Google decide parar de ler mensagens do Gmail, mas continuará coletando dados dos usuários para direcionar publicidade

Poucos dias antes de receber da União Europeia uma multa recorde por abuso de poder econômico, o Google anunciou, na última sexta-feira (23), que em breve seus algoritmos não mais lerão o conteúdo das mensagens do serviço de endereço eletrônico gratuito Gmail. A prática, uma das mais controversas da gigante de buscas da internet, garante o direcionamento de anúncios a partir dos temas descritos nos assuntos das mensagens dos e-mails e geraram processos judiciais e algumas das críticas mais duras feitas à empresa em seus primeiros anos de operação, segundo a Bloomberg. No entanto, a mudança não é um reconhecimento de má prática comercial. Trata-se de uma estratégia de negócios que mantém o uso de dados dos usuários para a padronização de publicidade.


A decisão não veio da equipe de anúncios da Google, mas sim da Google Cloud, unidade de negócios na nuvem da empresa, que está buscando se posicionar de modo a atrair mais clientes corporativos, ainda de acordo com a Bloomberg. A Google Cloud vende um pacote de softwares para escritórios, chamado de G Suite, que compete com a líder de mercado Microsoft. Diferentemente de quem usa a versão gratuita do e-mail da Google, os usuários pagantes do Gmail nunca receberam os anúncios que “leem” o que eles escreveram, mas algumas companhias ficaram confusas com a distinção e suas implicações de privacidade, explicou Diane Greene, vice-presidente sênior de negócios na nuvem da Google. “O que nós vamos fazer é acabar com a ambiguidade”, disse.

Na prática, os anúncios continuarão a aparecer dentro da versão gratuita do Gmail como mensagens patrocinadas. Mas, em vez de escanear o conteúdo dos e-mails dos usuários, essa publicidade será direcionada a partir de outras informações pessoais que o Google já coleta de fontes como seu mecanismo de pesquisa, o YouTube e até mesmo o navegador Chrome, um dos mais usados no mundo. “A decisão faz com que os anúncios exibidos no Gmail estejam alinhados com a maneira como personalizamos a publicidade de outros produtos nossos, ou seja, com base nas configurações definidas pelos usuários”, agregou o Google, em comunicado.

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