O duopólio digital formado por Google (da Alphabet) e Facebook anunciou nos últimos dias novas iniciativas que, segundo as duas empresas, atendem a algumas correções pedidas por publishers, marcas anunciantes e autoridades reguladoras. As promessas incluem sistemas que poderiam garantir melhor monetarização aos produtores de conteúdo – via publicidade ou assinaturas digitais – e maior controle a falsos cliques que iludem anunciantes. Para alguns analistas, as novidades sugerem que, apesar da gigantesca disparidade a favor do duopólio no mercado digital (as duas empresas representaram 85% de todas as novas despesas de publicidade online em 2016, segundo informe da Kleiner Perkins), a balança parece se mover ligeiramente para o lado do jornalismo neste momento. Outros, entretanto, dizem acreditar que as mudanças afetam muito pouco o atual formato do mercado digital. Para alguns, inclusive, são ajustes feitos para manter e aumentar controle, em concorrência direta entre Google e Facebook ou em relação a outras empresa com base em tecnologia.

Os anúncios feitos pelas companhias de mídia com base em tecnologia chegam depois de um boicote de anunciantes e acirramento das ações da União Europeia (UE) contra práticas anticompetitivas do Google (incluindo um multa bilionária) e das constantes reclamações dos publishers de promessas não cumpridas pelo Facebook em seu Instant Articles, que agrega reportagens de diversas empresas de comunicação e oferece carregamento rápido no meio mobile. As novas iniciativas surgem também diante da incapacidade das duas empresas norte-americanas de impedir mentiras discursos odiosos e preconceituosos em suas plataformas, que muitas vezes aparecem inadvertidamente associadas a marcas anunciantes. Finalmente, a reação se dá logo depois dos jornais norte-americanos e franceses terem se unido, em seus países, para combater as vantagens obtidas por Google e Facebook no mercado de mídia ao atuarem como duopólio.

As pedras no caminho das duas empresas de mídia com base em tecnologia são pequenas diante do gigantismo delas, mas mexem com os interesses comerciais das duas empresas e, provavelmente por isso, motivam as mudanças. Na guerra travada entre a UE e o Google, por exemplo, a recente sanção à companhia norte-americana é, à primeira vista, pequena para uma companhia que vale US$ 679 bilhões, mas impactou as estimativas de analistas, diz a revista Exame. No segundo trimestre do ano passado, o lucro da Alphabet havia sido de US$ 5,8 bilhões, um aumento de 21% sobre o lucro do mesmo período no anterior, de US$ 4,8 bilhões. Esse ano, relata a publicação da editora Abril, os analistas esperam um baque: o banco Goldman Sachs, por exemplo, cortou as estimativas de lucro por ação pela metade, de U$ 8,64 para U$ 4,60, em virtude do custo da multa aplicada pela UE. É esperado um faturamento de US$ 25,6 bilhões de dólares no período.

Assinaturas digitais

Há ainda sinais de transformação no comportamento das pessoas na busca por informação, algo que também pressiona o duopólio. A ombudsman da Folha de S.Paulo, Paula Cesarino Costa, escreveu sobre isso na edição do último domingo (23) do jornal paulista. “Se as assinaturas das versões impressas seguem em queda, os assinantes digitais crescem e permitem vislumbrar cenários melhores, em que a receita publicitária deixará de ser preponderante para os jornais”, afirma a jornalista. Ela lembra do recente estudo do Instituto Reuters, que aponta como uma das novidades o aumento da propensão do leitor a pagar por notícia online, cita que pesquisas mostram, em alguns países desenvolvidos, a tendência de saturação do uso de redes sociais para obter notícias e destaca uma novidade: a intenção de jovens consumidores de pagar por informação de qualidade.

O conteúdo pago está no centro de uma das medidas anunciadas recentemente pelo Facebook. A empresa confirmou que, a partir de outubro deste ano, vai começar a testar uma plataforma paga de notícias produzidas por veículos de comunicação, em um sistema semelhante ao paywall adotado em sites de jornais, a partir de outubro deste ano, informou o jornal O Globo. O paywall, que vem sendo discutido com as tradicionais produtoras de conteúdo, permite o acesso gratuito a um número limitado de matérias; depois disso, o leitor precisa assinar o serviço.

Em busca de um padrão

Campbell Brown, que lidera a equipe de parcerias de notícias no Facebook, informou que o novo serviço seria feito a partir do Instant Articles, segundo o site TechCrunch, e que as conversas com as empresas jornalísticas ainda estão em estágio inicial para encontrar a melhor forma de explorar o sistema de assinaturas. “Como parte do Projeto de Jornalismo do Facebook, estamos usando o tempo para trabalhar de perto com nossos parceiros e entender as necessidades deles”, explicou Campbell, de acordo com o portal.

O paywall do Facebook limitaria o acesso a dez reportagens por mês, embora cada empresa de comunicação que usa este tipo de sistema costume definir um número diferente. O TechCrunch explica que fontes na empresa disseram que o número unificado é uma forma de criar um padrão para os usuários da rede social. Depois de acessar os dez textos, a pessoa teria de criar uma assinatura do serviço ou fazer login em uma já existente. Ainda conforme o TechCrunch, os parceiros de mídia teriam controle total das histórias que ficariam dentro do paywall e quais poderiam ser lidas livremente.

O mesmo valeria para os dados dos assinantes. Contudo, ressalta o TechCrunch, não se sabe qual acesso eles teriam aos dados de leitura e histórico dos usuários. Falta saber também como será recolhido o pagamento das assinaturas feitas pelo paywall do Facebook. “Levará algum tempo até que tenhamos resultados claros. Mas estamos comprometidos com o formato de assinatura porque suporta um bom jornalismo, é a única maneira de obter certos tipos de conteúdo e se tornou um modelo importante em uma indústria que se transforma rapidamente “, disse Patrick Walker, diretor de parcerias com a mídia do Facebook ao site especializado em jornalismo Press Gazette.

Proposta “ridícula”

A ajuda do Facebook e do Google para a venda de assinaturas integra a reivindicação de publicações norte-americanas que, por meio da News Media Alliance (NMA), pedem mudanças na legislação dos Estados Unidos para poderem negociar coletivamente com o duopólio digital. Mas há quem critique esse sistema. Em texto para o Nieman Lab (republicado no Brasil pelo site Poder360) o analista da indústria de notícias Ken Doctor reproduz o que Ben Thompson, outro analista de mídia, do site Stratechery, diz sobre isso: “De fato, está é a parte mais ridícula dessa proposta. Uma das questões que Chavern [David Chavern, CEO da NMA] deseja negociar coletivamente com o Facebook e o Google é ‘melhor modelo para conseguir assinantes’. Em outras palavras, Chavern deseja agregar o Facebook e o Google em um único mercado – de assinaturas –, no qual os jornais possuem um modelo de vendas bastante viável.”

Thompson afirma que é fácil imaginar como isso pode acontecer. “O Google e o Facebook criam promoções para os publishers, eventualmente passam a ter um pacote do futuro, e, pelo fato de conquistarem o consumidor, raspam o máximo possível dos lucros, deixando para as empresas jornalísticas desesperadas buscar ‘page views’ para ganhar sua parcela minúscula da receita. Isso parece familiar para você?”

Sites piratas

Em outra frente de medidas recentes, o duopólio diz ter se armado melhor contra os sites piratas (URLs falsas) especializados em fraudar sistemas de publicidade programática e atrair anúncios. Em seu mais recente relatório de transparência, o Google afirma ter removido nos últimos anos mais de 2,5 bilhões de em 2016, a companhia diz ter eliminado mais de 931 milhões de páginas fraudadoras, relata o site Meio&Mensagem. Ao mesmo tempo, o Facebook, também garante estar fazendo mais investimentos e iniciado testes para conter a proliferação dos links caça-cliques, muitos deles originados nas páginas piratas que a empresa da Alphabet tem removido.

Em novembro do ano passado, ainda de acordo com o Meio&Mensagem, Google e Facebook haviam anunciado medidas para punir sites falsos que espalham conteúdos noticiosos online. Na ocasião, o Google afirmou implementar uma ferramenta que tira anúncios de sites que colocam conteúdos falsos ou inconsistentes para tentar banir esses portais. O Facebook, por sua vez, informou que já existem regras que mostram que anúncios não serão exibidos em apps ou sites que são ilegais, enganosos ou ilusórios. Dados do Facebook mostram que existem mais de 80 milhões de perfis falsos que impactam diretamente no retorno das campanhas.

O Google, com a ajuda de alguns gigantes da mídia, diz o site Business Insider, está assumindo a liderança nesse contra-ataque. A empresa buscas da web realizou silenciosamente testes com um punhado de grandes propriedades de mídia, incluindo NBCU, CBS e The New York Times. Durante esses testes, Google e sues parceiros desligaram todo o inventário de anúncios programáticos por breves períodos, digamos, de 10 a 15 minutos, e depois exploram as trocas de anúncios para ver o que estava listado. Encontraram milhares, se não milhões, de spots de anúncios de vídeo e exibição ainda disponíveis em várias bolsas de anúncios, apesar de nenhum anúncio estar sendo vendido naquele momento. O Google também descobriu que fraudadores afirmam poder vender o inventário do anúncio do YouTube em várias bolsas.

Leia mais em:

Facebook tries to prove Instant Articles beat mobile web

https://oglobo.globo.com/economia/negocios/em-parceria-com-jornais-facebook-testara-modelo-de-assinatura-de-noticias-21608565

http://www1.folha.uol.com.br/tec/2017/07/1902417-pagina-principal-do-google-vai-incluir-secao-de-noticias-e-videos-populares.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/07/1900468-google-e-facebook-aceleram-parcerias-com-midia-tambem-no-brasil.shtml

http://fortune.com/2017/07/17/should-we-use-antitrust-law-against-google-or-facebook/

http://www.campaignlive.co.uk/article/facebook-battles-fake-news-editorial-rights/1440168

Publicado em Jornal ANJ Online

A intervenção dos reguladores antitruste da União Europeia (UE) e dos Estados Unidos ao Google afetou pela primeira vez os resultados da companhia que controla a empresa de buscas, a Alphabet. A multa recorde de € 2,4 bilhões (US$ 2,7 bilhões) aplicada em junho pela UE ao Google por causa de abuso do domínio no mercado de buscas, derrubou o lucro da Alphabet em 27,7% no segundo trimestre (US$ 3,5 bilhões) na comparação com o mesmo período do ano passado (US$ 4,9 bilhões). De acordo com analistas, a queda, a maior desde 2008, talvez seja apenas o primeiro tremor de uma etapa de grande turbulência para a companhia norte-americana, que pode até ser obrigada a fazer o que não quer: mudar algumas de suas práticas comerciais. Isso porque a tendência é a de que a pressão regulatória aumentará e, como agora, acredita-se que isso terá impacto financeiro à gigante do Vale do Silício que, ao lado Facebook, forma o duopólio dominante no mercado digital.

Na União Europeia, o Google enfrenta pelo menos duas grandes frentes de investigação – no sistema operacional Android, para celulares, e no serviço de publicidade online AdSense – que podem gerar novas pesadas multas. A UE também avalia o comportamento do Google nos serviços de mapas, viagens e resenhas de restaurantes, que também causaram queixas às autoridades regulatórias, além de ter dado um prazo para a Alphabet resolver o problema que gerou a recente multa bilionária a sua unidade de buscas na web. Além disso, a Reuters relata que, em junho, as autoridades da UE deram ao Google, Facebook, e Twitter um prazo até setembro para melhorarem suas propostas de alterações e se adequarem ao que pede a Comissão Europeia. Além disso, a Alphabet enfrenta batalhas específicas com alguns países da Europa, como Rússia, Alemanha, França e Itália.

Toda essa pressão sustenta, segundo escreveu Aoife White, da Bloomberg (ainda no fim de junho), o fato de que a “principal preocupação da empresa americana passa a ser a maneira pela qual as autoridades regulatórias ordenaram que ela mudasse sua forma de conduzir buscas de comércio online, uma de suas principais fontes de crescimento, e arma contra rivais como o Facebook e a Amazon”. Jeeff Dunn, do Business Insider, detalha que o Google e seus agregados são a única frente rentável para Alphabet, que tem investido milhões de dólares em diferentes tecnologias. Certamente pensando nisso a empresa anunciou agora a primeira grande mudança em 20 anos de sua página na internet, para que fique mais atrativa, até com um feed de notícias semelhante ao do Facebook. A base para isso é o conteúdo personalizado, construído a partir do trabalho das empresas jornalísticas e distribuído com o escrutínio dos dados dos usuários do Google.

O gigante de buscas, ainda de acordo com a Bloomberg, terá “a espada de Dâmocles pendendo sobre sua cabeça”, disse Jay Modrall, advogado do escritório Norton Rose Fullbright, em Bruxelas, ao comentar a sanção aplicada em junho. Agora, continuou ele, fazer ou não mudanças para responder às preocupações da União Europeia deixou de ser escolha da empresa. Ela passará a operar “sob a obrigação legal de realizá-las, e está notificada de que, se suas ações para tanto forem insuficientes, sofrerá novas multas”.

Nesta terça-feira (25), o Financial Times (FT) fez análise semelhante. “Com sua posição de liderança na busca, nos sistemas operacionais móveis e navegadores de internet, além de uma participação de 40% na receita de anúncios digitais dos Estados Unidos, a empresa [Alphabet] tem um alvo nas costas”. O FT informou que, na segunda-feira (24), dia do anúncio dos resultados trimestrais a companhia norte-americana, Brian Wieser, da Pivotal Research, disse que a decisão da UE “pode obrigar o Google a fazer mudanças em outras partes do seu negócio”, enquanto é incerta o quanto positiva ou negativa pode ser a nova política europeia de privacidade que entrará em vigor no próximo.

Na defensiva

Na apresentação dos resultados do segundo trimestre, nesta segunda-feira (24), Sundar Pichai, presidente executivo (CEO) do Google, procurou minimizar a pressão e o impacto da multa aplicada pela UE e as possíveis novas sanções. Abaixo de questionamento dos investidores, relatou o FT, os executivos da Alphabet foram forçados a defender o modelo de negócios das empresas agrupadas na holding, como YouTube, Google Maps e Android, mas não conseguiram esconder desconforto com o momento da companhia. Ruth Porat, diretora financeira da Alphabet , disse aos investidores que empresa está “revisando” suas “opções” depois que a UE decidiu que o Google abusara do seu domínio na busca na web para dar “vantagem ilegal” ao seu próprio serviço de compras.

Pichai, por sua vez, insistiu, por exemplo, que o sistema operacional Android é um “mercado muito aberto” que “funciona bem para todos os envolvidos”. “Espero que isso continue”, disse ele, apesar de de a UE alegar que o sistema restringe a concorrência, exigindo que os fabricantes smartphones com Android instalem os aplicativos para plataformas da da Alphabet. Ao responder sobre o uso dos dados dos usuários do Google para direcionar publicidade nas demais plataformas da Alphabet, como o YouTube, o executivo foi cauteloso e disse que a empresa tenta, em operações como essa, ajudar consumidores e anunciantes a terem a “melhor experiência”. E acrescentou: “Obviamente fazemos essas coisas procurando ter certeza que estamos fazendo o certo para a privacidade do usuário. Permanecemos atentos à medida em que avançamos.”

Publicidade

O principal fator na receita, mais uma vez, foi a publicidade, que respondeu por US$ 22,7 bilhões do faturamento da empresa, puxado pelo crescimento do YouTube e da publicidade em dispositivos móveis. Desse total, no entanto, US$ 5,09 bilhões, ou 22%, foram pagos a parceiros. O valor se refere ao assim chamado custo de aquisição de tráfego (ou TAC, na sigla em inglês). No segundo trimestre do ano passado, o TAC representou 21% da receita da Google. Isso acontece porque a maior parte do crescimento da Google vem de anúncios relacionados a buscas em dispositivos móveis, publicidade no YouTube e um tipo de propaganda automatizada chamada de programática. Nesses anúncios, a empresa precisa dividir uma parte maior do dinheiro na comparação com o que é partilhado com seus tradicionais espaços publicitários em resultados de buscas.

“O crescimento no TAC acelerou pelo terceiro trimestre seguido, sugerindo custos em alta com publicidade”, explicou à Bloomberg News James Cakmak, analista da consultoria Monness Crespi Hardt. A diretora financeira da empresa, Ruth Porat, disse que a expectativa é que o TAC para propriedades da Google, como o serviço de busca e o YouTube, continuará a avançar, sugerindo que as margens de lucro podem encolher. Segundo ela, a empresa está focando em aumentar os lucros totais em vez de incrementar os da margem.

Concorrência

Cakmak e outros analistas destacaram ainda que a alta de 26% acumulada pelos papéis da Alphabet este ano fez com que as expectativas em torno dos resultados ficassem bastante elevadas. Por causa disso, o crescimento de 18,4% das receitas da Google com anúncios pareceu pouco. “As pessoas estavam esperando um crescimento de 20% nesse item, e ele veio um pouco abaixo disso” observou Ron Josey, analista da JMP Securities, em entrevista à Bloomberg.

A empresa enfrenta concorrência cada vez maior com o Facebook pelos dólares da publicidade online — setor dominado pelas duas gigantes da internet. Na projeção para 2017, porém, a expectativa, segundo a consultoria eMarketer, é que o Google fature US$ 73,8 bilhões com publicidade digital, em um crescimento de 35,2% na comparação com o ano passado. Com isso, o Google representará 33% da receita de anúncios digitais, projetados em US$ 223,7 bilhões para este ano. O Facebook aparece na segunda colocação, com projeção de US$ 36 bilhões de faturamento em publicidade este ano, ou quase US$ 40 bilhões a menos do que o Google.

O peso da sanção

No mês passado, a Comissão de defesa da concorrência da UE multou a Google em € 2,4 bilhões por considerar que a empresa favoreceu, em resultados de buscas, seu próprio serviço de compras — o que representou uma dura punição na primeira de três investigações do bloco sobre a dominância da companhia americana em buscas e em sistemas operacionais de smartphones. Logo após o anúncio da UE, a Alphabet informou que registraria o valor integral da multa como uma despesa no segundo trimestre. De acordo com o diário britânico de negócios Financial Times, sem a multa, o lucro da Alphabet teria registrado crescimento de 28%, para US$ 6,9 bilhões.

Conselho

Antes de divulgar seus resultados, a Alphabet também anunciou a entrada de Sundar Pichai, presidente executivo do Google, como o 13º membro do conselho de administração da empresa. Funcionário do Google desde 2004, o indiano Pichai está no cargo desde 2015, substituindo Larry Page, que deixou o cargo para se tornar presidente executivo da Alphabet. Além de Pichai, têm cargos no conselho os dois co-fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, bem como o ex-presidente executivo Eric Schmidt. Outra figura de destaque no conselho é Alan Mulally, ex-presidente executivo da Ford.
Leia mais em:
link.estadao.com.br/noticias/empresas,multa-bilionaria-da-ue-faz-lucro-de-dona-do-google-cair-27-7-no-2-tri,70001902754

https://oglobo.globo.com/economia/negocios/receita-da-google-sobe-mas-afetada-por-multa-bilionaria-21626454

https://www.recode.net/2017/7/24/16020330/google-digital-mobile-ad-revenue-world-leader-facebook-growth

https://www.nytimes.com/reuters/2017/07/25/business/25reuters-alphabet-results.html

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/06/1896618-problemas-do-google-multado-pela-ue-podem-estar-so-no-comeco.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/07/1903970-lucro-da-alphabet-dona-do-google-supera-expectativa-mesmo-apos-multa.shtml

http://www.elfinanciero.com.mx/tech/crece-presion-para-que-facebook-twitter-y-google-cambien-reglas-de-usuarios-en-ue.html

https://www.ft.com/content/b46de9d6-70aa-11e7-aca6-c6bd07df1a3c

https://elpais.com/tecnologia/2017/07/25/actualidad/1500960018_140521.html

https://elpais.com/tecnologia/2017/07/25/actualidad/1500960018_140521.html

Publicado em Jornal ANJ Online

Os meios de comunicação nativos digitais avançaram de forma significativa na América Latina nos últimos anos, alguns têm obtido rentabilidade econômica e, em geral, estão influenciando a forma de produzir notícias no país, contribuindo para o aprimoramento de legislações e expondo corrupção e abuso de poder. As conclusões são do estudo “Punto de inflexión” (Ponto de Inflexão), que analisou por cinco meses 100 meios de comunicação de quatro países (Argentina, Brasil, Colômbia e México) e foi realizado pela organização Sembramedia, em parceria com a fundação Omidyar Network. No entanto, diz a pesquisa 45% dos veículos consultados disseram que sofreram violência ou ameaças pelas suas coberturas, enquanto 20% admitiram ter se autocensurado após ataques.

“Depois de passar anos trabalhando com jornalistas empreendedores na América Latina, eu sabia que o trabalho deles vinha ganhando importância, mas eu não tinha me dado conta do impacto que eles estavam causando, nem o quanto se tornaram vulneráveis, antes de concluirmos este estudo”, disse Janine Warner, cofundadora do Sembramedia e Fellow do ICFJ Knight, em um comunicado da entidade. “[Empreendedores da mídia digital] estão determinados a produzir notícias independentes em países extremamente polarizados; e muitos deles estão pagando um alto preço por isso”, afirmou, segundo relato do Centro Knight.

Os veículos estudados têm como motivação principal informar de maneira independente o que ocorre em seus países, em um contexto de polarização política. Essa independência editorial, na maioria dos casos, está sendo bastante custosa para os jornalistas. A pesquisa trata, por exemplo, do caso do jornalista mexicano Luis Cardona, do veículo Pie de Página, que teve que fugir da sua cidade natal pela violência do narcotráfico e do Estado. Cardona foi sequestrado e torturado em setembro de 2012 pela reportagem que realizou nesse ano sobre o desaparecimento de 15 jovens pobres vinculados ao narcotráfico em Chihuahua.

No Brasil, o editor do site brasileiro Envolverde, Dal Marcondes, também garantiu que foi afetado por seu trabalho jornalístico. “Temos sofrido muitos ataques cibernéticos. Uma vez substituíram todas as imagens do nosso site por pornografia. Perdemos uma enorme quantidade de conteúdo e nos tomou uma semana para trocar todas as nossas imagens”, contou Marcondes aos pesquisadores da Sembramedia.

A qualidade dos veículos nativos digitais da América Latina tem sido reconhecida, pois eles têm ganhado muitos dos prêmios jornalísticos de grande prestígio na região. Por exemplo, todos os prêmios do importante festival Gabriel García Márquez de jornalismo de 2016 foram dados a meios digitais nativos. Três deles foram analisados pelo relatório da Sembramedia: Agência Pública e Repórter Brasil, ambos do Brasil, e La Silla Vacía, da Colômbia.

O relatório menciona também o Pulitzer que foi dado aos jornalistas do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, da sigla em inglês) que participaram da investigação sobre os Panama Papers; muitos deles eram jornalistas latino-americanos de meios nativos digitais.

Outro tema abordado pela pesquisa é o modelo de negócio e tipos de financiamento que os meios de comunicação consultados estão colocando em prática. O uso massivo das mídias sociais e o acesso a ferramentas de design na web, afirma o Centro Knight, tem impulsionado as iniciativas dos veículos digitais, segundo o relatório. Além do seu capital social, de conhecimentos e da experiência dos jornalistas fundadores. É assim que mais de 70% dos empreendimentos estudados começaram com menos de 10 mil dólares, e mais de 10% deles geram, atualmente, receitas de ao menos meio milhão de dólares por ano.

Leia mais em:
https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-18631-veiculos-digitais-latino-americanos-crescem-e-se-tornam-rentaveis-mas-sofrem-ataques-s

Publicado em Jornal ANJ Online

Os smartphones não representam apenas uma grande transformação na forma como as pessoas buscam informações atualmente, dando preferência ao meio digital e mobile. Esses pequenos equipamentos também estão ajudando os jornalistas a contar histórias em detalhes que antes talvez fosse impossível de fazer. Isso porque, conforme mostra recente pesquisa do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, da Universidade de Oxford (EUA), os entrevistados são menos intimidados por equipamentos de mão do que por grandes aparelhos e uma equipe de TV. De acordo com o jornalista finlandês Panu Karhunen, que liderou o estudo, o jornalismo móvel aumenta a “acessibilidade geral e fortalece as interações sociais”.

A pesquisa (Closer to the Story? Accessibility and Mobile Journalism) foi feita junto a repórteres de diferentes veículos, divididos em dois grupos que fizeram o mesmo número de entrevistas, mas com abordagem diferente. O grupo formado por profissionais atuando sozinhos com seus smartphones obteve uma taxa de retorno dos entrevistados de 33,5%. O outro, com entrevistas feitas por dois profissionais e câmera de TV, registrou índice menor, de 21%.

Por trás da diferença nos percentuais podem estar histórias fundamentais. É o caso das reportagens feitas por Yusuf Omar sobre sobreviventes de abusos sexuais, relatadas via Snapchat a partir do celular do jornalista. Outro exemplo do uso de smartphones para narrativas diferenciadas são os detalhes dramáticos da crise dos refugiados na Europa reproduzidos por veículos de comunicação como Bild, Time ou BBC. Outra característica do sistema mobile verificada pela pesquisa é que ele permite ao jornalista a produção de mais e melhor conteúdo, uma vez que permite a maior permanência do repórter nos locais onde relata os fatos.

Há também desvantagens. Uma delas é a pouca credibilidade transmitida pelo jornalista equipado apenas com o celular. Como os smartphones são muito populares, o jornalismo mobile é, às vezes, visto como menos profissional do que aquele que utiliza equipamentos como câmeras de TV. Além disso, existe perda de qualidade na imagem produzida a partir de um celular em relação a outros equipamentos de captação de imagem mais sofisticados.

Leia aqui o estudo na íntegra.

Leia mais em:

https://www.journalism.co.uk/news/mobile-journalism-helps-reporters-get-closer-to-the-story-new-reuters-research-finds/s2/a707282/

Publicado em Jornal ANJ Online

Os influentes jornais The Washington Post e The Wall Street Journal não são mais os principais concorrentes do não menos prestigioso The New York Times. Ao lado dos competidores tradicionais – muitas vezes à frente deles – estão empresas da web, como Google, Facebook, Netflix e Spotify, e publishers nativos da internet ou de fácil comunicação com os jovens (BuzzFeed e Vice, por exemplo).

A opinião é do diretor de Produto do diário com sede em Nova York, o jornalista Andrew Phelps, que está no centro das grandes transformações digitais promovidas nos últimos cinco anos pelo jornal norte-americano. As companhias com base em tecnologia, diz ele, competem por atenção e tempo.

As novas empresas de mídia, por sua vez, têm muito a ensinar aos publishers com origem no meio impresso, afirma Phelps em entrevista gravada em vídeo à Carolina Amoroso, do diário argentino La Nacion. “Seria uma tolice da nossa parte não aprender com todos esses nossos competidores digitais”, reforça.

Diário agora prioriza o leitor, mas ainda busca melhor diálogo

Phelps diz que o The New York Times avançou muito nos últimos anos em suas iniciativas digitais e obteve com isso grandes conquistas, entre elas a consolidação de um sistema paywall com mais de 2 milhões assinantes, além de 1 milhão de assinaturas da versão impressa).

Na mudança de modelo de negócio — daquele com base na publicidade, em queda, para o de conteúdo pago, em alta — o jornal passou a priorizar o leitor. Para Phelps, entretanto, o diário ainda não atingiu o ponto ideal de diálogo com seus leitores, em um ambiente de lógica online e dominado pelas empresas de tecnologia.

O diretor de Produto do diário norte-americano lembra que o jornal tem, provavelmente, a maior redação de notícias do mundo, com cerca de 1,3 mil pessoas, especialistas em várias áreas (muitos deles dando caráter de exclusividade e diferenciando e, dessa forma, sustentando novos produtos também com base em tecnologia, como os sites especializados) e jornalistas em diversas regiões mundo, inclusive correndo riscos nas principais zonas de conflito. “Não sei se todos os leitores sabem ou se sempre detectam que, atrás dessa empresa, há todas essas pessoas que têm de trabalhar muito para mostrar as histórias a eles”

Ao contrário, continua Phelps, Vice e BuzzFeed têm muito sucesso em uma conexão próxima com seus leitores. Vice, afirma, fala a mesma linguagem dos jovens, que se sentem representados pela publicação, enquanto o BuzzFeed aprendeu a arte de compartilhar em mídias sociais para, em seguida, começar a contratar jornalistas investigativos. “Talvez leve um tempo para que sejam considerados como uma empresa de notícias, mas publicaram muitas histórias que não foram contadas pelo The New York Times”, reconhece o jornalista.

Nada contará histórias tão bem como os humanos

Phelps, um dos autores do Innovation Report, documento do The New York Times elaborado para consumo interno que, depois de vazado, virou o principal guia de adaptação da mídia ao meio digital, diz acreditar que, apesar dos duros desafios no processo de transição, a tecnologia traz mais benefícios do que prejuízos ao jornalismo.

“Enquanto muitos se preocupam que haja robôs e inteligência artificial que podem substituir os humanos, creio que é muito positivo usar essas tecnologias para contar histórias que antes não podíamos contar”, afirma. “Nada substituirá o julgamento das pessoas ou contará histórias tão bem como os humanos. Mas se buscamos histórias novas nos dados e chegamos a públicos que antes não atingíamos, podemos usar as máquinas para ajudar a automatizar as partes burocráticas do jornalismo que não são tão importantes para contar as histórias e, assim, nos liberamos para dedicar mais tempo ao mais importante”.

Veja a entrevista completa no link abaixo:
http://www.lanacion.com.ar/2041779-andrew-phelps-cada-vez-que-trump-critica-al-new-york-times-la-cantidad-de-suscriptores-crece

Publicado em Jornal ANJ Online