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Com receio de ficarem reféns do duopólio, marcas buscam alternativas a Google-Facebook Reprodução/Giornale di Sicilia

Com receio de ficarem reféns do duopólio, marcas buscam alternativas a Google-Facebook

Os anunciantes estão preocupados com o poder de domínio que o duopólio Google-Facebook tem no mercado de mídia digital e, por isso, estão em busca de alternativas, segundo o jornal The Washington Post. As duas empresas do Vale do Silício reportaram alta forte em suas receitas para o segundo trimestre, devido em parte à publicidade digital. Juntas, devem responder por 61% do mercado publicitário na internet dos Estados Unidos neste ano, que movimentará US$ 83 bilhões, de acordo com estimativas do grupo de pesquisa eMarketer.

O fato de duas empresas deterem tanto mercado deixa os anunciantes vulneráveis aos preços que elas optem por impor, argumenta Justin Kennedy, vice-presidente de operações da Sonobi, uma empresa de tecnologia para publicidade, informou o diário norte-americano em reportagem publicada no Brasil pela Folha de S.Paulo. Kennedy disse ainda que depender do Google e do Facebook significa que é mais difícil controlar onde os anúncios aparecerão – algo que causou dificuldades a diversos anunciantes alguns meses atrás, quando seus anúncios foram veiculados em companhia de conteúdo extremista e violento no YouTube, controlado pelo Google.

A Alphabet, controladora da gigante de buscas, afirmou em seu anúncio de resultados do segundo trimestre que sua receita atingiu os US$ 23 bilhões, alta de 21% ante o período no ano passado, com base principalmente no crescimento do YouTube e das buscas móveis. Mas ainda que a empresa tenha atraído 52% mais visitantes aos anúncios que veicula, em relação aos resultados do trimestre no ano passado, o faturamento do Google por clique publicitário caiu em 23%, relatou o The Washington Post.

O Facebook, enquanto isso, reportou mais de US$ 9 bilhões em receita publicitária no segundo trimestre, 47% acima do resultado do período em 2016. Mas as empresa disse aos investidores que o crescimento publicitário deve se desacelerar, já que o número de anúncios exibidos no News Feed do Facebook não pode continuar subindo. A ênfase da mídia social em destacar vídeos também desacelerará o crescimento publicitário, disse a companhia, porque eles oferecem menos oportunidades de veicular publicidade, comparados ao News Feed.

Outros especialistas, informam o The Washington Post e a Folha de S.Paulo, sugerem que Google e Facebook estão se aproximando do limite, em seu poder sobre o mercado publicitário. Brian Wieser, analista da Pivotal Research, afirmou em nota de pesquisa neste mês que existem companhias capazes de desafiar o Google e Facebook. Ele mencionou a nova divisão Oath, da Verizon, que inclui a AOL e o Yahoo, como potencial alternativa às duas potências atuais. Porque é tanto grande provedora de acesso à internet quanto fonte colossal de tráfego na Web, a Verizon pode desenvolver uma estratégia para publicidade direcionada.

Jason Kint, presidente-executivo da Digital Content Next, uma organização setorial que representa empresas digitais como a ESPN e o The Washington Post, disse que os anúncios de resultados demonstram que Facebook e Google estão posicionados para capturar a maior parte do crescimento no setor publicitário. Mas ele disse que seu domínio continuado seria prejudicial às duas empresas, em longo prazo.

"Elas são plataformas de descoberta, e sem um ecossistema saudável de notícias e entretenimento, suas plataformas se tornarão menos interessantes para os anunciantes, em longo prazo", ele disse. "Está acontecendo discussão no setor, e são os anunciantes que estão conduzindo essa discussão. Eles desejam que seus anúncios sejam veiculados em ambientes de qualidade, e não em plataformas de mídia social".

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