SIP denuncia retrocessos, inclusive nos EUA, e perigoso padrão de violência contra a imprensa nas Américas

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou e pediu esforços imediatos dos países das Américas para interromper a escalada de violência contra jornalistas que trabalham nos continentes americanos. A iniciativa é o ponto central do relatório de conclusões definido pela entidade nesta segunda-feira (3) no encerramento de sua reunião de meio ano, realizada em Antigua, na Guatemala. O documento destaca que assassinatos, ameaças, intimidações, perseguições e impunidade constituem atualmente em um preocupante padrão de conduta generalizado contra a imprensa no hemisfério americano. Além disso, os ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à imprensa foram citados como o mais grave retrocesso. “É inquietante observar como nesse país, berço do jornalismo livre, começa a aparecer a perseguição, que é a antessala das ameaças e da violência”, enfatiza o relatório.

Homicídios, impunidade e outros recursos para censurar

O número de assassinatos de jornalistas nas Américas é alarmante, conforme a SIP, e persiste semestre após semestre. De acordo com a entidade, desde a última reunião de meio ano, 13 jornalistas foram assassinados: 5 no México; 3 no Peru; 2 na Guatemala; 2 na República Dominicana; e 1 em Honduras. “Tão grave como isso é que quase na totalidade dos casos, os autores dos crimes gozam de total impunidade e, com o passar do tempo, o delito prescreve”, advertiu a SIP. No último semestre, por exemplo, quatro assassinatos ocorridos na Colômbia entre 1996 e 1997 prescreveram após 20 anos de indiferença e inação das autoridades. De acordo com a organização interamericana, 76 casos prescreveram nos últimos anos.

A SIP salientou que há outras formas de silenciar a imprensa. E a perseguição à imprensa, informa a entidade, segue crescendo nos mais diversos países (no caso brasileiro, a instituição destacou que a violência é rotineira e, na maioria dos casos, vem de uma polícia despreparada). Nos Estados Unidos, Cuba, Bolívia, El Salvador, Equador e Venezuela, por exemplo, os governantes colocam em prática furiosos ataques contra a imprensa e os jornalistas. “Em alguns casos há acusação de ‘conspiração política’, em outros fala-se de ‘exagerada liberdade de expressão’ e em outros tantos responsabilizam a imprensa de criar ‘notícias falsas'”. Neste ambiente, ressalta a SIP, logo surgem intimidações, ameaças e o inevitável efeito da autocensura.

Os números confirmam a hostilidade à imprensa. A Venezuela registra 123 ações de intimidação contra jornalistas. Na Colômbia, 147 comunicadores vivem sob proteção devido a ameaças. O mais violento país das Américas para o exercício do jornalismo, o México, vive um momento em que o público e a mídia parecem aceitar como inevitável a extrema violência ao jornalismo. As autoridades, locais e nacionais, e os narcotraficantes tentam constantemente interferir nos conteúdos editoriais dos jornais e de outros meios. Costa Rica e Guatemala premiam os veículos considerados governistas e castigam a imprensa independente. O interesse em intervir nas redações também se manifesta no Equador e no Panamá.

Asfixia econômica, ciberataques e limitações à informação pública

Há ainda repressão econômica. “Em alguns países como Cuba, Equador e Venezuela, os governos amordaçam os meios informativos e mantêm os cidadãos desinformados”. Segundo a instituição, nesses países registrou-se a suspensão da publicação de diferentes veículos por meio da “asfixia econômica ou das dificuldades impostas para que possam obter os insumos necessários”.

O informe alerta também para “um certo grau de retrocesso” digital. A SIP registrou ciberataques e hackeamentos em países como Argentina, Cuba, Equador, El Salvador, Honduras e Venezuela. Outra preocupação, é o pretendido direito ao esquecimento em diferentes países – a entidade citou os casos do Chile, Colômbia e Porto Rico – “que afetaria seriamente a atividade jornalística”. No quesito acesso à informação pública, há registro de recuos no Canadá, Estados Unidos, Honduras, Nicarágua, Porto Rico e Venezuela.

Leia mais em:

http://www.sipiapa.org/notas/1211367-conclusiones-la-sip