Manifestantes ateiam fogo na sede do mais antigo jornal do Chile em meio a protestos contra o governo Reprodução/AFP/O Globo

Manifestantes ateiam fogo na sede do mais antigo jornal do Chile em meio a protestos contra o governo

Manifestantes atearam fogo no prédio do El Mercurio, o mais antigo do Chile, em meio aos protestos realizados no país nos últimos dias contra as políticas do governo do presidente Sebastián Piñera. O vandalismo foi classificado pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) como um grave atentado à liberdade de imprensa no país. Christopher Barnes, presidente da SIP e diretor geral do diário The Gleaner, da Jamaica, disse que a entidade exige das autoridades “garantias para que a imoprensa chilena não se converta em alvo da violência”.

O episódio foi registrado no último sábado (19) na cidade portuária de Valparaíso. Os manifestantes quebraram a porta do prédio da sede do El Mercurio — fundado em 1827 —, e queimaram parte das instalações por dentro. Os bombeiros conseguiram apagar as chamas.

O primeiro andar da edificação, segundo o diário chileno La Nacion, teria sido completamente queimado. Além disso, as chamas atingiram a fachada do jornal. Alguns móveis e itens foram retirados e queimados na rua. Os empregados que estavam no prédio — onde também funciona o jornal La Estrella — foram evacuados.

Valparaíso é uma das seis cidades chilenas que estão em estado de emergência, em meio à onda de protestos que se espalhou pelo país. As outras localidades na mesma situação são Coquimbo, La Serena, Rancagua, Concepción, e Santiago.

Os protestos começaram na sexta-feira (18) após o aumento da tarifa do metrô de Santiago, utilizado diariamente por quase três milhões de pessoas, de 800 pesos (R$ 4,63) para 830 pesos (R$ 4,80). Diante dos protestos, Piñera recuou e revogou o aumento. Vários incidentes violentos nas estações do metrô levaram o governo a decretar estado de emergência e a mobilizar militares nas ruas pela primeira vez desde o retorno da democracia ao Chile, após o fim da ditadura de Augusto Pinochet, em 1990.

O aumento das tarifas de metrô foi apenas a gota d’água para a explosão de um descontentamento social acumulado no Chile, afirma Marta Lagos, diretora do centro de estudos Latinobarómetro, responsável por uma pesquisa anual sobre as atitudes da população dos países latino-americanos em relação à situação política e econômica, segundo informou o jornal O Globo. "Há essa sensação de aumento da desigualdade. De um lado um mercado de luxo, do outro má distribuição de renda, salários precários, aposentadorias de fome e um péssimo sistema de saúde, que confirmam a semicrise econômica que vive a América Latina", diz Marta.

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https://oglobo.globo.com/mundo/descontentamento-social-se-acumulou-no-chile-diz-diretora-do-latinobarometro-24030964

https://www.sipiapa.org/notas/1213533-grave-atentado-contra-la-libertad-prensa-chile