Empresas de tecnologia são principais concorrentes do NYT, diz diretor do jornal

Empresas de tecnologia são principais concorrentes do NYT, diz diretor do jornal

Os influentes jornais The Washington Post e The Wall Street Journal não são mais os principais concorrentes do não menos prestigioso The New York Times. Ao lado dos competidores tradicionais – muitas vezes à frente deles – estão empresas da web, como Google, Facebook, Netflix e Spotify, e publishers nativos da internet ou de fácil comunicação com os jovens (BuzzFeed e Vice, por exemplo).

A opinião é do diretor de Produto do diário com sede em Nova York, o jornalista Andrew Phelps, que está no centro das grandes transformações digitais promovidas nos últimos cinco anos pelo jornal norte-americano. As companhias com base em tecnologia, diz ele, competem por atenção e tempo.

As novas empresas de mídia, por sua vez, têm muito a ensinar aos publishers com origem no meio impresso, afirma Phelps em entrevista gravada em vídeo à Carolina Amoroso, do diário argentino La Nacion. “Seria uma tolice da nossa parte não aprender com todos esses nossos competidores digitais”, reforça.

Diário agora prioriza o leitor, mas ainda busca melhor diálogo

Phelps diz que o The New York Times avançou muito nos últimos anos em suas iniciativas digitais e obteve com isso grandes conquistas, entre elas a consolidação de um sistema paywall com mais de 2 milhões assinantes, além de 1 milhão de assinaturas da versão impressa).

Na mudança de modelo de negócio — daquele com base na publicidade, em queda, para o de conteúdo pago, em alta — o jornal passou a priorizar o leitor. Para Phelps, entretanto, o diário ainda não atingiu o ponto ideal de diálogo com seus leitores, em um ambiente de lógica online e dominado pelas empresas de tecnologia.

O diretor de Produto do diário norte-americano lembra que o jornal tem, provavelmente, a maior redação de notícias do mundo, com cerca de 1,3 mil pessoas, especialistas em várias áreas (muitos deles dando caráter de exclusividade e diferenciando e, dessa forma, sustentando novos produtos também com base em tecnologia, como os sites especializados) e jornalistas em diversas regiões mundo, inclusive correndo riscos nas principais zonas de conflito. “Não sei se todos os leitores sabem ou se sempre detectam que, atrás dessa empresa, há todas essas pessoas que têm de trabalhar muito para mostrar as histórias a eles”

Ao contrário, continua Phelps, Vice e BuzzFeed têm muito sucesso em uma conexão próxima com seus leitores. Vice, afirma, fala a mesma linguagem dos jovens, que se sentem representados pela publicação, enquanto o BuzzFeed aprendeu a arte de compartilhar em mídias sociais para, em seguida, começar a contratar jornalistas investigativos. “Talvez leve um tempo para que sejam considerados como uma empresa de notícias, mas publicaram muitas histórias que não foram contadas pelo The New York Times”, reconhece o jornalista.

Nada contará histórias tão bem como os humanos

Phelps, um dos autores do Innovation Report, documento do The New York Times elaborado para consumo interno que, depois de vazado, virou o principal guia de adaptação da mídia ao meio digital, diz acreditar que, apesar dos duros desafios no processo de transição, a tecnologia traz mais benefícios do que prejuízos ao jornalismo.

“Enquanto muitos se preocupam que haja robôs e inteligência artificial que podem substituir os humanos, creio que é muito positivo usar essas tecnologias para contar histórias que antes não podíamos contar”, afirma. “Nada substituirá o julgamento das pessoas ou contará histórias tão bem como os humanos. Mas se buscamos histórias novas nos dados e chegamos a públicos que antes não atingíamos, podemos usar as máquinas para ajudar a automatizar as partes burocráticas do jornalismo que não são tão importantes para contar as histórias e, assim, nos liberamos para dedicar mais tempo ao mais importante”.

Veja a entrevista completa no link abaixo:
http://www.lanacion.com.ar/2041779-andrew-phelps-cada-vez-que-trump-critica-al-new-york-times-la-cantidad-de-suscriptores-crece