Os resultados nas receitas do The New York Times no segundo trimestre deste ano – em geral positivas por conta da versão digital do jornal – revelam também a necessidade de acelerar algumas das mudanças previstas no modelo de reestruturação do jornal, iniciado em 2012. A advertência é do experiente jornalista e editor do site Monday Note, Frederic Filloux, em artigo publicado nesta segunda-feira (31). O The New York Times, diz, deve reconsiderar o produto impresso diário e avançar agressivamente nos mercados do exterior, tal qual fazem seus principais competidores da atualidade (na visão do próprio jornal): Google, Facebook e outras empresas de mídia com base em tecnologia.

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A reestruturação no modelo de negócio com base na cultura digital (que ganhou ênfase  a partir de 2012) é a base do crescimento sustentando na versão digital do jornal The New York Times, que anunciou nesta quinta-feira (27) ter registrado um dos melhores trimestres fiscais dos últimos anos. A principal estrela permanece sendo o modelo paywall do diário norte-americano. A receita com assinaturas digitais (atualmente 2,3 milhões, com presença em 195 países) atingiu US$ 83 milhões no segundo trimestre deste ano, 46% a mais do que no mesmo período de 2016, e superou pela primeira vez o faturamento com publicidade em mídia impressa (US$ 77 milhões).

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No novo mercado de mídia, marcado pela comunicação digital dominada pelo duopólio formado por Google e Facebook, publishers precisam deixar de lado a rivalidade competitiva e se unirem para superar os desafios comuns da indústria jornalística. Essa foi a defesa feita de forma enfática pelo CEO da NewsMediaWorks e News Corp Australasia, em discurso no Melbourne Press Club na última terça-feira (25). “Por definição, a indústria de mídia é competitiva. Isso é saudável. Mas aqui e agora precisamos de cooperação e competição. As linhas antigas de demarcação devem ser redesenhadas novamente. Não apenas para publishers, mas para televisão e rádio”, disse.

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A intervenção dos reguladores antitruste da União Europeia (UE) e dos Estados Unidos ao Google afetou pela primeira vez os resultados da companhia que controla a empresa de buscas, a Alphabet. A multa recorde de € 2,4 bilhões (US$ 2,7 bilhões) aplicada em junho pela UE ao Google por causa de abuso do domínio no mercado de buscas, derrubou o lucro da Alphabet em 27,7% no segundo trimestre (US$ 3,5 bilhões) na comparação com o mesmo período do ano passado (US$ 4,9 bilhões). De acordo com analistas, a queda, a maior desde 2008, talvez seja apenas o primeiro tremor de uma etapa de grande turbulência para a companhia norte-americana, que pode até ser obrigada a fazer o que não quer: mudar algumas de suas práticas comerciais. Isso porque a tendência é a de que a pressão regulatória aumentará e, como agora, acredita-se que isso terá impacto financeiro à gigante do Vale do Silício que, ao lado Facebook, forma o duopólio dominante no mercado digital.

Na União Europeia, o Google enfrenta pelo menos duas grandes frentes de investigação – no sistema operacional Android, para celulares, e no serviço de publicidade online AdSense – que podem gerar novas pesadas multas. A UE também avalia o comportamento do Google nos serviços de mapas, viagens e resenhas de restaurantes, que também causaram queixas às autoridades regulatórias, além de ter dado um prazo para a Alphabet resolver o problema que gerou a recente multa bilionária a sua unidade de buscas na web. Além disso, a Reuters relata que, em junho, as autoridades da UE deram ao Google, Facebook, e Twitter um prazo até setembro para melhorarem suas propostas de alterações e se adequarem ao que pede a Comissão Europeia. Além disso, a Alphabet enfrenta batalhas específicas com alguns países da Europa, como Rússia, Alemanha, França e Itália.

Toda essa pressão sustenta, segundo escreveu Aoife White, da Bloomberg (ainda no fim de junho), o fato de que a “principal preocupação da empresa americana passa a ser a maneira pela qual as autoridades regulatórias ordenaram que ela mudasse sua forma de conduzir buscas de comércio online, uma de suas principais fontes de crescimento, e arma contra rivais como o Facebook e a Amazon”. Jeeff Dunn, do Business Insider, detalha que o Google e seus agregados são a única frente rentável para Alphabet, que tem investido milhões de dólares em diferentes tecnologias. Certamente pensando nisso a empresa anunciou agora a primeira grande mudança em 20 anos de sua página na internet, para que fique mais atrativa, até com um feed de notícias semelhante ao do Facebook. A base para isso é o conteúdo personalizado, construído a partir do trabalho das empresas jornalísticas e distribuído com o escrutínio dos dados dos usuários do Google.

O gigante de buscas, ainda de acordo com a Bloomberg, terá “a espada de Dâmocles pendendo sobre sua cabeça”, disse Jay Modrall, advogado do escritório Norton Rose Fullbright, em Bruxelas, ao comentar a sanção aplicada em junho. Agora, continuou ele, fazer ou não mudanças para responder às preocupações da União Europeia deixou de ser escolha da empresa. Ela passará a operar “sob a obrigação legal de realizá-las, e está notificada de que, se suas ações para tanto forem insuficientes, sofrerá novas multas”.

Nesta terça-feira (25), o Financial Times (FT) fez análise semelhante. “Com sua posição de liderança na busca, nos sistemas operacionais móveis e navegadores de internet, além de uma participação de 40% na receita de anúncios digitais dos Estados Unidos, a empresa [Alphabet] tem um alvo nas costas”. O FT informou que, na segunda-feira (24), dia do anúncio dos resultados trimestrais a companhia norte-americana, Brian Wieser, da Pivotal Research, disse que a decisão da UE “pode obrigar o Google a fazer mudanças em outras partes do seu negócio”, enquanto é incerta o quanto positiva ou negativa pode ser a nova política europeia de privacidade que entrará em vigor no próximo.

Na defensiva

Na apresentação dos resultados do segundo trimestre, nesta segunda-feira (24), Sundar Pichai, presidente executivo (CEO) do Google, procurou minimizar a pressão e o impacto da multa aplicada pela UE e as possíveis novas sanções. Abaixo de questionamento dos investidores, relatou o FT, os executivos da Alphabet foram forçados a defender o modelo de negócios das empresas agrupadas na holding, como YouTube, Google Maps e Android, mas não conseguiram esconder desconforto com o momento da companhia. Ruth Porat, diretora financeira da Alphabet , disse aos investidores que empresa está “revisando” suas “opções” depois que a UE decidiu que o Google abusara do seu domínio na busca na web para dar “vantagem ilegal” ao seu próprio serviço de compras.

Pichai, por sua vez, insistiu, por exemplo, que o sistema operacional Android é um “mercado muito aberto” que “funciona bem para todos os envolvidos”. “Espero que isso continue”, disse ele, apesar de de a UE alegar que o sistema restringe a concorrência, exigindo que os fabricantes smartphones com Android instalem os aplicativos para plataformas da da Alphabet. Ao responder sobre o uso dos dados dos usuários do Google para direcionar publicidade nas demais plataformas da Alphabet, como o YouTube, o executivo foi cauteloso e disse que a empresa tenta, em operações como essa, ajudar consumidores e anunciantes a terem a “melhor experiência”. E acrescentou: “Obviamente fazemos essas coisas procurando ter certeza que estamos fazendo o certo para a privacidade do usuário. Permanecemos atentos à medida em que avançamos.”

Publicidade

O principal fator na receita, mais uma vez, foi a publicidade, que respondeu por US$ 22,7 bilhões do faturamento da empresa, puxado pelo crescimento do YouTube e da publicidade em dispositivos móveis. Desse total, no entanto, US$ 5,09 bilhões, ou 22%, foram pagos a parceiros. O valor se refere ao assim chamado custo de aquisição de tráfego (ou TAC, na sigla em inglês). No segundo trimestre do ano passado, o TAC representou 21% da receita da Google. Isso acontece porque a maior parte do crescimento da Google vem de anúncios relacionados a buscas em dispositivos móveis, publicidade no YouTube e um tipo de propaganda automatizada chamada de programática. Nesses anúncios, a empresa precisa dividir uma parte maior do dinheiro na comparação com o que é partilhado com seus tradicionais espaços publicitários em resultados de buscas.

“O crescimento no TAC acelerou pelo terceiro trimestre seguido, sugerindo custos em alta com publicidade”, explicou à Bloomberg News James Cakmak, analista da consultoria Monness Crespi Hardt. A diretora financeira da empresa, Ruth Porat, disse que a expectativa é que o TAC para propriedades da Google, como o serviço de busca e o YouTube, continuará a avançar, sugerindo que as margens de lucro podem encolher. Segundo ela, a empresa está focando em aumentar os lucros totais em vez de incrementar os da margem.

Concorrência

Cakmak e outros analistas destacaram ainda que a alta de 26% acumulada pelos papéis da Alphabet este ano fez com que as expectativas em torno dos resultados ficassem bastante elevadas. Por causa disso, o crescimento de 18,4% das receitas da Google com anúncios pareceu pouco. “As pessoas estavam esperando um crescimento de 20% nesse item, e ele veio um pouco abaixo disso” observou Ron Josey, analista da JMP Securities, em entrevista à Bloomberg.

A empresa enfrenta concorrência cada vez maior com o Facebook pelos dólares da publicidade online — setor dominado pelas duas gigantes da internet. Na projeção para 2017, porém, a expectativa, segundo a consultoria eMarketer, é que o Google fature US$ 73,8 bilhões com publicidade digital, em um crescimento de 35,2% na comparação com o ano passado. Com isso, o Google representará 33% da receita de anúncios digitais, projetados em US$ 223,7 bilhões para este ano. O Facebook aparece na segunda colocação, com projeção de US$ 36 bilhões de faturamento em publicidade este ano, ou quase US$ 40 bilhões a menos do que o Google.

O peso da sanção

No mês passado, a Comissão de defesa da concorrência da UE multou a Google em € 2,4 bilhões por considerar que a empresa favoreceu, em resultados de buscas, seu próprio serviço de compras — o que representou uma dura punição na primeira de três investigações do bloco sobre a dominância da companhia americana em buscas e em sistemas operacionais de smartphones. Logo após o anúncio da UE, a Alphabet informou que registraria o valor integral da multa como uma despesa no segundo trimestre. De acordo com o diário britânico de negócios Financial Times, sem a multa, o lucro da Alphabet teria registrado crescimento de 28%, para US$ 6,9 bilhões.

Conselho

Antes de divulgar seus resultados, a Alphabet também anunciou a entrada de Sundar Pichai, presidente executivo do Google, como o 13º membro do conselho de administração da empresa. Funcionário do Google desde 2004, o indiano Pichai está no cargo desde 2015, substituindo Larry Page, que deixou o cargo para se tornar presidente executivo da Alphabet. Além de Pichai, têm cargos no conselho os dois co-fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, bem como o ex-presidente executivo Eric Schmidt. Outra figura de destaque no conselho é Alan Mulally, ex-presidente executivo da Ford.
Leia mais em:
link.estadao.com.br/noticias/empresas,multa-bilionaria-da-ue-faz-lucro-de-dona-do-google-cair-27-7-no-2-tri,70001902754

https://oglobo.globo.com/economia/negocios/receita-da-google-sobe-mas-afetada-por-multa-bilionaria-21626454

https://www.recode.net/2017/7/24/16020330/google-digital-mobile-ad-revenue-world-leader-facebook-growth

https://www.nytimes.com/reuters/2017/07/25/business/25reuters-alphabet-results.html

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/06/1896618-problemas-do-google-multado-pela-ue-podem-estar-so-no-comeco.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/07/1903970-lucro-da-alphabet-dona-do-google-supera-expectativa-mesmo-apos-multa.shtml

http://www.elfinanciero.com.mx/tech/crece-presion-para-que-facebook-twitter-y-google-cambien-reglas-de-usuarios-en-ue.html

https://www.ft.com/content/b46de9d6-70aa-11e7-aca6-c6bd07df1a3c

https://elpais.com/tecnologia/2017/07/25/actualidad/1500960018_140521.html

https://elpais.com/tecnologia/2017/07/25/actualidad/1500960018_140521.html

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Os influentes jornais The Washington Post e The Wall Street Journal não são mais os principais concorrentes do não menos prestigioso The New York Times. Ao lado dos competidores tradicionais – muitas vezes à frente deles – estão empresas da web, como Google, Facebook, Netflix e Spotify, e publishers nativos da internet ou de fácil comunicação com os jovens (BuzzFeed e Vice, por exemplo).

A opinião é do diretor de Produto do diário com sede em Nova York, o jornalista Andrew Phelps, que está no centro das grandes transformações digitais promovidas nos últimos cinco anos pelo jornal norte-americano. As companhias com base em tecnologia, diz ele, competem por atenção e tempo.

As novas empresas de mídia, por sua vez, têm muito a ensinar aos publishers com origem no meio impresso, afirma Phelps em entrevista gravada em vídeo à Carolina Amoroso, do diário argentino La Nacion. “Seria uma tolice da nossa parte não aprender com todos esses nossos competidores digitais”, reforça.

Diário agora prioriza o leitor, mas ainda busca melhor diálogo

Phelps diz que o The New York Times avançou muito nos últimos anos em suas iniciativas digitais e obteve com isso grandes conquistas, entre elas a consolidação de um sistema paywall com mais de 2 milhões assinantes, além de 1 milhão de assinaturas da versão impressa).

Na mudança de modelo de negócio — daquele com base na publicidade, em queda, para o de conteúdo pago, em alta — o jornal passou a priorizar o leitor. Para Phelps, entretanto, o diário ainda não atingiu o ponto ideal de diálogo com seus leitores, em um ambiente de lógica online e dominado pelas empresas de tecnologia.

O diretor de Produto do diário norte-americano lembra que o jornal tem, provavelmente, a maior redação de notícias do mundo, com cerca de 1,3 mil pessoas, especialistas em várias áreas (muitos deles dando caráter de exclusividade e diferenciando e, dessa forma, sustentando novos produtos também com base em tecnologia, como os sites especializados) e jornalistas em diversas regiões mundo, inclusive correndo riscos nas principais zonas de conflito. “Não sei se todos os leitores sabem ou se sempre detectam que, atrás dessa empresa, há todas essas pessoas que têm de trabalhar muito para mostrar as histórias a eles”

Ao contrário, continua Phelps, Vice e BuzzFeed têm muito sucesso em uma conexão próxima com seus leitores. Vice, afirma, fala a mesma linguagem dos jovens, que se sentem representados pela publicação, enquanto o BuzzFeed aprendeu a arte de compartilhar em mídias sociais para, em seguida, começar a contratar jornalistas investigativos. “Talvez leve um tempo para que sejam considerados como uma empresa de notícias, mas publicaram muitas histórias que não foram contadas pelo The New York Times”, reconhece o jornalista.

Nada contará histórias tão bem como os humanos

Phelps, um dos autores do Innovation Report, documento do The New York Times elaborado para consumo interno que, depois de vazado, virou o principal guia de adaptação da mídia ao meio digital, diz acreditar que, apesar dos duros desafios no processo de transição, a tecnologia traz mais benefícios do que prejuízos ao jornalismo.

“Enquanto muitos se preocupam que haja robôs e inteligência artificial que podem substituir os humanos, creio que é muito positivo usar essas tecnologias para contar histórias que antes não podíamos contar”, afirma. “Nada substituirá o julgamento das pessoas ou contará histórias tão bem como os humanos. Mas se buscamos histórias novas nos dados e chegamos a públicos que antes não atingíamos, podemos usar as máquinas para ajudar a automatizar as partes burocráticas do jornalismo que não são tão importantes para contar as histórias e, assim, nos liberamos para dedicar mais tempo ao mais importante”.

Veja a entrevista completa no link abaixo:
http://www.lanacion.com.ar/2041779-andrew-phelps-cada-vez-que-trump-critica-al-new-york-times-la-cantidad-de-suscriptores-crece

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