Parceria entre ciência e jornalismo acelera ritmo da verificação de fatos no combate a deepfakes

Parceria entre ciência e jornalismo acelera ritmo da verificação de fatos no combate a deepfakes

O maior desafio imposto ao jornalismo pelos vídeos manipulados com inteligência artificial – deepfakes – não é a qualidade das adulterações, que podem tornar a farsa muito semelhante à realidade, mas a velocidade com a qual os audiovisuais fraudulentos se espalham por meio das redes sociais. O alerta é de três pesquisadores da Universidade Harvard, segundo os quais a viralidade das deepfakes é sustentada pelo mesmo princípio das bolhas ideológicas, em que a pluralidade não tem vez. Em contraponto, advertem os estudiosos, o jornalismo profissional terá de buscar alternativas, muitas delas tecnológicas, para acelerar seu processo de verificação de fatos e responder com mais eficiência aos deepfakes, fenômeno que deve aparecer com mais frequência em 2020, ano de eleições no Brasil e nos Estados Unidos.

Em artigo no Nieman Lab, os pesquisadores assinalam que muitas redações tendem a adotar um rigoroso princípio de precaução, dentro dos seus preceitos éticos. “Nos casos em que a veracidade de uma informação ou conteúdo não pode ser confirmada, essa organizações tendem a não reportar até que a confirmação se concretize”, afirmam John Bowers, Tim Hwang e Jonathan Zittrain. Além disso, assinalam os estudiosos, as deepfakes serão, em muitos casos, interpretadas como um ato político, e as redações vão querer dedicar algum tempo para acertar na verificação.

Os pesquisadores afirmam que, para encurtar a distância entre um vídeo viral e a checagem, as redações precisam expandir seu repertório técnico e, o quanto antes, estabelecer colaborações mais fortes e em tempo real com a comunidade de pesquisa que trabalha com metodologias de detecção de deepfakes. “Ao dar às redações acesso às ferramentas mais recentes para verificar a veracidade do conteúdo, podemos colocá-las em uma posição melhor para acompanhar o fluxo de desinformação”, enfatizam os pesquisadores. Para eles, também é necessário maior transparência e colaborações entre redações e empresas como Facebook e Google, que podem desempenhar um papel importante na melhoria da capacidade dos jornalistas de investigar e verificar a desinformação postada nas plataformas virtuais.“As redações precisarão desenvolver novos parceiros e procedimentos, a fim de que a busca por autenticidade positiva não seja paralítica. A natureza fundamentalmente multilateral desse processo de inovação significa que eles (jornalistas e organizações de notícias) não serão capazes de fazê-lo sozinhos”, afirmam os pesquisadores.

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https://www.niemanlab.org/2019/11/what-should-newsrooms-do-about-deepfakes-these-three-things-for-starters/?utm_source=Daily+Lab+email+list&utm_campaign=b1ec0e127d-dailylabemail3&utm_medium=email&utm_term=0_d68264fd5e-b1ec0e127d-386384393