Em um mundo no qual o consumo de informação é cada vez mais digital, mobile e disruptiva, os publishers brasileiros registraram em 2016 alguns resultados animadores, segundo a pesquisa anual do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, divulgada na semana passada. Em estudo que entrevistou mais de 70 mil pessoas em 36 países, as empresas de comunicação do Brasil obtiveram o segundo melhor índice de confiança entre os pesquisados, 60%, atrás apenas da Finlândia, com 62%. A credibilidade dos produtores de conteúdo, mostrou o levantamento, também é alta em Portugal, Polônia e Holanda, mas, na Coreia do Sul, fica em 23%. A média dos países pesquisados é de 43%.

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Principal jornal de Montreal e um dos mais influente e antigos (133 anos) do Canadá, o La Presse anunciou que será 100% digital, com ênfase no mobile, a partir de janeiro de 2018. O diário é um dos pioneiros mundiais na conversão ao modelo de negócio que dá prioridade ao meio online. Em janeiro de 2016, o veículo passou a manter suas edições diárias apenas na web (no La Presse +), mantendo uma versão impressa de fim de semana, com circulação aos sábados. Atualmente, 90% dos ingressos monetários do La Presse vêm do digital.

De um ano e meio para cá, os leitores do jornal migraram de forma maciça para as versões da internet, com aumento de 18,7% da audiência entre 2015 e 2016. O grande destaque está no meio mobile. O veículo contabiliza uma média de 273 mil leitores diários via app e tablets. “Sabemos que o fim da edição impressa de sábado terá impacto junto a um determinado grupo de ávidos e fiéis leitores”, disse o presidente do La Presse, Pierre-Elliot Levasseur. “Por isso, estamos compartilhando essa decisão com eles com muita antecedência, assegurando uma transição suave e respeitosa”.

Levasseur também informou que a mudança resultará na extinção de 49 postos de trabalho fixos e temporários. Para esse processo, o jornal vai colocar em prática um Programa de Demissão Voluntária (PDV). “A decisão de reduzir pessoal não foi fácil de tomar, mas o La Presse deve seguir adaptando suas estruturas organizativas à realidade de seu modelo digital”, concluiu.

O La Presse é o segundo jornal renomado, do ponto de vista global, a abandonar em definitivo o papel, seguindo o movimento feito em março de 2016 pelo britânico The Independent. No Brasil, o projeto digital mais arrojado é o do jornal Gazeta do Povo, do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM), que transferiu no começo de junho suas edições impressas diárias apenas para o meio digital, também em um modelo focado no mobile e na venda de assinaturas online. O diário brasileiro manteve as versões impressas da edição de fim de semana e suas três revistas, Bom Gourmet, Haus e Viver Bem.

Leia mais em

http://www.clasesdeperiodismo.com/2017/06/04/periodico-la-presse-abandona-el-papel-y-sera-100-digital-en-2018/

http://www.media-tics.com/noticia/7499/medios-de-comunicacion/el-canadiense-la-presse-abandona-definitivamente-el-papel.html

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O consumo de notícias e entretenimento ganhou impulso com a popularização do meio mobile, que permite aos usuários acesso a mais mídia, a qualquer hora e lugar, segundo o mais recente estudo global Media Consumption Forecasts, da agência Zenith.

Com base na web e nos equipamentos móveis, 2016 registrou uma busca recorde de informação. Em média, cada pessoa permaneceu 456 minutos consumindo mídia no ano passado, acima dos 411 minutos de 2010. “Os consumidores agora esperam poder se comunicar e negociar com as marcas no momento e no local de sua escolha”, diz Vittorio Bonori, presidente global da Zenith. “As marcas precisam responder e antecipar mudanças no comportamento da mídia, construir relacionamentos mais fortes e duráveis ​​com os consumidores e expandir seus negócios”.

Diferentes dados do estudo mostram como a indústria jornalística pode se fortalecer diante dessa tendência, desde que bem adaptada ao meio móvel. Apesar do rápido aumento da internet, a mídia tradicional – jornais e revistas impressas e transmissão de televisão e rádio, entre outros – por exemplo, ainda representará 69% do consumo de mídia global em 2017, de acordo com as previsões da Zenith. As pessoas vão gastar, em média, 316 minutos por dia com a mídia tradicional neste ano, abaixo dos 364 minutos registrados em 2010.

A pesquisa indica que o domínio das plataformas móveis (principal ponto de entrada para o consumo de internet atualmente, com 71%) crescerá ainda mais sobre as demais nos próximos anos, o que reforça o investimento de publishers na produção e distribuição mobile. A comparação da líder TV (média de 170 minutos de visualizações por dia neste ano) com a internet (140 minutos) retrata bem essa tendência: a diferença de tempo de consumo entre dois os vem caindo e continuará a diminuir de 30 minutos, em 2017, para apenas 7 minutos em 2019.

Ao mesmo tempo, o uso de internet móvel para o consumo de mídia global representará 26% em 2019, ante 19% em 2016, de acordo com as previsões da Zenith. Pessoas de todo o mundo gastarão uma média de 122 minutos por dia acessando a internet móvel por meio de navegadores e aplicativos, dez minutos a mais por dia do que em 2010. Após o boom, entretanto, diz a Zenith, é normal que haja desaceleração no aumento do uso da internet móvel.

Por isso, depois de registrar percentuais de 43% e 25% de crescimento, respectivamente, em 2015 e 2016, a Zenith espera 17% de elevação em 2017. O comportamento do crescimento geral do consumo de mídia, de 2,7% em 2016, deve acompanhar esse movimento. “Esperamos que o consumo global de mídia permaneça praticamente estático em 2017, com crescimento menor que 1% ao ano até 2019”, diz a pesquisa. A tecnologia móvel mudou completamente os hábitos de mídia dos consumidores em menos de uma década, afirmou Jonathan Barnard, diretor da Zenith. “O ritmo da mudança agora está diminuindo, pelo menos até a próxima tecnologia disruptiva decolar”.

Esta é a terceira edição anual do estudo de previsões de consumo de mídia da Zenith feito em 71 países.

Leia mais em:

HTTPS://WWW.RECODE.NET/2017/5/30/15712660/MEDIA-CONSUMPTION-ZENITH-MOBILE-INTERNET-TV

https://www.zenithmedia.com/26-of-media-consumption-will-be-mobile-in-2019/

https://www.mediapost.com/publications/article/302001/zenith-traditional-channels-still-dominate-media.html

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O jornal Gazeta do Povo, do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM), anunciou nesta quinta-feira (06) a mais ousada transformação de modelo de negócios da indústria de notícias do Brasil. O projeto, que exigiu muita pesquisa e investimentos de R$ 23 milhões nos últimos três anos, tem foco na inovação, na tecnologia com ênfase na distribuição de conteúdos pagos em equipamentos móveis (como smartphones, especialmente, e tablets) e no jornalismo de impacto social, ainda mais qualificado e atraente. Aos anunciantes, o diário também oferecerá vantagens, por meio de espaços premium e segurança no ambiente online – o veículo do Paraná vai incrementar as iniciativas de seu núcleo especializado em branded content e em publicidade customizada.

Na prática, a partir do fim de abril, a Gazeta do Povo será o primeiro jornal brasileiro produzido originalmente para plataformas móveis (responsivo a desktops e outra plataformas, numa inversão da lógica online atual), no conceito mobile first e a partir de um novo site totalmente reformulado. Ao mesmo tempo, terá como diretriz o jornalismo de maior qualidade e de impacto social – disponível 24 horas por dia e sete dias por semana no meio online e na versão impressa, que em junho passa a circular somente aos sábados, em edição especial de fim de semana. O modelo de receitas será o subscriptions first, em que as assinaturas digitais são a principal fonte de recursos (a previsão do veículo é chegar a 300 mil assinantes digitais até 2019, com quase a metade em Curitiba e o restante, no interior do Paraná ou em outros estados).

A expectativa do GRPCOM é encontrar rentabilidade a partir do equilíbrio entre a maior base de assinaturas digitais e o menor custo com impressão e distribuição da versão em papel, além da queda na arrecadação com publicidade, um fenômeno mundial. Guilherme Döring Cunha Pereira, presidente executivo da empresa, disse ao jornal ANJ online que o modelo adotado pela Gazeta do Povo é resultado de um detalhado monitoramento feito ao longo de três anos que apontou o caminho e o “timing” certo para as transformações agora promovidas, dentro da realidade específica do jornal paranaense. “Não se trata de uma receita mágica. O modelo certamente vai variar de jornal para jornal. No nosso caso, chegamos a conclusão que era o momento ideal para promover essa transformação, com base no conteúdo de qualidade e muita inovação, priorizando o mobile”, explicou Pereira.

O estudo elaborado pelo GRPCOM concluiu que, na Gazeta do Povo, a margem de lucro da versão impressa, que carrega os pesos de produção gráfica e da logística de circulação, caiu e distanciou-se demais do digital. Ao mesmo tempo, a circulação das edições em papel manteve curva decrescente, enquanto as assinaturas digitais dispararam, em especial nos últimos meses de 2016. Segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC), a distribuição média da versão impressa recuou 22,8% entre dezembro de 2015 e o último mês de 2016. No mesmo período, o número de assinantes digitais do jornal subiu 92,5%. “Acompanhamos o crescimento de leitura no digital, sobretudo no celular. No nosso caso, crescemos 89% no online em dois anos”, disse mais cedo, ao portal Comunique-se, o presidente executivo do GRPCOM.

Pereira informou que, atualmente, o diário tem cerca de 45 mil assinaturas que dão ao leitor acesso às edições em papel e online. No entanto, a partir do começo do segundo semestre do ano passado, a curva ascendente de assinaturas digitais tomou maior impulso, por conta do esforço comercial do jornal e pelo bem-sucedido Clube Gazeta, que dá descontos aos assinantes. Hoje, o grupo de leitores pagantes apenas no meio online conta com quase 17 mil pessoas. “As migrações de modelos econômicos sempre são difíceis, mas nós estamos arrancando com margem expressiva, praticamente com o resultado anterior. Ainda não equacionados, é verdade”, comentou o presidente do GRPCOM.

Financiamento de jornalismo que faz diferença na vida das pessoas

No fundo, salientou Pereira, a partir do investimento em excelência no jornalismo, na tecnologia e na prestação de serviços aos leitores, a empresa acredita não estar mais dependente de uma plataforma específica. “Se houver margem positiva no papel, de extrema importância para a indústria jornalística, então não há motivo para não investir nele”, exemplificou, lembrando que o grupo vai manter e melhorar as versões impressas da edição de fim de semana da Gazeta do Povo e de suas três revistas, Bom Gourmet, Haus e Viver Bem. No caso das publicações em papel, o presidente executivo do GRPCOM ressaltou que esses são produtos que devem atender muito bem aos anunciantes, repetindo o que ocorreu quando jornal unificou suas edições de sábado e domingo.

No modelo anunciado hoje, há três combos de assinatura para quem está em Curitiba. O valor da edição digital com direito a todos os conteúdos é de R$ 24,90 mensais. Com mais R$ 10, o assinante receberá em casa a edição impressa de fim de semana e as três outras publicações. A participação no Clube Gazeta também tem o custo de mais R$ 10 ao mês. No interior ou em outros estados, onde não haverá circulação das edições impressas e o sistema de vantagens a assinantes ainda não está presente, as assinaturas mensais têm o preço de R$ 9,90.

Pereira assinalou que a estratégia do jornal baseia-se em levar ao leitor – onde ele estiver, pelo celular – notícias de credibilidade em um ambiente onde se difundem amplamente as notícias falsas. “Acreditamos que o leitor da Gazeta valoriza a informação de credibilidade e isso será a base para que ampliemos o nosso universo de assinantes”, disse. “Queremos demonstrar ao assinante que ele financia um jornalismo sério, confiável e que faz a diferença na vida das pessoas”, enfatiza. Em relação aos anunciantes, o presidente executivo do GRPCOM disse que o jornal investirá no modelo premium, no seu núcleo de branded content e na lógica programática, esta última amparada por regras que protejam as marcas, inclusive em ações futuras ao lado de outros grandes jornais.

Redação mais ágil e conteúdos interativos

A transformação da Gazeta do Povo representa inovação na redação e forma como os conteúdos chegarão aos leitores. “Na lógica de produção mobile first, tudo o que planejamos nós entregamos pensando em como o leitor vai acessar esse conteúdo: no celular, no tablet ou no computador”, afirmou o diretor de redação da Gazeta do Povo, Leonardo Mendes Junior. “Vamos manter a diversidade de vozes e o pluralismo, contribuindo para o bom debate”.

A produção editorial da Gazeta do Povo também será georreferenciada. De acordo com o GRPCOM, a entrega do noticiário, análises, colunas e blogs será direcionada conforme os interesses de seus leitores e o local em que estejam, seja em Curitiba, no restante do Paraná ou em qualquer lugar do Brasil. A nova plataforma foi desenhada para aumentar a velocidade de carregamento de seus conteúdos, diminuindo o consumo de dados a facilitando a experiência do leitor. O jornal também implementará um sistema em que seus assinantes poderão ver quais foram os conteúdos acessados por suas redes de contatos e qual tipo de interação ocorreu.

Na web, a informação será atualizada continuamente, mas com aprofundamento três vezes ao dia nas edições virtuais Gazeta do Povo Bom Dia, Boa Tarde e Boa Noite, com desdobramentos e análises dos fatos. Além disso, as reportagens serão enriquecidas com o uso de imagens, vídeos e gráficos, além de podcasts.

Além disso, ao dar ênfase ao jornalismo de impacto social, a Gazeta do Povo, conforme informou o Comunique-se, acompanhará os desdobramentos das reportagens noticiadas, incluindo a verificação dos outros veículos que se pautaram pelo jornal, decisões políticas que foram tomadas após alguma denúncia publicada e a ressonância de determinado material nas redes sociais. Para colocar em prática essa diretriz, será utilizada metodologia desenvolvida pelo Marshall Projetc, site americano voltado a assuntos sobre justiça criminal.

Do celular para o celular

A lógica mobile estará presente até mesmo produção de notícias. Os jornalistas da Gazeta do Povo poderão escrever suas matérias e publicá-las na plataforma digital do jornal a partir de seus dispositivos móveis. Isso será possível por meio do aplicativo desenvolvido pela Eidos, líder global em soluções de publicação online, que permite ao jornalista produzir não só textos, mas também fotos, vídeos e lives. “O responsivo passa a ser o nosso foco. O jornalista não precisará mais estar na redação para divulgar o seu conteúdo. Isso vai permitir que o repórter esteja mais na rua, apure e divulgue informações de onde estiver”, afirmou Pereira ao Comunique-se. “Hoje, 90% dos brasileiros consomem notícia por meio de dispositivos móveis. Estamos respondendo a essa demanda, que acreditamos ser não o futuro, mas o presente do jornalismo”, acrescenta Ana Amélia Filizola, diretora da Unidade de Jornais do GRPCOM.

Temas aprofundados

A nova publicação semanal, por sua vez, em formato de revista, terá mais páginas de conteúdo, será impressa em papel de qualidade superior, com páginas grampeadas, e será recheada de conteúdos locais, nacionais e globais tratados de forma aprofundada, com análise e opinião. Entre os novos colunistas estão Ricardo Amorim, Teco Medina, Leandro Narloch, Rodrigo Constantino, Lúcio Vaz e Evandro Éboli. Serão mantidas as colunas de Luís Fernando Veríssimo, Rogério Galindo e Demétrio Magnoli. As revistas Haus e Bom Gourmet, como frisou Pereira, continuam com versões impressas.

“Não estamos apostando num jornalismo unicamente factual, mas também em algo que ajude o leitor a compreender melhor a situação, com uma reorganização de editorias e maior aproveitamento de conteúdo, focando na compreensão de tendências e de futuro, ajudando a antecipar os principais movimentos do País e do mundo”, afirmou o presidente do GRPCOM ao site especializado Meio&Mensagem.

Na redação, as editorias serão reorganizadas de editorias, informou o Comunique-se, e os jornalistas passarão a atuar em 15 grandes núcleos, com um editor à frente de cada canal: ‘República’ (André Gonçalves); ‘Nova Economia’ (Rodrigo Ghedini); ‘Livre Iniciativa’ (Fabiane Menezes); ‘Educação’ (Denise Drechsel); ‘Justiça & Direito’ (Joana Neitsch); ‘Ideias’ (Jones Rossi); ‘Política Paraná’ (Bruna Maestri Walter); ‘Curitiba’ (Marcos Xavier Vicente); ‘Esportes’ (Rodrigo Fernandes); ‘Guia’ (Gilson Garret); ‘Bom Gourmet’ (Deise Campos); ‘Haus’ (Daliane Nogueira); ‘Viver Bem’ (Katia Michele); ‘Bessa’ (Reinaldo Bessa); ‘Automóveis’ (Reniery Trovão).

“A redação tinha poucos times [editorias], mas que eram grandes. Agora, são mais grupos, só que com menos pessoas. Mais unidades de conteúdo, com poucas pessoas em cada”, contou Leonardo Mendes Júnior ao Comunique-se.

Contato direto com o assinante para a transição

Todas essas novidades, conforme a Gazeta do Povo, devem contribuir para deixar o leitor bem informado e engajado à transformação. O jornal, entretanto, fará contato direto com cada um dos seus atuais assinantes, com o objetivo de detalhar as mudanças e dirimir dúvidas, principalmente daqueles mais apegados a edição impressa. A meta é atender todos os assinantes e interessados nos próximos dois meses. Em relação aos assinantes que têm preferência pelo papel, Pereira afirmou ao Meio&Mensagem que esses leitores serão convidados a testar o novo formato.

“Esse processo de transição é uma questão geracional muito clara, então também criamos um processo para os assinantes que ainda não migraram. Montamos uma série de programas, educativos e lúdicos, para ajudar essa parcela a absorver e entender essa interatividade mobile. Sou otimista, inclusive falando com pessoas próximas, de que com um pouquinho de provocação as pessoas aderem à tecnologia.” Ao jornal ANJ online, Pereira informou que o grupo trabalha com eventuais perdas iniciais nessa etapa, talvez de 20% a 30%, pois reconhece que há leitores que, no momento, querem exclusivamente o papel. Mesmo assim, afirmou o presidente executivo do GRPCOM, a margem das assinaturas que permanecerão garante equilíbrio na operação. “Mas é nossa tarefa ir em busca de novas assinaturas e, também, de tentar convencer o retorno daqueles que podem nos deixar em um primeiro momento”.

Nova sede

O jornal paranaense prepara mais novidades. Ana Amélia Filizola anunciou, para o segundo semestre, a mudança da sede das redações do jornal, que deixam o prédio na Praça Carlos Gomes, no Centro, e o espaço da Fábrika, no Alto da XV, e passarão a ser agrupadas em um novo local, mais amplo e adequado às mudanças editoriais. “Teremos o espírito de uma startup de 100 anos”, brincou.

O jornal também lançará o novo Guia Gazeta do Povo, reunindo eventos, o melhor da programação cultural, passeios, bares e restaurantes de Curitiba e integrando-os ao Clube Gazeta do Povo, que concede descontos e vantagens em mais de 1.000 estabelecimentos comerciais. Para o leitor da web, deixam de aparecer editorias com nomes conceituais, como Vida e Cidadania, Vida Pública e Caderno G. Os conteúdos passam a ser agrupados sobre grandes temas, como política, economia e cultura, facilitando a navegação.

Repercussão

O diretor-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ) Ricardo Pedreira disse que a associação vê na estratégia da Gazeta do Povo um caminho muito sólido, em uma mudança adequada às características do jornal e do mercado em que atua.

“A Gazeta do Povo está fazendo uma mudança ousada e muito consistente no seu modelo de negócio, investindo fortemente no jornalismo e na tecnologia para oferecer conteúdo ainda melhor a seus leitores e, ao mesmo tempo, priorizando as receitas oriundas das assinaturas digitais ao invés daquelas vindas da publicidade”, afirmou. “O planejamento dessa mudança foi elaborado de forma criteriosa, e a ANJ acredita que, dessa forma, o jornal poderá ser bem-sucedido na solução de uma equação imposta aos diários em todo mundo: buscar a rentabilidade perdida com a queda na publicidade a partir do conteúdo pago de alta credibilidade, da economia a ser feira com impressão e distribuição e com a garantia ao anunciante digital de que ele chegará com precisão ao seu público-alvo, a partir de anúncios premium”, concluiu Pedreira.

O presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, descreveu como “surpreendentes” as mudanças anunciadas pelo jornal. “Isso vai colocar a Gazeta do Povo no cerne das discussões da mídia brasileira”, disse. Parabenizando o jornal pela mudança, que classificou como “altamente relevante”, Campagnolo afirmou que a Fiep será “parceira e colaboradora” da Gazeta neste novo momento. O presidente do ISAE/FGV, Norman de Paula Arruda Filho, disse que, apesar de achar que vai sentir falta de ler o jornal impresso durante a semana, a mudança é “extraordinariamente necessária”. “É uma mudança radical na maneira de informar, de qualidade da informação, que leva em função o tempo das pessoas”, afirmou. O movimento, classificou, é “fundamental”.

O consultor e mentor de startups Allan Costa, afirmou que a Gazeta do Povo “mais uma vez deu prova de que com inteligência e sensibilidade é possível unir o digital com a necessidade do leitor por informações confiáveis e amplamente disponíveis”. Certo de que o mercado acompanhará as mudanças do jornal, Costa disse que “a iniciativa da Gazeta é sensata e coerente com o novo momento e vai gerar alta receptividade em razão de suas entregas de valor”.

Leia mais em:

http://www.gazetadopovo.com.br/economia/gazeta-apresenta-seu-novo-projeto-editorial-ao-mercado-cq2q3xmwls1i83hjdpamdoz6s

http://www.meioemensagem.com.br/home/midia/2017/04/06/gazeta-do-povo-encerra-diario-e-foca-em-mobile.html

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