A celebração do Dia da Liberdade de Imprensa, nesta quarta-feira (3), tem como marca principal a urgência no fortalecimento do jornalismo profissional diante das graves ameaças à livre expressão e à democracia, como a propagação de notícias falsas via redes sociais. A liberdade de imprensa é “crucial” para combater a tendência à “desinformação predominante”, disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres. A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Irina Bokova, por sua vez, afirmou que o mundo vive “um momento no qual uma mídia livre, independente e pluralista nunca foi tão importante”. No Brasil, este também é o mote de uma campanha dedicada à data conduzida em conjunto pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e Associação Nacional de Jornais (ANJ), com a parceria da Unesco.

Durante coletiva em Genebra, Guterres fez um apelo para que os governos e líderes internacionais garantam que a mídia possa atuar livremente, sem sofrerem medidas de repressão. “Uma imprensa livre promove a paz e a justiça para todos. Quando nós protegemos jornalistas, suas palavras e imagens podem mudar nosso mundo”, disse. “Jornalistas vão aos lugares mais perigosos do mundo para dar voz aos que não têm vez. Trabalhadores da mídia sofrem com difamação, violência sexual, detenção, ferimentos e até morte. Nós precisamos de líderes que defendam uma imprensa livre”, afirmou. Na semana passada, relatórios da FreedomHouse, do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e da organização Repórteres sem Fronteira (RSF), demonstraram que a liberdade de imprensa sofre “ameaças sem precedentes” no mundo, inclusive em países que até agora eram considerados “modelo”, como os Estados Unidos.

“Jornalismo original, crítico e bem fundamentado”

Em Jacarta, na Indonésia, a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, destacou que, em meio às mais recentes discussões sobre “pós-verdade” e “notícias falsas”, o mundo precisa de um “jornalismo original, crítico e bem fundamentado, orientado por altos padrões profissionais e éticos, e por uma educação em mídia de qualidade”. A chefe da Unesco reconheceu que a imprensa enfrenta atualmente uma “crise de identidade” de seu público. “A mídia como atividade empresarial está sendo abalada em seu núcleo, com o advento das redes digitais e das mídias sociais. Jornalistas cidadãos estão redesenhando os limites do jornalismo”, explicou.

Por outro lado, frisou Bokova, “a credibilidade e o dever de prestar contas da mídia estão sendo questionados”. No meio online, afirmou a dirigente, a linha que separa materiais publicitários e editorais tem se tornado cada vez tênue. Esse cenário, disse, marcado também pela proliferação de informações mentirosas, fragiliza “o cerne do jornalismo livre, independente e profissional”.

Bokova ressaltou ainda que a mídia deve fornecer uma plataforma para “mobilizar novas forças para a tolerância e o diálogo”. A diretora lembrou que a agência da ONU conduz esforços para promover o bom jornalismo, inclusive para protegê-lo das formas mais violentas de censura. “A Unesco lidera este trabalho em todo o mundo, a começar pela defesa da segurança dos jornalistas. Com muita frequência, o assassinato continua a ser a forma mais trágica de censura – em 2016, 102 jornalistas pagaram esse altíssimo preço. Isso é inaceitável e enfraquece as sociedades como um todo”, disse. Em 2017, a agência celebra o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa com o tema “Mentes críticas para tempos críticos”.

Nunca se precisou tanto da imprensa

Essa percepção crítica é uma das características do jornalismo profissional e que fazem dele o principal antídoto aos danos causados pela desinformação às sociedades. Por isso, Abert, Aner, ANJ e Unesco promovem desde o fim de semana passado uma campanha publicitária cujo principal slogan faz eco aos discursos dos líderes mundiais de defesa dos direitos humanos e da livre expressão: “Nunca se precisou tanto da imprensa. Compartilhe isso”.

O diretor executivo da ANJ, Ricardo Pedreira, conta que a publicidade, criada pela agência Africa, do Grupo ABC, reforça a importância da atividade jornalística de qualidade, sobretudo “neste momento de tanta informação desencontrada, de tantos boatos”. A campanha começou com anúncios publicados nas revistas semanais. Os jornais publicaram peças entre segunda-feira (1º) e hoje (3). Desde a terça-feira (2), as emissoras de TV reproduzem um vídeo (também veiculado em sites e redes sociais), enquanto as rádios divulgam spots. Há ainda banners nas páginas dos veículos de comunicação ligados às três associações.

As entidades pretendem promover outras ações como essa ao longo do ano, promovendo também o debate sobre a necessidade de as empresas de mídia social e com base tecnológica, em especial Facebook e Google, assumirem suas responsabilidades com as informações que disseminam.

Leia mais em:

https://nacoesunidas.org/liberdade-de-imprensa-e-crucial-para-combater-noticias-falsas-diz-onu-em-dia-mundial/

http://www.wan-ifra.org/articles/2017/05/01/world-press-freedom-activities-go-global

http://en.unesco.org/wpfd

https://blog.wan-ifra.org/2017/05/01/fake-news-is-not-journalism

http://pt.euronews.com/2017/05/03/dia-mundial-da-liberdade-de-imprensa

 

Publicado em Jornal ANJ Online

A Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa, na silga em espanhol) informou nesta terça-feira (11) ter registrado nos seis últimos meses uma melhora acentuada nas relações entre a imprensa e o poder público no país após mais de uma década marcada por “graves desvios”. A associação, entretanto, alertou para casos de agressões contra meios de comunicação e jornalistas neste período, “alimentadas por um clima de polarização e intolerância”.

Em relatório semestral, a Adepa relatou ataques sofridos em manifestações ou lugares públicos, agressões provenientes do poder público, ameaças de organizações criminosas, hackeamentos e abusos policiais. Neste último caso, a associação ativou o protocolo de proteção à imprensa do Ministério de Segurança, a partir de denúncia de comunicadores.

A Adepa salientou que, ao mesmo tempo, os avanços são evidentes. “Não foi observado neste período uma estratégia sistemática de perseguição e represália estatal contra o jornalismo, a divergência e a crítica. Tampouco há utilização generalizada de recursos públicos como ferramenta de censura indireta”, disse a entidade em seu relatório. A instituição frisou ainda que a normalização institucional entre imprensa e poder público permite que jornalistas e veículos de comunicação possam enfrentar de forma mais eficiente outros desafios impostos à imprensa, como os econômicos e tecnológicos

Leia mais em:

http://www.dossiernet.com.ar/articulo/cambio-de-clima-y-nuevos-desafios-para-los-medios/11744

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Estão abertas as inscrições para o Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, promovido pelo portal e revista Imprensa. O encontro ocorrerá no dia 3 de maior, no auditório da OAB-DF, em Brasília. Entre os convidados das mesas estão a Ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech. A edição deste ano do fórum marca o lançamento do Troféu Liberdade de Imprensa & Democracia, que será concedido a quatro personalidades brasileiras (um jornalista, um legislador, um magistrado e um acadêmico), pela sua carreira e contribuição à liberdade de imprensa.

A ANJ apoia o encontro, entre outras entidades, como a Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). As inscrições são gratuitas e devem ser feita no site do evento.

9º Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia
Realização: IMPRENSA Editorial
Dia 3 de maio de 2017, das 8h30 às 13h30
Local: Auditório da OAB-DF – SEPN 516 BLOCO B LOTE 07 – Asa Norte – Brasília-DF

Leia mais em:

http://www.portalimprensa.com.br/forumliberdadedeimprensa/9edicao/home.asp

http://www.abraji.org.br/home?id=90&id_noticia=3779

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O jornalista eritreu-sueco Dawit Isaak será homenageado pelo Prêmio Mundial de Liberdade de Imprensa UNESCO-Guillermo Cano 2017 no início de maio. Um júri internacional independente formado por profissionais de comunicação recomendou Isaak de forma unânime em reconhecimento por sua coragem, resistência e comprometimento com a liberdade de expressão.

Nascido em 1964, o jornalista foi preso em 2001 na Eritreia — país governado desde 1993 pelo ditador Isaias Afwerki — em uma ação de repressão contra meios de comunicação. Desde 2005, sua localização é desconhecida. “Isaak se junta a uma longa lista de corajosos jornalistas que perseveraram para lançar luz sobre lugares escuros; mantendo suas comunidades informadas contra todas as adversidades”, disse Cilla Benkö, presidente do Júri do Prêmio Mundial de Liberdade de Imprensa UNESCO-Guillermo Cano 2017. “Alguns deram suas vidas na busca pela verdade. Muitos foram presos. Isaak passou cerca de 16 anos na prisão, sem acusação ou julgamento. Eu, sinceramente, espero que com esse prêmio o mundo diga: Libertem Dawit Isaak agora”.

A recomendação foi endossada pela diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova. “Defender as liberdades fundamentais demanda determinação e coragem, demanda pessoas destemidas”, disse Bokova. “Esse é o legado de Guillermo Cano e a mensagem que passamos hoje com essa decisão de destacar o trabalho de Dawit Isaak”.

Dramaturgo, jornalista e escritor, Isaak mudou-se para a Suécia em 1987, onde mais tarde adquiriu cidadania sueca e se colocou em autoexílio. Após a independência da Eritreia, retornou para sua terra natal para se tornar um dos fundadores e repórteres do Setit, o primeiro jornal independente do país. Ele ficou conhecido por suas reportagens críticas e perspicazes.

Criado pelo Comitê Executivo da UNESCO em 1997, anualmente o Prêmio Mundial de Liberdade de Imprensa UNESCO-Guillermo Cano homenageia pessoa, organização ou instituição que tenha realizado contribuição notável para a defesa e promoção da liberdade de imprensa em qualquer lugar do mundo, especialmente quando alcançadas em situações de perigo.

O prêmio recebeu este nome para homenagear Guillermo Cano Isaza, um jornalista colombiano que foi assassinado em frente ao escritório de seu jornal, El Espectador, em Bogotá, em dezembro de 1986. A premiação é financiada pela Fundação Cano (Colômbia) e pela Fundação Helsingin Sanomat (Finlândia).

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Folha de São Paulo
Cotidiano - Imprensa

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO RIO

Houve confusão envolvendo manifestantes, cinegrafistas e jornalistas ontem na hora do depoimento do tatuador Fábio Raposo na 17ª DP, na zona norte do Rio.

Três manifestantes foram à delegacia saber informações do caso. Segundo um deles, nesse momento, foram hostilizados por cinegrafistas.

"Começaram a chamar a gente de assassinos, black blocs e covardes. Como não somos isso, e no calor do momento, sem pensar, os chamei de mídia carniceira'", afirmou Elisa Quadros, conhecida como Sininho.

Um dos manifestantes que acompanhava Sininho, identificado como Yan Carrazoni de Mattos, 19, apontou para o cinegrafista da TV Bandeirantes Leandro Luna e disse: "Você será o próximo", em referência ao que ocorreu na última quinta-feira com o cinegrafista Santiago Andrade.

Segundo Mattos, Luna reagiu e bateu com a câmera na sua cabeça, fazendo um corte superficial de cerca de cinco centímetros.

Na delegacia, os dois prestaram depoimento. Foi registrado um termo circunstanciado no qual o manifestante constou como suspeito de ameaça e o cinegrafista, como suspeito de agressão.

Ambos resolveram não dar seguimento à representação, e o caso deve ser arquivado.

Luna saiu sem dar entrevista. A repórter da TV Record Carolina Novaes disse que presenciou o momento da ameaça e classificou os manifestantes de "covardes".

Devido à confusão, o delegado Maurício Silva interompeu mais cedo as negociações para uma possível delação premiada de Fábio Raposo.