Repórter Isaac Stanley-Becker, do The Washington Post, produz conteúdos sobre política a partir de um ambiente digital desregulado e cada vez mais dominante da internet Repórter Isaac Stanley-Becker, do The Washington Post, produz conteúdos sobre política a partir de um ambiente digital desregulado e cada vez mais dominante da internet Reprodução

Redações dos Estados Unidos mobilizam-se para cobrir a desinformação na eleição de 2020, mas sem amplificar as inverdades

A quase um ano das eleições de 2020, as redações das organizações de notícias dos Estados Unidos prepara-se para o que esperam ser um dilúvio de desinformação com o objetivo de influenciar, dividir e confundir os eleitores, segundo o Instituto Poynter. Os esforços dividem-se em duas frentes principais: alertar os leitores sobre fraudes e tendências em desinformação; e aprender ou aprimorar as habilidades de verificação para garantir que as notícias não reproduzam ou amplifiquem falsidades.

O The Washington Post, por exemplo, anunciou no mês passado que havia designado o repórter Isaac Stanley-Becker para produzir conteúdos a partir de um ambiente digital desregulado e cada vez mais dominante da internet na condução da política americana.  Um de seus primeiros textos revelou como os republicanos expressam sua preocupação de como com as interações do presidente Donald Trump com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky têm sido alvo de campanhas de desinformação.

O The New York Times disse que mais uma vez deixará disponível aos leitores recurso por meio do qual eles poderão sinalizar o material que considerarem enganoso. O PolitiFact, de propriedade do Instiuto Poynter, também lançou uma frente voltada a combater as falsidades nas campanhas dos candidatos para 2020. A organização First Draft tem o programa chamado “Together Now” para treinar redações em todo o país sobre a cobertura de desinformação.

Aimee Rinehart, diretora de parcerias e desenvolvimento da First Draft, disse que todos os jornalistas precisam ser treinados em habilidades como pesquisas de imagens manipuladas. "Os atores da desinformação estão trabalhando duas vezes para enganar as equipes da noite e do fim de semana", disse ela. "As redações não podem mais contar com um ciclo de notícias das 9 às 5".

A Storyful, agência de notícias e inteligência de mídia social da News Corp, lançou recentemente uma unidade chamada Investigations by Storyful, que fará parceria com organizações de notícias voltadas à análise de dados sobre o que as pessoas estão fazendo e dizendo on-line, identificando tendências. Foi o que fez recente reportagem do The Wall Street Journal, que mostra qual as pessoas estão contornando a proibição de venda de armas no Facebook. Os usuários vendem os estojos de armamentos com preços inflacionados, uma indicação de que os lançamentos se tornaram "códigos" para a comercialização de armas reais. Após a reportagem, 15 senadores pediram ao Facebook para interromper a prática.

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https://www.poynter.org/fact-checking/2019/american-newsrooms-2020-efforts-cover-misinformation-but-dont-amplify-it/