A aplicação do chamado direito ao esquecimento pode se pode se transformar numa forma de censura, alerta jornalista Patrícia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta, organização que defende a liberdade de expressão. Em entrevista à revista eletrônica Consultor Jurídico (ConJur), Patrícia assinala que o recurso deve ser aplicado como exceção pelos tribunais brasileiros, enquanto a regra deve ser sempre a da liberdade de imprensa e da livre circulação de informações.

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A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou as novas ameaças do presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, contra os meios de comunicação logo após a eleição da Assembleia Nacional Constituinte, no último domingo (30). A entidade expressou preocupação com a possibilidade de que, no processo de reforma constitucional, as liberdades de expressão e de imprensa sofram ainda mais restrições no país.

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Às vésperas da Constituinte, o governo chavista de Nicolás Maduro, na Venezuela, endureceu sua política de repressão, afetando também a imprensa estrangeira, segundo relato do jornal O Globo. No recrudescimento, o jornalista argentino Jorge Lanata, uma celebridade da TV de seu país, foi deportado nesta quinta-feira (27) do Aeroporto Internacional de Maiquetía, em Caracas, por não ter o visto de trabalho exigido pelo Ministério da Comunicação venezuelano. Lanata também ficou isolado numa sala do aeroporto, à qual não tiveram acesso funcionários da embaixada argentina em Caracas, contou a jornalista Janaína Figueiredo. A violência foi rechaçada, ainda ontem, pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que disse considerar a medida uma grave obstrução ao trabalho jornalístico, evidenciando a cultura de censura oficial do governo venezuelano.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou nesta terça-feira (25) ação do governo de Cuba que resultou na prisão domiciliar da jornalista cubana Sol García Basulto, da revista La Hora de Cuba, na cidade de Camagüey, e correspondente do portal 14ymedio. A jornalista está presa desde a segunda-feira (24) por desempenhar seu trabalho jornalístico. A SIP também lamentou situação similar vivida pelo jornalista Henry Constantín Ferreiro, diretor da La Hora de Cuba.

Os meios de comunicação nativos digitais avançaram de forma significativa na América Latina nos últimos anos, alguns têm obtido rentabilidade econômica e, em geral, estão influenciando a forma de produzir notícias no país, contribuindo para o aprimoramento de legislações e expondo corrupção e abuso de poder. As conclusões são do estudo “Punto de inflexión” (Ponto de Inflexão), que analisou por cinco meses 100 meios de comunicação de quatro países (Argentina, Brasil, Colômbia e México) e foi realizado pela organização Sembramedia, em parceria com a fundação Omidyar Network. No entanto, diz a pesquisa 45% dos veículos consultados disseram que sofreram violência ou ameaças pelas suas coberturas, enquanto 20% admitiram ter se autocensurado após ataques.

“Depois de passar anos trabalhando com jornalistas empreendedores na América Latina, eu sabia que o trabalho deles vinha ganhando importância, mas eu não tinha me dado conta do impacto que eles estavam causando, nem o quanto se tornaram vulneráveis, antes de concluirmos este estudo”, disse Janine Warner, cofundadora do Sembramedia e Fellow do ICFJ Knight, em um comunicado da entidade. “[Empreendedores da mídia digital] estão determinados a produzir notícias independentes em países extremamente polarizados; e muitos deles estão pagando um alto preço por isso”, afirmou, segundo relato do Centro Knight.

Os veículos estudados têm como motivação principal informar de maneira independente o que ocorre em seus países, em um contexto de polarização política. Essa independência editorial, na maioria dos casos, está sendo bastante custosa para os jornalistas. A pesquisa trata, por exemplo, do caso do jornalista mexicano Luis Cardona, do veículo Pie de Página, que teve que fugir da sua cidade natal pela violência do narcotráfico e do Estado. Cardona foi sequestrado e torturado em setembro de 2012 pela reportagem que realizou nesse ano sobre o desaparecimento de 15 jovens pobres vinculados ao narcotráfico em Chihuahua.

No Brasil, o editor do site brasileiro Envolverde, Dal Marcondes, também garantiu que foi afetado por seu trabalho jornalístico. “Temos sofrido muitos ataques cibernéticos. Uma vez substituíram todas as imagens do nosso site por pornografia. Perdemos uma enorme quantidade de conteúdo e nos tomou uma semana para trocar todas as nossas imagens”, contou Marcondes aos pesquisadores da Sembramedia.

A qualidade dos veículos nativos digitais da América Latina tem sido reconhecida, pois eles têm ganhado muitos dos prêmios jornalísticos de grande prestígio na região. Por exemplo, todos os prêmios do importante festival Gabriel García Márquez de jornalismo de 2016 foram dados a meios digitais nativos. Três deles foram analisados pelo relatório da Sembramedia: Agência Pública e Repórter Brasil, ambos do Brasil, e La Silla Vacía, da Colômbia.

O relatório menciona também o Pulitzer que foi dado aos jornalistas do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, da sigla em inglês) que participaram da investigação sobre os Panama Papers; muitos deles eram jornalistas latino-americanos de meios nativos digitais.

Outro tema abordado pela pesquisa é o modelo de negócio e tipos de financiamento que os meios de comunicação consultados estão colocando em prática. O uso massivo das mídias sociais e o acesso a ferramentas de design na web, afirma o Centro Knight, tem impulsionado as iniciativas dos veículos digitais, segundo o relatório. Além do seu capital social, de conhecimentos e da experiência dos jornalistas fundadores. É assim que mais de 70% dos empreendimentos estudados começaram com menos de 10 mil dólares, e mais de 10% deles geram, atualmente, receitas de ao menos meio milhão de dólares por ano.

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https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-18631-veiculos-digitais-latino-americanos-crescem-e-se-tornam-rentaveis-mas-sofrem-ataques-s

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