Desde junho, a Gazeta do Povo, do Paraná, transformou-se em um dos poucos jornais da América Latina a dedicar sua circulação diária somente ao digital, dentro do modelo mobile first e com foco nas assinaturas. Por isso, a iniciativa é um dos destaques da edição deste ano da conferência Digital Media LATAM, da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA), a ser realizada em Buenos Aires (Argentina), entre os dias 14 e 16 de novembro. 

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Os resultados financeiros positivos da gigante de mídia alemã Axel Springer no primeiro semestre de 2017, com base em suas operações digitais, fizeram a companhia elevar ligeiramente suas metas para o ano. A nova projeção sustenta-se em um segundo trimestre tão bem-sucedido quanto os primeiros três meses do ano, com destaque para as assinaturas e Classificados online. No semestre, os negócios digitais da empresa alemã cresceram 10,7% em relação aos primeiros seis meses de 2016. Agora, essas operações representam 70,6% das vendas do grupo, contra 66% no ano anterior.

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A mais recente pesquisa do Trusting News Project, do Reynolds Journalism Institute (EUA), revela que 70% dos entrevistados por 28 redações dos Estados Unidos disseram que apoiam financeiramente uma ou mais organizações de notícias. O resultado é surpreendente, uma vez que ainda predomina o entendimento de que as pessoas resistem a pagar por conteúdo diante de uma infinidade de fontes gratuitas de informação, mesmo que nem sempre confiáveis. O estudo, realizado por empresas de rádio, jornal, TV e digital, também verificou o grau de confiança das audiências em relação à mídia e, o mais importante, como é construída a relação de credibilidade entre o público e as companhias jornalísticas.

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O grupo de mídia britânico Guardian Media Group (GMG), que edita os jornais de The Guardian e The Observer, anunciou nesta terça-feira (25) ter reduzido suas perdas em mais de um terço (£ 45 milhões) no último ano financeiro (encerrado em 2 de abril) graças a uma reestruturação e ao crescimento na sua base de assinantes. A companhia informou ter obtido crescimento de mais de 2% nas receitas totais (£ 214,5 milhões), sustentado por um aumento de 15% na arrecadação digital e um acréscimo de 360% no número de leitores pagantes, atualmente em 230 mil.

O grupo tem como meta alcançar 1 milhão de assinantes até abril de 2019. “Mais pessoas estão pagando pelo jornalismo do Guardian do que nunca. Isso está ajudando a construir uma base sólida a partir da qual continuaremos a investir em alguns dos jornalistas mais confiáveis ​​do mundo”, disse o CEO do GMC, David Pemsel.

Para chegar a esse resultado, além do acréscimo de assinantes, a grupo fez profundos cortes na companhia, dentro de um plano de três anos que visa uma redução global de 20% na base de custos. A empresa reduziu, por exemplo, o número de funcionários em cerca de 300, de 1.860 para 1.563 e, com isso, os custos de pessoal caíram de £ 150,8 milhões para £ 136,2 milhões ao ano.

O GMG também decidiu adotar o formato tabloide para seus impressos, o que garantirá ainda mais cortes de custos. O grupo também completou a venda de sua participação de 22,4% na Ascential,  proprietária do festival Cannes Lions, por £ 239 milhões.

“Apesar das condições de mercado desafiantes enfrentadas por todas as organizações de notícias em todo o mundo, nossa estratégia de três anos está no caminho certo para atingir seus objetivos financeiros e garantir o futuro do Guardian”, disse Pemsel. “Estamos reduzindo nossos custos, crescendo novos fluxos de receita de leitores e construindo nossos negócios nos Estados Unidos e na Austrália”.

Leia mais em:

http://www.independent.co.uk/news/business/news/guardian-media-group-slashes-financial-losses-over-a-third-2017-observer-newspapers-membership-a7859016.html?utm_source=Pew+Research+Center&utm_campaign=1f102be1f3-EMAIL_CAMPAIGN_2017_07_25&utm_medium=email&utm_term=0_3e953b9b70-1f102be1f3-399348773

http://www.thedrum.com/news/2017/07/25/guardian-revenues-up-2-paying-members-grow-230000

https://www.theguardian.com/media/2017/jul/25/guardian-media-group-cuts-losses-by-more-than-a-third-to-45m

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Os influentes jornais The Washington Post e The Wall Street Journal não são mais os principais concorrentes do não menos prestigioso The New York Times. Ao lado dos competidores tradicionais – muitas vezes à frente deles – estão empresas da web, como Google, Facebook, Netflix e Spotify, e publishers nativos da internet ou de fácil comunicação com os jovens (BuzzFeed e Vice, por exemplo).

A opinião é do diretor de Produto do diário com sede em Nova York, o jornalista Andrew Phelps, que está no centro das grandes transformações digitais promovidas nos últimos cinco anos pelo jornal norte-americano. As companhias com base em tecnologia, diz ele, competem por atenção e tempo.

As novas empresas de mídia, por sua vez, têm muito a ensinar aos publishers com origem no meio impresso, afirma Phelps em entrevista gravada em vídeo à Carolina Amoroso, do diário argentino La Nacion. “Seria uma tolice da nossa parte não aprender com todos esses nossos competidores digitais”, reforça.

Diário agora prioriza o leitor, mas ainda busca melhor diálogo

Phelps diz que o The New York Times avançou muito nos últimos anos em suas iniciativas digitais e obteve com isso grandes conquistas, entre elas a consolidação de um sistema paywall com mais de 2 milhões assinantes, além de 1 milhão de assinaturas da versão impressa).

Na mudança de modelo de negócio — daquele com base na publicidade, em queda, para o de conteúdo pago, em alta — o jornal passou a priorizar o leitor. Para Phelps, entretanto, o diário ainda não atingiu o ponto ideal de diálogo com seus leitores, em um ambiente de lógica online e dominado pelas empresas de tecnologia.

O diretor de Produto do diário norte-americano lembra que o jornal tem, provavelmente, a maior redação de notícias do mundo, com cerca de 1,3 mil pessoas, especialistas em várias áreas (muitos deles dando caráter de exclusividade e diferenciando e, dessa forma, sustentando novos produtos também com base em tecnologia, como os sites especializados) e jornalistas em diversas regiões mundo, inclusive correndo riscos nas principais zonas de conflito. “Não sei se todos os leitores sabem ou se sempre detectam que, atrás dessa empresa, há todas essas pessoas que têm de trabalhar muito para mostrar as histórias a eles”

Ao contrário, continua Phelps, Vice e BuzzFeed têm muito sucesso em uma conexão próxima com seus leitores. Vice, afirma, fala a mesma linguagem dos jovens, que se sentem representados pela publicação, enquanto o BuzzFeed aprendeu a arte de compartilhar em mídias sociais para, em seguida, começar a contratar jornalistas investigativos. “Talvez leve um tempo para que sejam considerados como uma empresa de notícias, mas publicaram muitas histórias que não foram contadas pelo The New York Times”, reconhece o jornalista.

Nada contará histórias tão bem como os humanos

Phelps, um dos autores do Innovation Report, documento do The New York Times elaborado para consumo interno que, depois de vazado, virou o principal guia de adaptação da mídia ao meio digital, diz acreditar que, apesar dos duros desafios no processo de transição, a tecnologia traz mais benefícios do que prejuízos ao jornalismo.

“Enquanto muitos se preocupam que haja robôs e inteligência artificial que podem substituir os humanos, creio que é muito positivo usar essas tecnologias para contar histórias que antes não podíamos contar”, afirma. “Nada substituirá o julgamento das pessoas ou contará histórias tão bem como os humanos. Mas se buscamos histórias novas nos dados e chegamos a públicos que antes não atingíamos, podemos usar as máquinas para ajudar a automatizar as partes burocráticas do jornalismo que não são tão importantes para contar as histórias e, assim, nos liberamos para dedicar mais tempo ao mais importante”.

Veja a entrevista completa no link abaixo:
http://www.lanacion.com.ar/2041779-andrew-phelps-cada-vez-que-trump-critica-al-new-york-times-la-cantidad-de-suscriptores-crece

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