Após cinco anos, completados nesta quarta-feira (5), o assassinato do jornalista esportivo Valério Luiz, de Goiás, permanece na impunidade. Os cinco acusados de cometer o crime respondem ao processo em liberdade. Entre eles está o atual presidente do Atlético Goianiense, Maurício Sampaio, que nega ser o mandante do homicídio.

Valério Luiz foi morto no dia 5 de julho de 2012, quando saía da rádio em que trabalhava, a Rádio Jornal 820-AM, no Setor Serrinha, em Goiânia. Um motociclista se aproximou dele e disparou seis vezes. A motivação para o crime seriam as críticas que o profissional fazia contra o Atlético-GO, que em 2012 tinha Sampaio como seu vice-diretor. O dirigente era desafeto declarado de Valério Luiz.

Após oito meses de investigação, informou o G1, a Polícia Civil indiciou em fevereiro de 2013 o cartola como mandante do crime e de mais quatro pessoas por suposto envolvimento. O Ministério Público de Goiás denunciou os envolvidos ao Poder Judiciário no dia 27 de março de 2013. Seguindo a conclusão da polícia, a promotoria apontou que Sampaio foi mandante e que Urbano de Carvalho Malta contratou o cabo da Polícia Militar Ademá Figueiredo para matar o cronista. Ainda segundo o documento, o açougueiro Marcus Vinícius participou do planejamento do crime. Já o PM Djalma da Silva foi indiciado por atrapalhar as investigações da polícia.

Conforme a denúncia, o crime foi motivado pelas críticas constantes do radialista à diretoria do Atlético, da qual Maurício Sampaio era, na época, vice-diretor. O desentendimento entre os dois já durava dois anos. O documento destaca que os comentários geraram entre Sampaio e Valério Luiz “acirrada animosidade e ressentimento” por parte do acusado”. A família de Valério crê que o estopim foi um comentário feito pelo jornalista em um programa de televisão sobre a situação do Atlético. “Ele disse que quando o barco estava afundando, os primeiros a sair são os ratos. Na época, o Maurício tinha acabado de deixar o cargo no clube”, relembra o pai da vítima, o também cronista esportivo Manoel de Oliveira, conhecido como Mané de Oliveira.

Enquanto o processo se arrasta na Justiça, relatou o jornal El País, alimenta a esperança de que o crime não fique impune. “Vivemos um luto contaminado pela ansiedade e a angústia. Os assassinos sequer responderam em juízo por seus atos”, afirma Valério Filho. “Já levamos cinco anos gastando energia e tempo nesse processo. Todos os dias somos confrontados com essa sombra de impunidade que fica martelando. Mas tenho certeza que tanto o Maurício Sampaio quanto os outros réus irão pagar por toda maldade que fizeram. Meu pai era um jornalista de posições fortes, que morreu por confrontar dirigentes de futebol poderosos. Sua memória nunca será esquecida.”

No fim de junho, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou recurso da defesa do dirigente de futebol e manteve decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) de mandar Sampaio a júri popular. Os advogados do cartola, entretanto, entraram com outro pedido de recurso, que agora será julgado pela 2ª Turma do STF.

Leia mais em:
http://g1.globo.com/goias/noticia/apos-5-anos-da-morte-de-valerio-luiz-pai-cobra-punicao-dor-eterna.ghtml

http://portalimprensa.com.br/noticias/brasil/79329/assassinato+do+jornalista+goiano+valerio+luiz+completa+cinco+anos+e+ainda+nao+ha+punidos+pela+justica
https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/05/deportes/1499266095_036743.html

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) rechaçou nesta segunda-feira (03) os novos ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à imprensa norte-americana que, no entendimento da entidade, podem incitar atos de violência contra jornalistas e mídia. “A retórica do governo de Trump não têm precedentes e ameaça sufocar a capacidade dos meios de comunicação de informar ao público sobre as atividades do novo governo e seus planos para o futuro do país”, alertou Roberto Rock, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação. A entidade tem manifestado preocupação com a falta de transparência da atual gestão da Casa Branca, além de insinuações da presidência sobre a possibilidade de estabelecer regulação ao direito de sigilo de fonte e a aplicação de leis de difamação contra a mídia, o que afetaria a liberdade de imprensa.

Publicado em Jornal ANJ Online

Aprovada na semana passada, a nova resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA) em defesa da livre expressão e dos jornalistas foi comemorada nesta quinta-feira (29) pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). A entidade, entretanto, alertou para a necessidade de os governos adotarem na prática as recomendações, pois do contrário não haverá avanços. “As resoluções não são suficientes se não existe vontade política para levá-las adiante; implementá-las na prática com recursos econômicos e humanos”, disseram, em nota, Matt Sanders, presidente da SIP, Roberto Rock, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da entidade. “Se tudo permanecer em declarações, estaremos frente a um novo atalho demagógico no qual os governos somente falam, mas não atuam. É tempo de agir”, advertiram.

Publicado em Jornal ANJ Online

O governo de Nicolás Maduro, da Venezuela, expulsou do país, nesta quarta-feira (29), o jornalista brasileiro Paulo Paranaguá, do jornal francês Le Monde, informou a ONG de direitos humanos Provea. O profissional foi expulso quando tentava entrar na Venezuela para começar o processo de um visto de trabalho, relatou o jornal O Globo. A repressão das autoridades chavistas à imprensa vem desde o governo de Hugo Chávez (1999-2013) e se agravou nos últimos meses, com o país mergulhado em grave crise econômica, política e social.

No caso que envolve Paranaguá, o coordenador-geral da Provea, Rafael Uzcátegui, disse que o repórter tentou pedir a permissão antes de viajar a Caracas, mas não obteve resposta em vários comunicados que enviou. “Disseram a ele que deveria tramitar a credencial antes de ir a Caracas”, assinalou Uzcátegui, que denunciou que aparentemente o jornalista está em uma lista do governo que criminalizou o seu trabalho jornalístico por reportagens anteriores na Venezuela.

Os jornalistas estrangeiros devem tramitar permissões no Ministério da Comunicação e Informação para poder trabalhar na Venezuela, motivo pelo qual o governo reteve e deportou anteriormente comunicadores de vários países. Relatórios divulgados recentemente, ainda segundo O Globo, mostram um panorama sombrio para os meios de comunicação locais e, também, para estrangeiros que enfrentam cada vez mais dificuldades para informar o que acontece na Venezuela. De acordo com o Instituto de Imprensa e Sociedade (Ipys), nos primeiros cinco meses do ano foram fechadas 42 rádios, em sete estados. Em muitos casos, eram emissoras de regiões rurais, onde não existe outra opção de acesso à informação.

O controle a meios estrangeiros também se intensificou, noticiou o jornal do Rio de Janeiro. Estima-se que este ano tenham sido deportados 17 enviados especiais de veículos de vários países, entre eles o Brasil. Outros jornalistas estrangeiros foram presos, como dois franceses, submetidos a um tribunal militar e só libertados graças à intervenção do governo da França.

Repressão à imprensa

A situação da mídia na Venezuela é crítica há anos. Entre 2002 e maio de 2017, foram fechados 130 meios de comunicação, segundo a ONG Espaço Público. A censura, a perseguição judicial, as restrições legais e administrativas, as intimidações ou agressões são métodos que utilizam diversas instâncias do Estado da Venezuela para controlar e castigar jornalistas e meios de comunicação independentes e críticos ao regime, de acordo relatórios de diferentes entidades de defesa à livre expressão e aos direitos humanos, entre elas a Sociedade Internacional de Imprensa (SIP) e o Comitê de Proteção para os Jornalistas (CPJ). Além de violência a profissionais, o governo faz uso do aparato estatal para atacar a livre expressão.

Por meio da Corporación Maneiro, criada em 2013, por exemplo, o governo impede que insumos, especialmente o papel, cheguem com normalidade aos jornais de linha crítica, o que tem obrigado muitos jornais a deixarem de circular. A Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), por sua vez, fecha empresas de rádio e TV alegando que estão na clandestinidade por não possuir autorizações que a própria comissão deveria ter dado há anos. As concessões não são renovadas como estratégia para ter um férreo controle sobre a mídia. Há ainda ataques cibernéticos à imprensa e a aos jornalistas, além do bloqueio das transmissões de sites na web.

Leia mais em:
https://oglobo.globo.com/mundo/ong-acusa-venezuela-de-expulsar-jornalista-brasileiro-do-le-monde-21532259

Aprovada em 2013, a Lei Orgânica de Comunicação (LOC) do Equador sustenta um cenário de violação aos direitos de liberdade de imprensa no país, confirmando alerta feito por diferentes organizações na época em que a legislação passou a vigorar. Desde 25 de junho de 2013, dia em que a lei entrou em vigor, a Superintendência de Informação e Comunicação (Supercom) – entidade de controle dos meios de comunicação criada pelo LOC – processou 1.081 casos contra a mídia e jornalistas, dos quais 675 resultaram em penalidades, de acordo com informações da entidade.

Publicado em Jornal ANJ Online