ANJ e CPJ condenam assassinato de radialista no Interior do Pará Reprodução

ANJ e CPJ condenam assassinato de radialista no Interior do Pará

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) condenou e instou as autoridades a realizar uma investigação imediata e criteriosa sobre o assassinato do radialista Jairo Sousa, morto a tiros no estado do Pará, na semana passada, e levar os responsáveis à justiça. “Tudo indica que Jairo Sousa foi morto em função de sua atividade jornalística. É preciso que o crime seja apurado com rigor e rapidez, com a punição dos culpados.  A impunidade, que infelizmente é regra no Brasil, estimula que novos crimes desse tipo aconteçam, com prejuízo de vidas humanas e do direito de a sociedade ser livremente informada. É lamentável e vergonhoso que isso continue ocorrendo”, disse Ricardo Pedreira, diretor executivo da entidade.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) fez apelo semelhante ao da ANJ. "O assassinato de Jairo Sousa é um lembrete de que os jornalistas que trabalham fora das principais áreas urbanas do Brasil enfrentam os maiores riscos no país", ressaltou em Nova York a Coordenadora do Programa das Américas Central e do Sul do CPJ, Natalie Southwick. "As autoridades brasileiras devem agir com rapidez e credibilidade para enviar a mensagem de que os profissionais de imprensa não podem ser mortos com impunidade."

Duas pessoas não identificadas em uma motocicleta atiraram em Sousa duas vezes nas costas por volta das cinco da manhã da última quinta-feira (21), informou o CPJ, quando ele chegava à Rádio Pérola, uma emissora privada sediada no município de Bragança, onde apresentava o programa diário “Pérola Show”. Sousa, 43, informou sobre corrupção, homicídio e tráfico de drogas em várias emissoras de rádio, segundo colegas e cobertura da imprensa. Ele trabalhou na Rádio Pérola por dois anos, mais recentemente abordando a suposta corrupção no governo municipal.

Colega de Sousa, Francy Rocha disse por telefone ao CPJ que Sousa foi ameaçado e atacado anteriormente, e que o jornalista "sempre fazia denúncias, sempre se colocando em risco". Ela disse que não sabia se Sousa recebeu mais ameaças nas semanas anteriores ao atentado, mas acrescentou que o comunicador tomava precauções como, às vezes, usar um colete à prova de balas e carregar um spray de pimenta.

Pelo menos 39 jornalistas foram assassinados em retaliação por seu trabalho no Brasil desde 1992, 27 deles com total impunidade, segundo a pesquisa do CPJ.

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https://cpj.org/pt/2018/06/jornalista-de-radio-e-morto-no-norte-do-brasil.php#more

http://abraji.org.br/noticias/radialista-e-assassinado-em-braganca-pa