A internet e as mídias digitais proporcionam hoje um fluxo de informações nunca visto na história da humanidade, dentro do evidente progresso que a tecnologia proporciona ao planeta se bem aplicada, diz Marlova Jovchelovitch Noleto, representante interina da Unesco no Brasil. No entanto, alerta ela, esse admirável mundo novo exige permanente reflexão. “Se hoje, mais do que nunca, a informação é essencial em nossas vidas, torna-se vital que ela seja de qualidade”, com especial destaque para o jornalismo e a devida preservação dos direitos e dos princípios democráticos, enfatiza Marlova em texto publicado na edição desta terça-feira (6) do jornal O Globo. “A liberdade de expressão e a liberdade de informação são pré-condições para a democracia. A preservação dessas liberdades no mundo das modernas tecnologias de comunicação é nosso desafio e pressuposto para construção da paz”.

Marlova afirma que, nesse cenário, cresceu a importância das informações apuradas com rigor, editadas com critério e contextualizadas com espírito crítico, “pois funcionam como instrumentos para que o cidadão construa, ele próprio, a sua visão de mundo”. Ela ressalta ainda que a profusão de informações no meio digital vem acompanhada de um inusitado fenômeno que desafia o setor de comunicação e afeta toda a sociedade: as notícias falsas. “O fato distorcido e retirado do contexto real é mal a ser combatido, na mídia tradicional ou em outros ambientes da web, como sites e blogs”, diz.

Em seu texto, a representante interina da Unesco no Brasil reforça que a educação e a informação de qualidade são essenciais para os cidadãos fazerem as melhores escolhas em suas vidas e nas sociedades a que pertencem, exercendo e exigindo o cumprimento de seus direitos. Por isso, conta ela, uma das estratégias desenvolvidas pela Unesco é a Alfabetização Midiática e Informacional (AMI), que busca empoderar os usuários das diversas mídias com as habilidades necessárias para navegar na internet, além de interpretar, rejeitar ou reagir a mensagens provocadoras ou de ódio.

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https://oglobo.globo.com/opiniao/para-formar-mentes-criticas-21438582

Publicado em Jornal ANJ Online

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) divulgou na terça-feira (25) relatório no qual revela que a tecnologia, aliada em muitos dos avanços da humanidade, também está na base da maior sofisticação da censura à liberdade de imprensa. Na mesma semana em que a organização Repórteres sem Fronteira (RSF) denunciou ameaça inédita à livre expressão no mundo, o documento do CPJ descreve como governos, narcotraficantes e até facções terroristas têm usado a internet para atacar o direito à informação, relatou o jornal Folha de S.Paulo. “A guerra da informação e da contrainformação, se não ameaça diretamente a vida de jornalistas, não deixa entretanto de pôr em risco a verdade dos fatos, quando a orquestração da propaganda política se empenha em burlar a investigação jornalística profissional, apartidária, crítica e autocrítica”, adverte editorial da edição desta quinta-feira (27) do jornal paulista.

A repressão cibernética combina  antigas táticas, como a prisão de jornalistas (que chegou ao recorde de 259 em 2016), a novas, potencializadas pela tecnologia. Nesse segundo grupo, detalha a Folha de S.Paulo, estão o uso de sistemas de controle de informação, o monitoramento digital de críticos —e eventual bloqueio de sua atuação—, e a disseminação de notícias falsas. “Alguém ainda acredita no mantra utópico de que a informação quer ser livre e que é impossível censurar ou controlar a internet?”, questiona Joel Simon, diretor do CPJ.

Com esse comentário, diz o editorial de hoje da Folha de S.Paulo, Simon “talvez surpreenda” quem justificadamente comemora as facilidades que os meios eletrônicos de comunicação asseguram a quem queira expressar suas próprias opiniões. NO entendimento da publicação,  pertence ao conhecimento comum a ideia de que notícias falsas e quantidade nauseante de calúnias e ofensas circulam pelas redes sociais —tornando-as, ainda que livres, inconfiáveis em larga medida. “Todavia, a própria sensação de que exista uma tão ampla liberdade se vê passível de contestações. É esse o sentido da publicação ‘Ataques à Imprensa – A Nova Face da Censura’, que acaba de ser divulgada pelo comitê.”

Regimes autoritários e organizações criminosas passam cada vez mais a utilizar a tecnologia com o propósito de inviabilizar a investigação jornalística e a circulação de notícias. O bloqueio de sites, o emprego de sistemas eletrônicos massivos de contrapropaganda e o monitoramento de dissidências são alguns dos instrumentos do que o texto chama de “repressão 2.0”.

Entre os citados pela ameaça à informação, destacam-se China e Rússia. No segundo caso, o governo recorre a aparatos e conhecimento tecnológico para controlar a dissidência ao governo Putin e usa a internet para espalhar propaganda e manipular a opinião pública, diz o relatório do CPJ. Pequim, por sua vez, planeja um sistema de créditos para jornalistas que publicam conteúdo crítico em redes sociais, descreve a pesquisadora Yaquiu Wang. Os que receberem mais pontos podem ser financeiramente penalizados, com empréstimos negados e juros maiores, por exemplo.

O relatório dedica um capítulo aos Estados Unidos em meio à preocupação com a disseminação de notícias falsas e com o clima de “hostilidade e intimidação” criado, diz a publicação, pela retórica agressiva do presidente Donald Trump. O CPJ cita também o uso das novas tecnologias por “forças violentas”, como o Estado Islâmico e cartéis de traficantes de drogas, para se comunicar diretamente com o público, livrando-se da intermediação crítica da mídia.

Pelo uso do arsenal repressivo mais conhecido, o governo turco recebe especial atenção especial, uma vez que o país exerce forte controle sobre a mídia e é o que mais prende jornalistas —81 dos 259 detidos, segundo comunicado do CPJ no fim de 2016.

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http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/04/1878629-tecnologia-deixa-censura-a-jornalistas-mais-complexa-e-sofisticada-diz-ong.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2017/04/1878958-nem-tao-livres.shtml

https://www.voanoticias.com/a/censura-cpj-prensa-tecnologia/3824684.html

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