Em situação de assalto à verdade, jornalismo neutro amplifica a desinformação, diz Rosental Alves Reprodução

Em situação de assalto à verdade, jornalismo neutro amplifica a desinformação, diz Rosental Alves

A imprensa não pode usar na era digital, marcada pela desinformação nas redes sociais, a mesma metodologia de avaliação do que é notícia que usava no mundo anterior. A análise é do jornalista Rosental Alves, 67 anos, titular da cátedra de Comunicação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas da Universidade do Texas. “Em uma situação de assalto à verdade como vemos hoje, o jornalismo feito simplesmente com a mesma neutralidade anterior torna-se um amplificador das mentiras, falsidades que os news makers (pessoas que a imprensa acompanha) tentam levar à população”, diz Alves em entrevista ao site GaúchaZH.

“Sabe-se que muitos leitores não passam da manchete e do primeiro parágrafo da notícia. Se você simplesmente dá uma manchete que reproduz uma falsidade que um poderoso disse, não importa que, no quinto parágrafo, você diga que ele se contradiz. Você já ajudou a espalhar a mentira”, afirma o jornalista. A maior parte da imprensa da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina, segundo ele, continua usando esse critério.

Rosental Alves lembra que o jornalismo é dinâmico e que, dessa forma, precisa mudar com a criação desse novo ambiente midiático. “Deve tomar medidas de precaução para não ser só uma correia de transmissão de mentiras”.

Os jornalistas, destaca Rosental Alves, tem de pensar antes de reproduzir o que as pessoas falam, e isso exige ainda mais cuidado na era digital. “Se um news maker fez uma declaração ou tomou posição moralmente questionável, isso é notícia, não dá para deixar de publicar, porque é algo que tem consequências políticas e sociais. Mas como você enquadra a declaração? Quando você publica uma mentira, mesmo que o desmentido seja feito, você a divulga. Isso é uma armadilha”.

Leia aqui a íntegra na entrevista de Rosental Alves ao site GaúchaZH.