Após o assassinato do quarto jornalista mexicano neste ano, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) exigiram das autoridades do México o fim da contínua escalada de violência contra a imprensa no país. O presidente da SIP, Matt Sanders, destacou que, na semana passada, a entidade entregou ao presidente Enrique Peña Nieto documento salientando a necessidade de o governo combater a impunidade, “principal incentivo” aos ataques a jornalistas. Roberto Rock –  presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da organização hemisférica – reiterou que há “urgência de avaliar todos os mecanismos de proteção que até agora se mostraram ineficazes”. Carlos Lauría, coordenador sênior do programa das Américas do CPJ, instou o governo e as demais instituições a “quebrar o ciclo de impunidade”, levando os autores dos crimes a julgamentos eficazes.

A SIP e o CPJ pediram, de forma específica, a imediata e aprofundada investigação do assassinato do jornalista Máximo Rodríguez Palacios, de 73 anos, morto a tiros na última sexta-feira (14), em La Paz, Baja California Sur. Rodríguez era repórter especializado na área policial e trabalhava para o site de notícias Colectivo Pericú, um blog que permite que os leitores denunciem crimes, corrupção e outros temas. Também era responsável por uma coluna no site Es Mi Opinión. A organização Artigo 19 informou que o jornalista havia recebido ameaças. Em março, o México registrou dois atentados e três homicídios de comunicadores. Foram mortos Cecilio Pineda Birto (dia 2), Ricardo Monluí Cabrera (19) e Miroslava Breach (23).

Em comunicado nesta terça-feira (18), a SIP informou que a gravidade da violência contra a imprensa mexicana não tem comparação nas Américas e “é urgente que colegas, organizações e todos aqueles que creem  na liberdade de imprensa levantem sua voz para exigir justiça e o fim da impunidade”. A entidade também destacou o quarto princípio da Declaração de Chapultepec, assinada por Peña Nieto em outubro de 2016: “O assassinato, o terrorismo, o sequestro, as pressões, a intimidação, a prisão injusta dos jornalistas, a destruição material dos meios de comunicação, a violência de qualquer tipo e a impunidade dos agressores restringem severamente as liberdades de expressão e de imprensa. Estes atos devem ser investigados com prontidão e punidos com severidade”.

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http://www.sipiapa.org/notas/1211402-mexico-la-sip-condena-asesinato-un-periodista-y-exige-firmeza-y-prontitud-resolverlo

https://cpj.org/es/2017/04/reportero-que-cubria-crimen-fue-asesinado-en-mexic.php

 

Publicado em Jornal ANJ Online

A brutal violência contra jornalista e empresas de comunicação no México, acompanhada pela impunidade recorrente, obteve no último domingo (03) uma triste vitória que sintetiza o principal objetivo do crime organizado e de autoridades corruptas no país: o silêncio da imprensa. Em carta aos leitores intitulada Adios!, publicada no portal digital e na capa da versão impressa do jornal Norte de Ciudad Juárez, o diretor e proprietário Óscar Cantú Murguía anunciou que o diário deixa, a partir desta segunda-feira (3), de circular após 40 anos de atividade por “perigos e condições adversas” para o exercício do jornalismo. Em março deste ano, três profissionais de comunicação foram assassinados no México. Um deles, a jornalista, Miroslava Breach Velducean, atuava pelo Norte de Ciudad Juárez, que empregava cerca de mil pessoas.

“A trágica e sentida morte de Miroslava Breach Velducea, nossa colaboradora, em 23 de março, fez-me refletir sobre as condições adversas em que se desenvolveu o exercício do jornalismo atualmente. O alto risco é seu ingrediente principal”, escreveu Murguía. “As agressões mortais, assim como a impunidade contra os [crimes cometidos a] jornalistas, têm ficado em evidência, impedindo-nos de continuar livremente com nosso trabalho.”

O editorial destaca que o “irresponsável descumprimento” das autoridades públicas dos três níveis do governo também “motivou-nos a tomar essa decisão”. “Tudo na vida tem um começo e um fim, um preço a pagar. E se esta é a vida, não estou disposto que nos paguemos com mais nenhuma vida de nossos colaboradores, nem com a minha própria”, acrescentou Murguía. O diretor mencionou também questões financeiras, acusando as autoridades estatais de se recusarem a pagar pelo serviço público. No México, a publicidade governamental é a principal fonte de receita para diversos meios de comunicação. Muitos críticos consideram que essa dependência leva a uma cobertura noticiosa e à autocensura.

Breach Velducea trabalhou vários anos para o Norte de Ciudad Juárez, e ocupava o cargo de diretora editorial. Seu assassinato a tiros em frente a sua casa somou-se à morte de outros dois jornalistas, em diferentes partes do México, no mesmo mês: Ricardo Monlui, do portal El Político, em 19 de março, e Cecilio Pineda Birto, diretor do periódico La Voz de Tierra Caliente, em 2 de março.

O México é o país mais perigoso da América Latina para o exercício do jornalismo, e um dos mais letais de todo o mundo para os profissionais de imprensa. Segundo relatório semestral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), divulgado durante a reunião de meio ano da entidade – que se encerra hoje –, 13 jornalistas foram assassinados nas Américas entre outubro de 2016 e março deste ano. O México lidera a lista, com cinco mortes, da qual também fazem parte: Peru (3), República Dominicana (2), Guatemala (2) e Honduras (1). A SIP estima que mas de 120 jornalistas foram assassinados no México desde 2000.

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http://www.proceso.com.mx/480591/cierra-periodico-norte-ciudad-juarez-tras-asesinato-miroslava-breach

https://www.theguardian.com/world/2017/apr/03/adios-mexican-newspaper-norte-closes-after-of-journalist

http://www.eluniversal.com.mx/articulo/estados/2017/04/2/el-periodico-norte-de-ciudad-juarez-cierra-por-inseguridad

Publicado em Jornal ANJ Online
Diretores de dez meios regionais do México e representantes da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA na sigla em inglês) manifestaram nesta semana à autoridades do país “profunda desconfiança” com a com a criação de unidades em nível estadual para proteção a jornalistas. O mecanismo é uma das medidas anunciadas em 17 de maio pelo governo federal para enfrentar a crise de segurança que afeta há anos a comunidade jornalística mexicana.
 
“Os meios de comunicação das províncias tendem a ser os mais vulneráveis ​​na crise atual da violência que atravessa a imprensa mexicana”, disse Rodrigo Bonilla, gerente para a América Latina da WAN-IFRA. “Vemos com muito ceticismo a decisão de incorporar as autoridades estaduais no trabalho de proteção, não só porque estes têm falhado consistentemente em seu papel da aplicação da lei, mas têm sido repetidamente envolvidos nos ataques aos jornalistas e meios de meios de comunicação”, reforçou ele em reunião com representantes da Secretaria de Governo (SEGOB) e da Procuradoria Geral da República (PGR).
 
No encontro, os jornalistas afirmaram que a crise que os afeta é resultado não só de violência das drogas presente em muitas partes do país, mas também da relação de hostilidade com a imprensa das autoridades municipais e estaduais, apesar da existência do mecanismo federal para a proteção de jornalistas e defensores dos direitos humanos e da Promotoria Especial para a Atenção a Delitos contra a Liberdade de Expressão (FEADLE), além de várias agências e protocolos em nível estadual.
 
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Publicado em Jornal ANJ Online
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