark Zuckerberg, sozinho, detém 60% do poder ordinário da empresa. Procurado, o Facebook não estava imediatamente disponível para comentar o assunto.

“O Facebook hoje tem um papel fora do normal em nossa sociedade. É uma empresa que tem responsabilidade social e financeira de ser transparente. É por isso que demandamos independência e responsabilidade no conselho”, diz o documento.

Falha. A proposta acrescentou ainda que a falta de um conselho independente contribuiu para que o Facebook lidasse mal com diversas controvérsias, entre elas o caso da consultoria Cambridge Analytica, a interferência russa nas eleições americanas ou a recente falha de segurança, em que cerca de 30 milhões de pessoas em todo o mundo tiveram suas contas invadidas.

Ontem, aliás, a companhia começou a notificar os usuários brasileiros que foram afetados.