Correa reprime veículos por não reproduzirem textos de jornal argentino favoráveis ao governo do Equador, denuncia SIP

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) voltou a denunciar nesta quinta-feira (20) o uso da Lei Orgânica de Comunicação do Equador, por parte do presidente Rafael Correa, como arma de perseguição e intimidação aos meios de comunicação do país. Desta vez, a entidade hemisférica alertou a comunidade internacional para uma ação que qualificou como insólita: um processo aberto pela Superintendência de Informação e Comunicação (Supercom) contra  veículos equatorianos por não terem reproduzido notícias publicadas por um jornal argentino contra o candidato da oposição, Guillermo Lasso, derrotado na recente eleição presidencial.

A ação governista tem origem no que disse Correa durante a transmissão de um de seus programas de rádio e televisão transmitidos aos sábados, ainda durante o processo eleitoral. O presidente disse que vários meios de comunicação equatorianos não reproduziram notícias do diário Página 12, de Buenos Aires, que acusam o oposicionista de possuir empresas offshore e de irregularidades financeiras. O Observatório Cidadão por uma Comunicação com Qualidade, outra organização do aparato repressor do governo do Equador, denunciou os diários El Universo, El Comercio, La Hora e Expreso, bem como as emissoras Televicentro, Ecuavisa e Teleamazonas, por censura prévia ao não reproduzirem as informações do jornal argentino.

“Estamos diante um caso insólito em que se usa a lei da mordaça do Equador para castigar por omissão os meios do país. Pese que o presidente Correa invoca o tema de censura prévia, o que estamos vendo é como se viola sistematicamente o direito dos meios a sua liberdade de critério editorial”, disse o presidente da SIP, Matt Sanders. Roberto Rock, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, afirmou que pelo governo de Correa, “os meios equatorianos deveriam informar tudo o que se publica no mundo a favor dele e silenciar o que se critica. A SIP sustenta que a Lei Orgânica de Comunicação do Equador é uma legislação autoritária que tem muitas “sutilezas úteis” para legitimar a censura e proteger o governo com base nas constantes reprimendas, multas e sanções à mídia. No entendimento da entidade, a lei é a pior criada na etapa democrática da América Latina, violando de formas sistemática a liberdade de imprensa”.

Leia mais em:

http://www.sipiapa.org/notas/1211408-ecuador-la-sip-denuncia-insolita-persecucion-contra-medios