Empresas de comunicação do Brasil obtiveram o segundo melhor índice de confiança entre os pesquisados, 60%, Empresas de comunicação do Brasil obtiveram o segundo melhor índice de confiança entre os pesquisados, 60%, Ruters Institute

Brasileiro confia na mídia, busca informação por mobile e se preocupa com as notícias falsas, diz estudo

Em um mundo no qual o consumo de informação é cada vez mais digital, mobile e disruptiva, os publishers brasileiros registraram em 2016 alguns resultados animadores, segundo a pesquisa anual do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, divulgada na semana passada. Em estudo que entrevistou mais de 70 mil pessoas em 36 países, as empresas de comunicação do Brasil obtiveram o segundo melhor índice de confiança entre os pesquisados, 60%, atrás apenas da Finlândia, com 62%. A credibilidade dos produtores de conteúdo, mostrou o levantamento, também é alta em Portugal, Polônia e Holanda, mas, na Coreia do Sul, fica em 23%. A média dos países pesquisados é de 43%.

O estudo do Instituto Reuters revela outros acertos dos publishers brasileiros – entre eles, o investimento em material jornalístico de qualidade e exclusivo; e o combate às notícias falsas na web – e, também, tendências similares às verificadas em países em situação econômica mais equilibrada que a do Brasil, que vive uma crise prolongada. A principal delas é o fato de os smartphones terem ultrapassado os computadores como o canal principal para busca de informação noticiosa pela primeira vez.

No país, onde o levantamento ficou restrito às áreas urbanas, o uso de smartphones para ler notícias chegou a 65%, contra 62% dos computadores. Na média dos países pesquisados, 56% disseram ter usado o celular na semana anterior para ler notícias, contra 58% para os computadores. O Chile, informou o jornal O Globo, é um dos países de destaque no uso do celular para a leitura de notícias: foi mencionado por 74% dos pesquisados, enquanto a taxa do computador ficou em 51%. No México, ainda de acordo com o diário do Rio de Janeiro, essa proporção foi de 70% e 45%, respectivamente.

Redes sociais perdem espaço

O Brasil também se destaca na análise feita pela pesquisa sobre as mídias com base em tecnologia, em especial Facebook e Google. As chamadas redes sociais ainda são a principal porta de entrada dos brasileiros às notícias, mas o país não apenas repete a estagnação desse fenômeno na maior parte dos países que integram o relatório, como também registra queda de 6%, a exemplo de Portugal (-4), Itália (-5) e Austrália (-6).

Na maior parte dos países pesquisados, as redes sociais sentiram os reflexos negativos da proliferação das notícias falsas. O Facebook, por exemplo, vem perdendo espaço em diversos lugares, inclusive no Brasil, onde chegou a recuar 12%. Em contrapartida, registrou o estudo britânico, aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, têm ganhando a preferência dos usuários.

O pesquisador responsável pelo levantamento, Nic Newman, ex-BBC, sublinhou, de acordo com a Folha de S.Paulo, dois motivos para a popularização desses aplicativos: são “mais privativos”, permitindo compartilhar sem constrangimento, e “não filtram [conteúdo] por algoritmo”. Na Malásia e na Espanha, por exemplo, a tendência é a mesma, com o WhatsApp sendo fonte de notícias para 51% e 32%, respectivamente, dos entrevistados.

O Brasil também é um dos países onde mais se compartilham notícias: 64%, empatado com o Chile. Argentina e México vêm logo atrás, com 63%. Alemães e japoneses são os que menos promovem compartilhamentos, ficando com, respectivamente, 18% e 13%.
Combate a notícias falsas

Os produtores de conteúdo jornalístico também levam vantagem em relação às mídias com base em tecnologias no que diz respeito ao combate às notícias falsa. Segundo a pesquisa, 40% dos entrevistados consideram que as empresas de mídia fazem um bom trabalho em separar fatos de boatos, número que cai para 24% quando a mesma pergunta é feita sobre os esforços das redes sociais em distinguir as notícias falsas das verdadeiras.

“Nossos dados qualitativos sugerem que os usuários sentem que a falta de regras e o uso de algoritmos estão encorajando a baixa qualidade e o avanço das fake news”, diz o estudo, que aponta ainda o esforço das empresas de comunicação em combater as notícias falsas, inclusive no Brasil. A pesquisa cita o jornal O Globo e do portal G1 como companhias que criaram times para investigar a veracidade das notícias publicadas na internet e dos boatos que ganham força nas redes sociais.

Conteúdo pago

Ao abordar o sistema de paywall, o estudo – elaborado com base em pesquisa quantitativa realizada pela YouGov em janeiro e fevereiro de 2017, com questionário online, e em grupos de discussão realizados pela Kantar Media – salientou ser esta uma opção de um número maior de jornais brasileiros, que também passaram a investir mais em suas edições eletrônicas.
A pesquisa lembrou que, em agosto de 2016, a Folha de S.Paulo anunciou que a sua circulação digital tinha superado a da edição impressa. No entanto, pondera o estudo, a porcentagem (22%) de brasileiros que disseram pagar por informação online permaneceu estagnada entre 2015 e o ano passado.


A propagação do sistema de paywall e o foco principal nas edições digitais em 2016 são um contraponto à queda nas circulações impressas no Brasil. A distribuição impressa média dos cinco maiores jornais brasileiros, diz a pesquisa, caiu quase 8% em 2016 quando comparado com o resultado de 2015. Ao mesmo tempo, diz a pesquisa, o investimento de publicidade online cresceu 26%.

Leia mas em:

http://www.niemanlab.org/2017/06/news-apps-are-making-a-comeback-more-young-americans-are-paying-for-news-2017-is-weird/?utm_source=Daily+Lab+email+list&utm_campaign=58cabc33ac-dailylabemail3&utm_medium=email&utm_term=0_d68264fd5e-58cabc33ac-386384393

HTTPS://OGLOBO.GLOBO.COM/ECONOMIA/BRASIL-REGISTRA-SEGUNDO-MAIOR-INDICE-DE-CONFIANCA-NA-MIDIA-21532738


http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/06/1896728-smartphone-supera-computador-em-acesso-de-noticias-no-brasil-indica-pesquisa.shtml


http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/06/1895688-whatsapp-avanca-sobre-facebook-em-noticia.shtml