A multa recorde de quase R$ 9 bilhões aplicada pela União Europeia (UE) ao Google nesta terça-feira (27) pode ter repercussão no Brasil, onde a empresa norte-americana também é acusada de abusar de seu domínio nas buscas na internet para favorecer seu comparador de preços. Em 2011, o E-Commerce Media Group fez uma denúncia ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) – processo administrativo n° 08012.010483/2011-94 –, argumentando que a posição de destaque dada aos resultados do Google Shopping prejudica as demais empresas do setor.

O E-Commerce, segundo relatou o jornal Folha de S.Paulo, reclamou, por exemplo, que quando alguém procura um produto, como uma geladeira, a comparação de preços feita pelo Google aparece antes dos links dos serviços concorrentes, afastando potenciais consumidores. A possibilidade de lojas pagarem para aparecer nos melhores resultados do Google Shopping foi aberta em 2013. No mesmo ano, foi instaurado um processo com base na denúncia do E-Commerce Media Group. Antes, o serviço do Google se chamava Product Search, e funcionava gratuitamente.

Em documentos submetidos ao Cade, o E-Commerce adicionou detalhes à denúncia de que o Google dava benefícios extra ao seu serviço. Por exemplo: poucos dias após a estreia, o Google Shopping já era o primeiro item da busca. Alega ainda que a busca do Google permitia a veiculação de anúncios com foto pelo Google Shopping, mas não por sites concorrentes de comparação de preços – dados do Google indicam que anúncios com imagens são clicados, no mínimo, duas vezes mais.


Ouvido pela Folha de S.Paulo, Antonio Coelho Lima Jr., executivo do site JáCotei, também se queixa da prática da empresa de buscas na internet. “Quando faz isso, o Google não está cumprindo a prática de dar os resultados mais relevantes primeiro. Demonstra que primeiro vem a empresa, depois o consumidor”, afirmou. Os acessos de seu site, disse, caíram mais de 40% após o Product Search ganhar um espaço privilegiado na busca, em 2009. Ele criou um programa de milhas para tentar fidelizar seus clientes na época.

O processo aberto a partir de reclamação do E-Commerce, informou o jornal paulista, está em análise na Superintendência-Geral do Cade. Procurado pela Folha de S.Paulo, o Google afirmou que não se pronuncia sobre o assunto.

Leia mais em:
http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/buscape-vai-usar-decisao-da-uniao-europeia-contra-google-para-tentar-ganhar-processo-contra-empresa-no-brasil.ghtml
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/06/1896539-no-brasil-google-e-alvo-de-processo-por-pratica-que-rendeu-multa-na-ue.shtml

Publicado em Jornal ANJ Online

A multa recorde de quase R$ 9 bilhões aplicada pela União Europeia (UE) ao Google nesta terça-feira (27) pode ter repercussão no Brasil, onde a empresa norte-americana também é acusada de abusar de seu domínio nas buscas na internet para favorecer seu comparador de preços. Em 2011, o E-Commerce Media Group fez uma denúncia ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) – processo administrativo n° 08012.010483/2011-94 –, argumentando que a posição de destaque dada aos resultados do Google Shopping prejudica as demais empresas do setor.

O E-Commerce, segundo relatou o jornal Folha de S.Paulo, reclamou, por exemplo, que quando alguém procura um produto, como uma geladeira, a comparação de preços feita pelo Google aparece antes dos links dos serviços concorrentes, afastando potenciais consumidores. A possibilidade de lojas pagarem para aparecer nos melhores resultados do Google Shopping foi aberta em 2013. No mesmo ano, foi instaurado um processo com base na denúncia do E-Commerce Media Group. Antes, o serviço do Google se chamava Product Search, e funcionava gratuitamente.

Em documentos submetidos ao Cade, o E-Commerce adicionou detalhes à denúncia de que o Google dava benefícios extra ao seu serviço. Por exemplo: poucos dias após a estreia, o Google Shopping já era o primeiro item da busca. Alega ainda que a busca do Google permitia a veiculação de anúncios com foto pelo Google Shopping, mas não por sites concorrentes de comparação de preços – dados do Google indicam que anúncios com imagens são clicados, no mínimo, duas vezes mais.


Ouvido pela Folha de S.Paulo, Antonio Coelho Lima Jr., executivo do site JáCotei, também se queixa da prática da empresa de buscas na internet. “Quando faz isso, o Google não está cumprindo a prática de dar os resultados mais relevantes primeiro. Demonstra que primeiro vem a empresa, depois o consumidor”, afirmou. Os acessos de seu site, disse, caíram mais de 40% após o Product Search ganhar um espaço privilegiado na busca, em 2009. Ele criou um programa de milhas para tentar fidelizar seus clientes na época.

O processo aberto a partir de reclamação do E-Commerce, informou o jornal paulista, está em análise na Superintendência-Geral do Cade. Procurado pela Folha de S.Paulo, o Google afirmou que não se pronuncia sobre o assunto.

Leia mais em:
http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/buscape-vai-usar-decisao-da-uniao-europeia-contra-google-para-tentar-ganhar-processo-contra-empresa-no-brasil.ghtml
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/06/1896539-no-brasil-google-e-alvo-de-processo-por-pratica-que-rendeu-multa-na-ue.shtml

Publicado em Jornal ANJ Online

A possibilidade de o Google lançar em breve um bloqueador de anúncios próprio para seu navegador Chrome (utilizado por 52% dos usuários na web) foi recebido com ceticismo e receio por muitos publishers, informou o site Digiday. “Um monopólio que já não é afetado pelos ad blockers em geral, porque paga pelas listas brancas [neste caso, o Google usa os serviços Adblock Plus, da Eyeo], ganhando mais poder é assustador”, sintetiza Meagan Lopez, diretora global de negócios digitais do The New York Times. No entendimento dela, ao possuir o controle e o poder de decisão sobre a qualidade dos anúncios, a empresa de buscas norte-americana pode restringir ainda mais a autonomia dos publishers e impactar de forma negativa as já minguadas receitas dos produtores de conteúdo se comparadas ao que faturam Google e Facebook.

Na semana passada, o jornal Wall Street Journal noticiou que o Google pretende implantar, provavelmente em maio, um ad blocker nativo ao Chrome, nas versões mobile e desktop, com a capacidade de levantar um muro a anúncios não adequados às regras da Coalition for Better Ads. Participam deste grupo gigantes como Facebook, Procter & Gamble, News Corp, The Washington Post, Microsoft e GroupM, além da Associação Nacional dos Anunciantes norte-americana. Entre os anúncios que fogem às normas da coalizão estão, naturalmente, aqueles que desagradam a todos: músicas ou vídeos que rodam de forma automática, pop-ups, banners com contagem regressiva para visualizar conteúdo e janelas persistentes, entre outros.

Do ponto de vista dos interesses comerciais do Google, diversas reportagens e sites especializados relatam que a empresa sabe que não pode desagradar o público (cerca 26% dos usuários de desktop nos Estados Unidos possuem instalado algum bloqueador) e, ao mesmo tempo, quer evitar o fortalecimento do mercado de ad blockers de terceiros. Na prática, o Google não tem total controle nas operações dessas companhias, que cobram taxas dos anunciantes, assim como a própria Eyeo faz com a empresa de buscas na web.

O Google estaria estudando também a possibilidade de bloquear anúncios individuais ou todas as publicidades dentro de sites que não cumprirem o “limiar de aceitabilidade do consumidor”, relatou o Gizmodo Brasil, citando a reportagem do Wall Street Journal. Um publisher disse ao Digiday que soube, inclusive, que o Google agiria até mesmo de forma preventiva.  “Estamos esperando para ver se teremos algum anúncio inapropriado”, disse outro publisher, preferindo não se identificar.

Há, claro, implicações antitruste, não apenas nos Estados Unidos, mas na União Europeia, onde a companhia de buscas enfrenta forte reação a suas práticas comerciais que ferem princípios competitivos. O Google, escreve o Digiday, certamente não vai bloquear anúncios em sua mídia social de vídeos YouTube. Mas o que impediria a empresa de bloquear anúncios de outros por um capricho?  “Isso é assustador”, diz Meagan Lopez, do The New York Times. “Não apenas isso, mas eles pretendem bloquear sites que tenham um anúncio ruim, qual é o processo para permanecer na lista branca? Como você pode voltar a cair nas boas graças deles?” O Google, informou o Digiday, disse não se manifestar sobre rumores e especulações.

Leia mais em:

http://digiday.com/media/publishers-fear-fallout-google-backed-ad-blocker/

https://www.wsj.com/articles/google-plans-ad-blocking-feature-in-popular-chrome-browser-1492643233

http://www.businessinsider.com/google-chrome-ad-blocker-popularity-world-chart-2017-4?nr_email_referer=1&utm_source=Sailthru&utm_medium=email&utm_content=COTD&utm_campaign=Post%20Blast%20%28sai%29:%20Here%E2%80%99s%20how%20many%20people%20use%20ad%20blockers%20around%20the%20world&utm_term=Tech%20Chart%20Of%20The%20Day%20-%20Engaged%2C%20Active%2C%20Passive%2C%20Disengaged

http://www.businessinsider.com/why-google-has-to-build-its-own-adblocker-2017-4?nr_email_referer=1&utm_source=Sailthru&utm_medium=email&utm_content=TechSelect&pt=385758&ct=Sailthru_BI_Newsletters&mt=8&utm_campaign=BI%20Tech%20%28Tuesday%20Thursday%29%202017-04-20&utm_term=Tech%20Select%20-%20Engaged%2C%20Active%2C%20Passive%2C%20Disengaged

Publicado em Jornal ANJ Online

O conglomerado de mídia do magnata Rupert Murdoch acirrou suas críticas ao duopólio Google-Facebook. Em entrevista ao jornal francês Les Echos, o CEO do grupo Dow Jones, Will Lewis, disse que as duas empresas norte-americanas devem parar com o deliberado preconceito ao jornalismo profissional, por meio de algoritmos que valorizam na web os conteúdos gratuitos ao invés das informações de qualidade jornalística, muitas vezes pagas. Robert Thomson, CEO da News Corp, holding da Dow Jones e dos jornais de Murdoch, por sua vez, tem afirmado que Google e Facebook transformaram-se nos “publishers mais poderosos da humanidade” e manipulam o fluxo de informações para obterem vantagem financeira e criam um ambiente “disfuncional e socialmente destrutivo” a jornalistas e editores.

Em recente artigo no diário britânico Times (de Murdoch), Thomson disse que o Google “ignora deliberadamente” a fonte do conteúdo para obter lucro”. Ao comentar a forma como a companhia de buscas favorece a visibilidade dos anúncios de seus produtos e não a das marcas que pagam pela mesma exposição, o CEO da News Corp afirmou que o ditador norte-coreano Kim Jong-un deve sentir “inveja” da manipulação.

Sobre o Facebook, Thomson comentou que, na mídia social, o destino do jornalismo é o mesmo dos “resíduos que flutuam sobre o mar”. Além disso, continuou ele, o duopólio leva a “uma ladeira escorregadia em direção a censura porque o Vale do Silício não tem tradição de argumentação do que é certo ou errado, [o que leva estes grupos] a uma política ou a serem politicamente corretos ‘quando surgem problemas’”.

O discurso dos dois executivos colocam Murdoch ao lado grupo de mídia alemão Axel Springer, o primeiro a endurecer diante da insistência do Facebook em não se responsabilizar pelas falsas notícias propagadas na web. A editora, segundo informou o Financial Times, decidiu não verificar fatos para a rede social e levantou a voz contra as parcerias que a empresa norte-americana tem feito junto a outros publishers com esse objetivo. O CEO da companhia, Mathias Döpfner, disse considerar “um erro fundamental” para editores ou broadcasters públicas ajudarem as mídias sociais a resolver os problemas de credibilidade delas.

Leia mais em:

https://www.lesechos.fr/tech-medias/medias/0211974258304-le-groupe-murdoch-a-declare-la-guerre-a-facebook-et-google-2080182.php

Publicado em Jornal ANJ Online

Os publishers precisam se preparar para uma nova etapa no esforço de quebrar o duopólio Google-Facebook e não repetir equívocos que acabaram por fortalecer as duas mídias de base tecnológica. Vale a pena estudar a advertência, pois ela vem do CEO da Bloomberg Media, Justin Smith, uma das principais vozes a criticar, no passado recente, a onda que levou diversas companhias a distribuir seus conteúdos em ferramentas como Instant Articles (da rede social de Mark Zuckerberg) e o AMP (da empresa de buscas na web). Essa prática, de fato, engordou as receitas das duas empresas, enquanto as promessas de ganhos aos donos das informações não se concretizaram. Agora, na nova fase dessa disputa – que envolve cifras superiores a US$ 250 bilhões –, Smith diz que os publishers contam com alguns trunfos na manga que podem garantir a eles uma significativa fatia desse bolo. Para isso, entretanto, precisam seguir com rigor uma espécie de guia de sobrevivência.

Em recente exposição feita no evento anual promovido pelo site Digiday, o Digital Publishing Summit in Vail, Smith destacou que a revolução digital ainda está apenas no começo, uma vez que 65% da receita total de anúncios permanecem nas plataformas tradicionais – como as TVs e os jornais – e boa parte disso deve, aos poucos, migrar para o digital. Além do cenário em que cresce a pressão sobre Facebook e Google (até com boicote de grandes anunciantes, no caso da empresa de buscas), o CEO da Bloomberg, enfatizou que os publishers têm de colocar em prática ações que somente são possíveis para quem, como eles, possuem marcas fortes e de muita credibilidade.

Um dos conselhos de Smith é a diferenciação, com potencial para reverter uma situação na qual as plataformas tecnológicas transformaram os meios de comunicação em commodities, com todos produzindo o mesmo tipo de conteúdo. “[Ao contrário], é preciso produzir conteúdos que ninguém mais possui e, assim, converter as informações em leituras obrigatórias às audiências”. O CEO Bloomberg ressaltou que os publishers têm de potencializar suas marcas, manter uma relação direta com as audiências, permanecer exigentes com as plataformas tecnológicas e fazer o que elas não sabem. Precisam ainda deixar de depender da publicidade programática, trabalhar melhor com dados e traçar uma ótima estratégia de vídeo. Ao mesmo tempo, frisou Smith, o idelal é pensar globalmente, mas operar localmente ou fragmentar-se em nichos.

Leia mais em:

http://digiday.com/media/bloomberg-media-ceo-justin-smith-digital-revolution-just-beginning/?utm_source=digidayemail-wide&utm_medium=email&utm_campaign=digidaydis&utm_content=monthly-newsletter-bloomberg

Publicado em Jornal ANJ Online