Em 2011, o empreendedor digital e escritor Eli Pariser expôs, com uma clareza até então inédita, as artimanhas dos algoritmos que personalizam conteúdo, especialmente no Facebook e no Google, e são capazes de isolar as pessoas em bolhas virtuais de pensamentos únicos, sem acesso à divergência. Os perigos dessa personalização foram relatados por Pariser no livro O Filtro Invisível – O que a Internet está Escondendo de Você (editado no Brasil pela Zahar) e, de lá para cá, as bolhas ganharam mais força, passaram a influenciar as agendas políticas, sociais e econômicas e, também, constituíram-se em um dos pilares do fenômeno das notícias falsas na internet. Agora, depois do alerta que fez há quase seis anos, o visionário empreendedor sustenta que esse ambiente digital está consolidado e, para deixá-lo mais saudável, é preciso de ferramentas semelhantes às usadas pelo duopólio Google-Facebook – cujo modelo de negócio não encontra hoje alternativa –, entre elas os algoritmos e o entretenimento como e engajador de audiência, além de um jornalismo cada vez mais qualificado, formando o chamado conteúdo viral, principal produto do site liderado por Pariser, o Upworthy.

“Existe esse processo de filtro, de uma enorme quantidade de informações que podem chegar ao leitor, que são selecionadas por esses algoritmos”, reforçou Pariser em recente entrevista ao jornal El País. “O que mudou é que toda essa criação tomou consciência de si mesmo. Agora mesmo, meios de comunicação como o seu criam notícias e as distribuem com a expressa intenção de entrar nessa bolha e chegar até os leitores”, disse o escritor e empreendedor em resposta a uma pergunta do repórter David Alandete sobre as mudanças ocorridas entre 2011 e 2017. Pariser enfatizou ao El País que o entretenimento é a chave dos algoritmos. “[Os sistemas automatizados] Não discriminam em função da ideologia, e sim pelo que dá mais cliques. E o entretenimento dá mais cliques do que as notícias factuais. Ao final, as bolhas nas quais nos relacionamos têm mais a ver com nossos gostos do que com a ideologia”, afirmou, sem deixar de reconhecer que também é verdade que os gostos podem determinar a ideologia.

As notícias falsas, advertiu o escritor em outra entrevista, desta vez ao El Mundo, são de fato um problema. “Mas, se pudéssemos eliminá-las numa canetada só não teríamos um ecossistema informativo funcionando bem (…)”, argumentou. Novamente, Pariser destacou a importância do jornalismo. “Necessitamos anticorpos mais fortes e um sistema imune mais saudável, ou seja, mais notícias verdadeiras e melhor distribuídas, de maneira que possam chegar a mais gente e combater as que são mentira”.

Ao mesmo tempo, Pariser insiste sobre o papel fundamental do conteúdo de entretenimento, recurso muito usado por ele e seus parceiros no site Upworthy. “Nossa intenção era fazer das notícias algo divertido e atrativo, além de informativas. Devemos admitir: hoje em dia as notícias competem com o entretenimento, e dever ser atrativas”, frisou o escritor ao El País. O Upworthy, garante ele, não perdeu valor jornalístico ao procurar ser um meio viral. “Temos uma equipe dedicada a comprovar dados de forma muito rigorosa”, comentou Pariser. “Na realidade, o que é isso que chamamos de meios virais? São meios de notícias que as pessoas estão dispostas a compartilhar com seus amigos. Creio que não é uma má aspiração na realidade, porque se você consegue, está fazendo um favor as pessoas”, argumenta.

Leia mais em:

http://cultura.elpais.com/cultura/2017/06/19/actualidad/1497900552_320878.html

http://www.elmundo.es/television/2017/06/19/594813f0e5fdea6a5a8b4593.html

Publicado em Jornal ANJ Online

Uma das mais bem-sucedidas expressões populares no meio digital, “Só que não” (ou apenas SQN), ajusta-se neste momento como uma luva na mão do gigante de mídia com base em tecnologia de propriedade de Mark Zuckerberg. #aosfatos.

Depois de muito hesitar, o Facebook prometeu, em novembro de 2016, investir em artilharia pesada para combater a propagação de notícias falsas em sua rede social. #SQN. Seis meses depois, elas não apenas continuam lá, como também há indícios de que, uma vez sinalizadas como mentirosas, algumas histórias são ainda mais compartilhadas.

Há muito tempo o Facebook promete não enganar os anunciantes com métricas distorcidas de anúncios. #SQN. Isso continua a ocorrer, e a empresa norte-americana as chama de “falhas” (a companhia admitiu pelo menos dez delas desde setembro do ano passado, que causaram prejuízos aos anunciantes).

O Facebook promete não fazer uso antiético dos dados de seus quase 2 bilhões de usuários. #SQN. Recentes relatos mostram uma sofisticada utilização dessas informações que não poupa nem adolescentes.

O Facebook promete vantagens aos publishers, dos quais replica notícias que o ajudam a manter o ambicionado engajamento do público. #SQN. Nenhuma parceria com produtores de conteúdo se mostrou rentável o suficiente para quem coloca pesados recursos em jornalismo profissional. No caso de vídeos ao vivo, os benefícios aos publishers ainda não estão claros, enquanto os do Facebook são cristalinos, mesmo que ele não consiga estancar estarrecedoras e mortíferas publicações em tempo real (na mais recente, um norte-americano ateou fogo no próprio corpo antes de morrer).

O Facebook nega ser uma empresa de mídia. #SQN. Em breve, a empresa estará, por exemplo, concorrendo diretamente com as emissoras de TV (aberta e paga) e companhias como Netflix a partir de produções próprias de séries, sempre distribuídas em sua plataforma.

Há vários outros #SQN nas atividades do Facebook, que nos últimos meses têm apresentado um cardápio maior do que a rede social diz serem correções de problemas, enquanto segue sendo notícia por seus defeitos. Novamente, #aosfatos.

Combate às notícias falsas #SQN

O Facebook disse ter colocado em prática medidas para coibir a propagação de notícias falsas. A mais recente, divulgada na quarta-feira (17), passa por atualizações de algoritmos com o objetivo de reduzir o número de posts com chamadas “exageradas ou enganosas” cujo objetivo é obter muitos cliques e, consequentemente, ganho financeiro.

Filipe Vilicic, da revista Veja, diz que, além dos algoritmos, o “Facebook também usará softwares de inteligência artificial (AI, em inglês) para identificar frases e termos usualmente usados nos ‘caça-cliques’, muitos dos quais links com notícias falsas”. Será que vai funcionar? Por enquanto, tudo que foi prometido ficou no #SQN e, para piorar, há indícios que tenha estimulado um efeito contrário.

O jornal britânico The Guardian revelou que o sistema criado pelo Facebook de sinalização das notícias comprovadamente distorcidas (resultado do trabalho de jornalistas de fact-checking) com a tag “disputede” (discutível, controversa… nada como uma cabal FALSA) é, muitas vezes, ineficaz. Em outras situações, elevou o tráfego de notícias falsas, enlameando mais ainda o ambiente na rede.

O The Guardian, informou que a marcação de posts mentirosos não é consistente, e algumas histórias sinalizadas continuam a circular sem aviso prévio. Há ainda confusão quanto ao tipo de informação falsa e seu objetivo. É o caso dos sites sarcásticos, cujo humor somente pode ser compreendido por seres humanos e não pelos robôs de Mark Zuckerberg.

Mas o efeito colateral é o que há de mais nefasto. Foi o caso da mentira deslavada publicada pelo site Newport Buzz: uma história sobre como milhares de irlandeses foram levados para os Estados Unidos como escravos. A narrativa não exigiu muito dos verificadores do Snopes.com e da Associated Press, que a marcaram como falsa. Mas o editor do site, Christian Winthrop, contou que o tráfego do texto aumentou significativamente depois que o Facebook aplicou o aviso.

“Um grupo de conservadores engajou-se e disse: ‘Ei, eles estão tentando silenciar este blog: compartilhe, compartilhe'”, disse Winthrop ao The Guardian, explicando o efeito multiplicador da mentira.

“Um dos problemas com o tipo de processo de verificação de fato que o Facebook implementou, dizem sociólogos e psicólogos, é que ele só funciona se os usuários confiarem tanto na rede social como nos verificadores de fato de terceiros com os quais ela se associou”, ressalta o jornalista especializado em tecnologia da revista Fortune, Mathew Ingram. “Para pelo menos alguns consumidores de notícias, o fato de que o Facebook e Snopes sinalizaram algo como falso faz com que eles tenham maior probabilidade de acreditar [na mentira]”, lamenta Ingram.

O ator James Woods, contou o jornalista da Fortune, conhecido por fazer comentários de direita no Twitter e em outros lugares, expressou exatamente esse sentimento recentemente, dizendo: “O fato de que @facebook e @snopes ‘disputam’ uma história é o melhor endosso que uma história poderia ter”.

Ingram comenta ainda que, em ensaio recente, a socióloga danah boyd (ela escolheu soletrar seu nome sem letras maiúsculas) argumentou que o Facebook e o Google não podem resolver o problema das notícias falsas porque se trata de fenômeno conduzido pela natureza humana e choque de culturas. Certamente algo complexo demais para a compreensão de algoritmos e, muito provavelmente, de softwares de AI.

Por tudo isso, o editor da seção de leitores do The Guardian, Paul Chadwick, faz uma recomendação simples e óbvia, mas fundamental numa época de tanta desinformação: “Na minha opinião, a notícia falsa, nesta era de transição do analógico para o digital, representa uma ameaça tão séria que os códigos de ética do jornalismo profissional de longa data deveriam ter acrescentada a eles uma nova obrigação: expor notícias falas como falsas.

Apoio ao jornalismo e responsabilidade com as notícias #SQN

O jornalismo tem sido procurado pelo Facebook (e Google) para ajudar no combate a notícias falsas, mas o fato de a rede social se negar a sair do seu rico armário para assumir sua identidade de empresa de mídia parece contribuir para a ineficácia das ações até aqui. Nessa lógica, as parcerias firmadas por Mark Zuckerberg com publishers e outros veículos e grupos de jornalismo profissional lembram uma balança viciada, que pende para o lado da rede social. E o Facebook parece fazer uso dessas experiências para preparar um novo e rentável negócio para ele logo à frente.

A distribuição de conteúdo em ferramentas como Instant Articles e o AMP, por exemplo, engordou apenas os cofres das duas empresas de tecnologia. As parcerias para a produção de vídeos online parecem tomar o mesmo caminho. “Em última análise, a equação custo-benefício para os editores que distribuem conteúdo de vídeo em plataformas sociais ainda não é clara”, escreveu Pete Brown, do Columbia Journalism Review, ao analisar o acordo firmado entre Facebook e The New York Times para a produção de vídeos ao vivo.

Mesmo no caso dos jornais locais dos Estados Unidos que, segundo Lucia Moses, do Digiday, comemoram o interesse do Facebook (e também do Google) por suas operações, a cobiça dos gigantes de tecnologia é estridente. “Eles parecem estar abertos para se envolver mais em ajudar a missão do jornalismo local”, diz Neil Chase, editor-executivo do Bay Area News Group, que realmente precisa de ajuda, como milhares de pequenas e médias empresas de comunicação espalhadas pelo mundo. Ocorre que os velozes executivos do Facebook e do Google logo perceberam que a informação local é um ótimo caminho para estreitar relações com os usuários, justamente em meio ao bombardeio de críticas por nada fazerem contra as notícias falsas.

“Os representantes do Google e do Facebook falam sobre como seu trabalho de apoio às notícias locais contribui para o jornalismo e às culturas locais, mas nada disso é pura boa vontade, é claro”, lembra Lucia Moses. “Google e Facebook são empresas cujo valor, no caso do Google, é baseado na sua capacidade de organizar todas as informações do mundo, incluindo locais, e, no caso do Facebook, na capacidade de manter as pessoas em sua plataforma fechada, dando-lhes conteúdo que se preocupam. Por isso, é do seu interesse ter um ecossistema de notícias locais saudáveis”, afirma a jornalista

Respeito à privacidade #SQN

Cresce o cerco da União Europeia (UE) às práticas do Facebook que ferem regras de competitividade e legislações. Nesta quinta-feira (18), por exemplo, o Facebook foi multado em € 110 milhões pela Comissão Europeia por fornecer informações enganosas ligados à aquisição do WhatsApp há três anos. Com a sanção, aplicada após uma investigação de seis meses, espera-se que seja um duro aviso para outras empresas que enfrentam problemas semelhantes.

Também nesta semana a França multou a empresa por não ter respeitado regras da lei de privacidade do país, dentro de uma investigação que também é feita na Bélgica, Holanda, Espanha e Alemanha. Entre as infrações – que na França envolvem quase 33 milhões de pessoas – estão o rastreamento de dados por meio de sites sem o conhecimento dos usuários e a permissão para que anunciantes acessem as informações dos cadastrados na rede social norte-americana. A sanção, embora pequena (€ 150 mil), é a primeira ação significativa tomada contra uma empresa que faz transferência de dados da Europa para os Estados Unidos e pode ser a primeira porta aberta para multas bem mais pesadas.

Em futuras investigações, a França poderá emitir multas de até € 3 milhões (cerca de R$ 10 milhões), com base em lei aprovada em outubro de 2016. Foi este o valor da sanção aplicada na semana passada pela Itália à empresa norte-americana, com foco no WhatsApp, que obrigava os usuários a concordar em compartilhar dados pessoais com o Facebook. Além disso, a partir de 2018, o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) vai introduzir um único conjunto de regras de privacidade em todos os 28 estados membros da UE, e elevar as multas para € 20 milhões (US$ 22 milhões) ou 4% da receita globais das empresas.

Anúncios com alta performance #SQN

Nesta terça-feira (16), o Facebook informou ter descoberto um problema em seu sistema de anúncios que elevava o número de cliques em publicidade exibida na rede social, levando anunciantes a, efetivamente, pagar por visualizações que não existiram, informou o jornal Valor Econômico. Diante da aberração (a décima apenas de setembro para cá, a companhia se comprometeu, pela primeira vez, a reembolsar alguns clientes.

Em post em seu blog oficial, o Facebook afirmou que a diferença no número de cliques era bem pequena e foi registrada quando os usuários acessaram o site pelo celular e clicaram nos anúncios no formato de “carrossel de vídeos” para expandi-los. O formato permite que os anunciantes coloquem múltiplas imagens, vídeos e textos dentro de um mesmo anúncio, que os internautas podem escolher o que ver. De acordo com o Facebook, o problema afetou especificamente os anunciantes que pagaram por anúncios que tinham como objetivo atrair acesso para um determinado site. Segundo a empresa, o erro de cobrança afetou só 0,04% dos anúncios exibidos no período em que a questão foi monitorada.

As revelações, relatou o Valor, geraram uma onda de questionamentos e uma pressão por mais transparência nos dados fornecidos pela companhia. Em novembro, a rede social criou um blog só para divulgar novas falhas que ela tenha detectado. A companhia também criou um conselho de medição, formado por profissionais da área de marketing e executivos de agências, para opinar sobre o funcionamento do sistema. A rede social também se aliou a empresas de medição independentes.

Por enquanto, no entanto, todas as promessas de solução feitas pelo Facebook não se concretizaram. O site Digiday chegou a pedir aos anunciantes que classificassem anonimamente cada um dos problemas de medição (sempre superestimando resultados) do Facebook em uma escala de 1 a 10. A nota mais alta (7) foi dada ao estrago causado, por dois anos, pela equivocada medição do tempo médio que os usuários passaram assistindo vídeo no Facebook. Em alguns casos, os números do Facebook estavam 80% errados.

Limites éticos no uso de dados pessoais #SQN

As espertezas da política de anúncios do Facebook não se limitam a métricas que supervalorizam a eficiência comercial da rede social. Elas também estão presentes na composição de anúncios mais eficazes a partir de detalhados estudos de comportamento dos usuários e, o que é pior, o compartilhamento disso com clientes. “É sempre interessante – e geralmente alarmante – quando alguém consegue espreitar através das cortinas fortemente protegidas da estratégia de publicidade do Facebook”, disse Michael Beach, editor do The Sunday Times, da Austrália, em artigo no qual ele ressalta a importância do que revelado por outro jornal australiano, The Australian, da News Corp.

A reportagem, de Darren Davidson, mostrou que a rede social de Mark Zuckerberg identificou e repassou adiante dados (com base em fotos, vídeos, comentários, compartilhamentos, curtidas etc) sobre a vulnerabilidade emocional de jovens usuários australianos, com até 14 anos, para promover publicidade. O relatório – produzido para “um dos quatro bancos mais importantes da Austrália”, conforme informou o The Australian – explicita que algoritmos da rede social foram programados para perceber quando um jovem se sente “estressado”, “derrotado”, “sobrecarregado”, “ansioso”, “nervoso”, “estúpido”, “bobo”, “inútil” e um “fracasso”. O Facebook, lamentou o diário australiano em editorial, “levou o marketing a um novo e insidioso nível, tão antiético quanto pessoalmente invasivo”.

A documentação, com trechos publicados pelo jornal australiano, foi produzida por dois altos executivos da companhia, identificados como David Fernandez e Andy Sinn, e cita que a rede social possui um banco de dados dos cerca de 6,4 milhões de usuários, entre estudantes e jovens trabalhadores australianos De posse dessas informações, contou a reportagem, o Facebook sugere na apresentação destinada à instituição bancária tendências comportamentais dos jovens em pelo menos dois momentos da semana.

Em 2012, a rede social havia sido duramente criticada depois de realizar uma experiência em quase 700 mil usuários desavisados. Ao usar um algoritmo para determinar se uma postagem era negativa ou positiva, o Facebook foi capaz de alterar quais atualizações de status apareceram no feed de notícias de um usuário individual. O objetivo era determinar se o humor do grupo selecionado poderia ser influenciado. Os resultados foram publicados em uma revista científica, mas a empresa foi criticada por manipular as emoções das pessoas para ganho comercial

Beach conta que, no caso australiano, o Facebook relutou, mas acabou se retratando, sem deixar de jogar a bomba no colo de seus executivos. “O Facebook só permite pesquisas que sigam um procedimento rigoroso de revisão sempre que os dados sensíveis, particularmente os que envolvem jovens ou seu comportamento emocional, disse a empresa. “Esta pesquisa não parece ter seguido este processo.”

Davidson disse não ter se convencido com a defesa da rede social, que responsabiliza uma operação local pela desonestidade descoberta por ele. “Tudo o que realmente eles fazem é vender anúncios. Não produzem qualquer outro conteúdo, e os tomam gratuitamente de jornais, revistas, redes de TV. Agregam tudo isso e, em seguida, vendem agressivamente anúncios contra ‘os globos oculares’. Eles sabem muito bem o que estão fazendo”, frisou o jornalista.

Leia mais em:

https://www.theguardian.com/technology/2017/may/16/facebook-facing-privacy-actions-across-europe-as-france-fines-firm-150k?utm_source=Daily+Lab+email+list&utm_campaign=35fa688a7c-dailylabemail3&utm_medium=email&utm_term=0_d68264fd5e-35fa688a7c-386384393

http://link.estadao.com.br/noticias/empresas,uniao-europeia-pode-multar-facebook-em-mais-de-us-270-milhoes,70001789544

http://fortune.com/2017/05/16/facebook-fact-checking/

https://www.theguardian.com/technology/2017/may/16/facebook-fake-news-tools-not-working?utm_source=API+Need+to+Know+newsletter&utm_campaign=303ea122d9-EMAIL_CAMPAIGN_2017_05_17&utm_medium=email&utm_term=0_e3bf78af04-303ea122d9-45815109

https://www.cjr.org/tow_center/facebook-live-new-york-times.php?CJR

https://digiday.com/media/local-news-outlets-find-unlikely-ally-duopoly/

http://www.valor.com.br/empresas/4970202/facebook-descobre-nova-falha-em-seu-sistema-de-medicao-de-anuncios

http://marketingland.com/facebook-admits-10th-measurement-error-214819?utm_source=Daily+Lab+email+list&utm_campaign=35fa688a7c-dailylabemail3&utm_medium=email&utm_term=0_d68264fd5e-35fa688a7c-386384393

HTTPS://DIGIDAY.COM/MARKETING/FACEBOOK-MEASUREMENT-ERRORS/

http://www.inma.org/blogs/digital-strategies/post.cfm/facebook-s-advertising-strategy-raises-questions-over-ethical-practices?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=nonmember

https://www.wsj.com/articles/facebook-refunds-some-advertisers-after-finding-new-measurement-bug-1494954000

https://www.buzzfeed.com/mbvd/a-man-is-dead-after-setting-himself-on-fire-while-streaming?utm_term=.scbe0XOK8P#.xayg8O2oe1

Publicado em Jornal ANJ Online

O Facebook foi multado pela Comissão Nacional de Informática e Liberdade (CNIL, na sigla em francês), órgão fiscalizador de proteção de dados da França, por não ter respeitado regras da lei de privacidade francesa. Entre as infrações, que envolvem quase 33 milhões de pessoas, estão o rastreamento de dados por meio de sites sem o conhecimento dos usuários e a permissão para que anunciantes acessem as informações dos cadastrados na rede social norte-americana.

A sanção, embora pequena (€ 150 mil) em relação à receita trimestral do Facebook, de cerca de US$ 8 bilhões, é a primeira ação significativa tomada contra uma empresa que faz transferência de dados da Europa para os Estados Unidos, informou o jornal britânico The Guardian, após decisão judicial da União Europeia (UE) do ano passado que considerou ilegal e anulou um acordo que empresas como o Facebook tinham para driblar regras. Além disso, integra uma ampla investigação europeia que ocorre também na Bélgica, Holanda, Espanha e Alemanha sobre práticas do Facebook.

A CNIL começou a investigar o Facebook e sua subsidiária na Irlanda depois que a companhia fez mudanças nos termos e condições de uso em janeiro de 2015. No ano passado, o órgão fiscalizador francês deu à empresa de Mark Zuckerberg um prazo para parar de rastrear atividades online de não usuários sem o consentimento deles e ordenou que a rede social parasse a transferência de dados pessoais para os Estados Unidos. O Facebook argumentou que a autoridade de proteção de dados da Irlanda, não a CNIL, é a autoridade competente para formular tais ordens, já que a sede europeia da companhia de rede social fica em Dublin.

A multa aplicada agora representa o valor o máximo que era permitido pela legislação quando a CNIL começou a investigação da gigante de tecnologia. Em futuras investigações, entretanto, o órgão fiscalizador poderá emitir multas de até € 3 milhões (cerca de R$ 10 milhões), com base em lei aprovada em outubro de 2016. A partir de 2018, o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) vai introduzir um único conjunto de regras de privacidade em todos os 28 estados membros da UE, e elevar as multas para € 20 milhões (US$ 22 milhões) ou 4% da receita globais das empresas.

Em comunicado emitido nesta terça-feira (16), o Facebook não disse se vai tomar ações como resultado da multa. “Nós tomamos nota da decisão da CNIL, com a qual nós discordamos respeitosamente”, afirmou a companhia.

Leia mais em:

https://www.theguardian.com/technology/2017/may/16/facebook-facing-privacy-actions-across-europe-as-france-fines-firm-150k

http://www.telegraph.co.uk/technology/2017/05/16/france-fines-facebook-150000-unfair-tracking/

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/05/1884434-facebook-e-multado-em-150-mil-euros-por-falha-na-protecao-de-dados.shtml

http://br.reuters.com/article/internetNews/idBRKCN18C1I2-OBRIN

http://idgnow.com.br/internet/2017/05/16/facebook-e-multado-na-franca-por-violar-lei-de-privacidade/

http://pt.euronews.com/2017/05/16/franca-multa-facebook

Publicado em Jornal ANJ Online

Ao informar esta semana os resultados superlativos em seus negócios nos primeiros três meses de 2017 em relação ao trimestre inicial do ano passado, o Facebook voltou a fazer uma série de promessas sobre como pretende limpar o lixo que se propaga nas suas plataformas. Em meio à sujeirada, estão notícias falsas, preconceitos, intolerância, pedofilia, mortes ao vivo, falta de segurança às marcas anunciantes, métricas superdimensionadas, algoritmos de aplicação imoral e criminosa (um deles estudando até mesmo a fragilidade emocional de jovens) e descompromisso nas parcerias com publishers, todas elas de resultados comerciais frustrantes até aqui. O problema é que a eficiência demonstrada pela empresa de Mark Zuckerberg para faturar alto e avançar em direção a uma série de novos negócios contrasta com sua aparente incapacidade na limpeza dos detritos. Ineficiência essa demonstrada por escândalos e distorções sociais que parecem ocorrer semanalmente, apesar dos reiterados compromissos com a busca por soluções.

Do ponto de vista financeiro, o Facebook nunca esteve tão bem. O lucro primeiro trimestre de 2017 em relação ao mesmo período do ano passado cresceu 76,6%, impulsionado pela alta nos negócios com publicidade para dispositivos móveis. Mais de 1,2 bilhão de pessoas acessaram a mídia social todos os dias entre janeiro e março, 18% a mais na comparação com os primeiros três meses de 2016. No fim de março, a empresa contava com 1,94 bilhão de usuários ativos ao redor do mundo (incremento de 17%). A estimativa de analistas é que, neste ritmo, o crescimento ultrapassará 2 bilhões de usuários até fim de junho próximo, um quarto da população mundial.

O lucro líquido atribuível aos acionistas do Facebook subiu para US$ 3,06 bilhões, ou US$ 1,04 por ação, no primeiro trimestre, ante US$ 1,73 bilhão, ou US$ 0,60 por ação, no mesmo período do ano passado. A receita total subiu para US$ 8,03 bilhões contra US$ 5,38 bilhões no primeiro trimestre de 2016. O faturamento com publicidade para dispositivos móveis representou cerca de 85% da arrecadação total com propaganda, de US$ 7,86 bilhões, no primeiro trimestre deste ano. Em 2016, o percentual era de 82%. A rede social dever gerar US$ 31,94 bilhões de dólares em receita com propaganda para dispositivos móveis neste ano no mundo, alta de 42,1% sobre 2016, segundo a empresa de pesquisa de mercado eMarketer. A companhia de análise projeta que, se confirmado, esse resultado deverá dar ao Facebook 22,6% de participação no mercado mundial de publicidade móvel, logo atrás do Google (35,1%).

Ajustes para permanecer no topo

A empresa de Mark Zuckerberg parece mostrar competência até mesmo ao preparar terreno a uma provável desaceleração, sinalizando aos investidores que tamanha velocidade de crescimento tem limites, mesmo que isso faça muita gente segurar a respiração. “Uma empresa que tem faturamento anual de quase US$ 30 bilhões, mas ainda está crescendo em quase 50% por trimestre é quase inédito. Mas também levanta a possibilidade de que este fenomenal crescimento vai começar a desacelerar, e é provável que os investidores estejam assustados com isso”, comentou o jornalista Mathew Ingram, especialista em tecnologia da revista Fortune.

O Facebook, de fato, afirmou em sua última atualização trimestral que espera ver sua taxa de crescimento de publicidade “cair significativamente” em 2017, muito por conta da redução no volume de publicidade que fará em seu feed de notícias. Ao mesmo tempo, o Facebook disse que seus custos deverão aumentar em mais de 50% no próximo trimestre, uma vez que faz uma série de investimentos no que chamou de “iniciativas significativas”: as tais promessas para limpar o lixo.

As notícias falsas pautam as agendas políticas

Na prática, a empresa norte-americana patina na faxina. No ambiente político, a França é o caso mais recente. O Facebook informou ter feito um esforço para evitar a propagação de mentiras na sua plataforma e, com isso, evitar embaralhar a eleição presidencial do país, como havia ocorrido no processo eleitoral dos Estados Unidos e no referendo que levou a Inglaterra a abandonar a União Europeia, em 2016. A dois dias do segundo turno da eleição presidencial, neste domingo (7), entretanto, uma enxurrada de notícias falsas tomou conta das redes sociais.

As desinformações, boatos e mentiras migraram do virtual para o real e pautaram o último debate entre os candidatos Emmanuel Macron e Marine Le Pen. E, mais uma vez, as farsas virtuais ocuparam o espaço que deveria ser do debate sobre o bem-estar dos franceses. Em se tratando da França, o mesmo tinha ocorrido na primeira etapa da disputa eleitoral francesa, em abril, marcada pelas falsidades, mesmo com todos as medidas anunciadas pelo Facebook.

Mundo cão ao vivo e à mão

Ao malefício das mentiras que interferem no destino político do mundo, somam-se outros escândalos estarrecedores. Muitos concentram-se no sistema de vídeo ao vivo implantando pelo Facebook em 2015. Em julho de 2016, uma norte-americana transmitiu a morte do próprio namorado, baleado por um policial dentro do carro. Em 16 de abril deste ano, outro norte-americano, Steve Stephens, fez um streaming (o Facebook nega que tenha sido ao vivo) dele mesmo assassinando um idoso sem motivo algum. Após permanecer foragido, o assassino suicidou. Recentemente, na Tailândia, em transmissão ao vivo na rede social de Mark Zuckerberg, um pai matou a filha, de 11 meses, e em seguida se enforcou. O vídeo ficou no ar por quase 24 horas.

Após essas atrocidades, o Facebook disse que vai contratar mais 3 mil funcionários ao longo do próximo ano. O trabalho deles será responder a denúncias de publicação na rede social de material inapropriado e acelerar a remoção de vídeos exibindo assassinatos, suicídios e outros atos de violência, disse o Zuckerberg nesta semana. “Apesar da indústria alegar o contrário, eu não conheço nenhum mecanismo computadorizado que pode fazer este trabalho adequadamente, com precisão, 100 por cento em vez de seres humanos. Nós não temos essa tecnologia ainda”, disse Sarah Roberts, professora de estudos de informação na Universidade da Califórnia em Los Angeles, que acompanha o monitoramento de conteúdo.

Sarah, porém, lembra que essas pessoas enfrentarão dificuldades psicológica extremas para realizar seus trabalhos. “As pessoas podem ser altamente afetadas e dessensibilizadas. Não está claro que o Facebook esteja mesmo ciente dos resultados a longo prazo, não importa o quanto procure controlar a saúde mental dos trabalhadores “, disse.

Opções para encantar audiências

Ao mesmo tempo, o Facebook continua apostando em vídeos (neste caso, conteúdo próprio, ensaiando competir com broadcasts) como negócio principal, no Instagram, plataforma de imagens do Facebook em rápida evolução (já tem 700 milhões de usuários), e em outras parafernálias tecnológicas, das mais simples (as reações a comentários de outras pessoas, por exemplo) às de extrema complexidade (como o drone Aquila, que pode voar 27,5 km e permanecer no ar durante 90 dias). Messenger, WhatsApp e Oculus VR provavelmente não representarão receitas no curto prazo, dizem especialistas, mas tem papel importante no ambicioso cardápio oferecido por Zuckerberg.

Leia mais em:

http://fortune.com/2017/05/03/facebook-results/?iid=sr-link3

http://www.businessinsider.com/facebook-q1-earnings-preview-what-to-expect-2017-5?nr_email_referer=1&utm_source=Sailthru&utm_medium=email&utm_content=TechSelect&pt=385758&ct=Sailthru_BI_Newsletters&mt=8&utm_campaign=BI%20Tech%20%28Wednesday%20Friday%29%202017-05-03&utm_term=Tech%20Select%20-%20Engaged%2C%20Active%2C%20Passive%2C%20Disengaged

http://br.reuters.com/article/internetNews/idBRKBN17Z20H-OBRIN

https://www.theguardian.com/technology/2017/may/04/facebook-content-moderators-ptsd-psychological-dangers?utm_source=esp&utm_medium=Email&utm_campaign=GU+Today+USA+-+Collections+2017&utm_term=224515&subid=21718551&CMP=GT_US_collection

https://www.statista.com/chart/2496/facebook-revenue-by-segment/

http://www.bbc.com/mundo/noticias-39806985

http://link.estadao.com.br/noticias/cultura-digital,facebook-agora-permite-reacoes-em-comentarios,70001762141

http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,macron-entra-com-acao-por-divulgacao-de-noticias-falsas-a-seu-respeito,70001763401

Publicado em Jornal ANJ Online

O conglomerado de mídia do magnata Rupert Murdoch acirrou suas críticas ao duopólio Google-Facebook. Em entrevista ao jornal francês Les Echos, o CEO do grupo Dow Jones, Will Lewis, disse que as duas empresas norte-americanas devem parar com o deliberado preconceito ao jornalismo profissional, por meio de algoritmos que valorizam na web os conteúdos gratuitos ao invés das informações de qualidade jornalística, muitas vezes pagas. Robert Thomson, CEO da News Corp, holding da Dow Jones e dos jornais de Murdoch, por sua vez, tem afirmado que Google e Facebook transformaram-se nos “publishers mais poderosos da humanidade” e manipulam o fluxo de informações para obterem vantagem financeira e criam um ambiente “disfuncional e socialmente destrutivo” a jornalistas e editores.

Em recente artigo no diário britânico Times (de Murdoch), Thomson disse que o Google “ignora deliberadamente” a fonte do conteúdo para obter lucro”. Ao comentar a forma como a companhia de buscas favorece a visibilidade dos anúncios de seus produtos e não a das marcas que pagam pela mesma exposição, o CEO da News Corp afirmou que o ditador norte-coreano Kim Jong-un deve sentir “inveja” da manipulação.

Sobre o Facebook, Thomson comentou que, na mídia social, o destino do jornalismo é o mesmo dos “resíduos que flutuam sobre o mar”. Além disso, continuou ele, o duopólio leva a “uma ladeira escorregadia em direção a censura porque o Vale do Silício não tem tradição de argumentação do que é certo ou errado, [o que leva estes grupos] a uma política ou a serem politicamente corretos ‘quando surgem problemas’”.

O discurso dos dois executivos colocam Murdoch ao lado grupo de mídia alemão Axel Springer, o primeiro a endurecer diante da insistência do Facebook em não se responsabilizar pelas falsas notícias propagadas na web. A editora, segundo informou o Financial Times, decidiu não verificar fatos para a rede social e levantou a voz contra as parcerias que a empresa norte-americana tem feito junto a outros publishers com esse objetivo. O CEO da companhia, Mathias Döpfner, disse considerar “um erro fundamental” para editores ou broadcasters públicas ajudarem as mídias sociais a resolver os problemas de credibilidade delas.

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https://www.lesechos.fr/tech-medias/medias/0211974258304-le-groupe-murdoch-a-declare-la-guerre-a-facebook-et-google-2080182.php

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