Imprimir esta página
Espionagem contra jornalista no Chile é resto autoritário da ditadura, diz relator para a liberdade de expressão da CIDH Reprodução

Espionagem contra jornalista no Chile é resto autoritário da ditadura, diz relator para a liberdade de expressão da CIDH

A espionagem promovida pelo Exército do Chile contra o jornalista Mauricio Weibel Barahona é, se confirmada, um preocupante desrespeito às liberdades de expressão e de imprensa, em uma ação movida por “restos da estrutura autoritária herdada da ditadura" chilena. A advertência é do relator especial para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Edison Lanza, em entrevista ao site The Clinic.

Em agosto deste ano, o jornal La Tercera informou que o Exército chileno promoveu, em 2016, uma operação de vigilância contra Weibel Barahona, quando ele investigava denúncias de irregularidades nas forças armadas. Na época, o jornalista trabalhava para o The Clinic e para o canal público de televisão TVN. Ele também preparava a publicação de um livro sobre possíveis desvios financeiros no Exército do Chile. O profissional e suas supostas fontes tiveram, segundo as fontes ouvidas pelo La Tercera, seus telefones grampeados. O governo informou que as ações de inteligência foram feitas dentro da legalidade, autorizadas pela Corte de Apelações de Santiago.

A espionagem e a intervenção na privacidade de qualquer pessoa e, em particular, daqueles que exercem as liberdades de imprensa e expressão, são ações totalmente ligadas a investigações de crimes ou possíveis ataques à segurança nacional, assinalou Lanza. Essas iniciativas, portanto, devem ser supervisionadas pela justiça e, além disso, com base no fato de que a pessoa sob investigação é uma ameaça ao Estado, continuou o relator especial da CIDH. Não é o caso de Weibel Barahona, disse Lanza. “O que ele fez foi apenas dar uma contribuição ao sistema democrático ao investigar atos de suposta corrupção”.

Lanza lembrou que a CIDH já havia alertado o Chile sobre comportamentos que restringiam o direito de informar e opinar. Além disso, afirmou que a organização internacional já “enviou uma carta ao Estado do Chile solicitando informações sobre os fatos denunciados, com o objetivo de saber se investigações semelhantes estão em andamento; determinar seu escopo; e saber quais estruturas legais foram aplicadas".

Leia mais em:

https://www.theclinic.cl/2019/09/02/edison-lanza-y-labores-de-espionaje-a-la-prensa-son-resabios-de-la-estructura-autoritaria-heredada-de- a ditadura /

https://cpj.org/2019/08/chile-accused-spying-journalist-mauricio-weibel.php