Juri popular dos acusados de matar Valério Luiz de Oliveira, em 2012, será em junho deste ano

Juri popular dos acusados de matar Valério Luiz de Oliveira, em 2012, será em junho deste ano

Quase oito anos após o brutal assassinato do assassinato do radialista Valério Luiz de Oliveira, da Rádio Jornal 820 AM, em Goiânia, a Justiça marcou para o dia 23 de junho o júri popular dos cinco acusados de envolvimento na morte do jornalista.

Oliveira foi assassinado, em 2012, com seis tiros à queima-roupa quando saía da emissora onde trabalhava. Segundo informações da Polícia Militar, um motoqueiro que se encontrava na frente da emissora se aproximou e disparou seis tiros contra a vítima, quatro dos quais o atingiram. Valério chegou a ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

As investigações da Polícia Civil concluíram que o crime foi encomendado pelo então cartorário e ex-Vice-Presidente do Atlético Clube Goianiense, Maurício Sampaio. Além dele, são acusados o cabo da Polícia Militar Ademá Figueredo Aguiar Filho, que seria o autor dos disparos; e Marcus Vinícius Pereira Xavier, Urbano de Carvalho Malta e o sargento da PM Djalma Gomes da Silva, que teriam articulado o homicídio. 

Em conversa com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Valério Luiz, filho do jornalista e advogado, lembrou das dificuldades para que a data do júri fosse finalmente estabelecida, quase oito anos após o crime. “Todas as instâncias de poder que poderiam ter sido acionadas para inviabilizar o julgamento o foram. O caso só foi adiante por uma solidariedade muito grande das instituições da sociedade civil, da população e da imprensa local”, afirma.

Valério Luiz lembra que crimes contra comunicadores tendem a ser perpetrados por detentores de poder, como políticos locais e agentes da polícia. Recente levantamento da plataforma Voces del Sur, por exemplo, mostra que de 38 casos de agressões a jornalistas latino-americanos em janeiro deste ano, 22 partiram de agentes do governo. 

“O caso do meu pai é um pouco fora da curva porque ele criticava um clube de futebol. Mas, se olharmos mais a fundo, as elites econômicas e políticas sempre estiveram ligadas às diretorias dos clubes de futebol no Brasil”, explica.

A Justiça mandou os réus a júri popular em agosto de 2014. Na sequência da decisão, diversos recursos dos acusados e impasses institucionais retardaram o julgamento. Agora, o juiz Lourival Machado da Costa, titular da 2ª Vara Criminal de Crimes Dolosos Contra a Vida de Goiânia, agendou o júri para junho deste ano.  

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