Por que bolsonaristas foram bloqueados só após a segunda ordem do STF

O GLOBO - 25/07/2020 Pedro Doria O bloqueio por Twitter e Facebook das contas de bolsonaristas como os blogueiros Allan dos Santos e Bernardo Küster, do empresário Luciano Hang, da militante Sara Giromini, e do presidente do PTB, Roberto Jefferson, marca um novo capítulo do combate à máquina de desinformação política na internet. A ordem partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, o que indica que na Justiça esta guerra é levada a sério. Também aponta uma mudança de posição das empresas. Afinal, é a segunda vez que Moraes dá a ordem. A primeira, em 27 de maio, foi ignorada. Segundo as plataformas, a Justiça havia fornecido apenas nomes e CPF, o que não era suficiente para localizar as contas. É um formalismo — são, todos, personagens conhecidos, com centenas de milhares de seguidores. A segunda ordem, desta segunda-feira, dava 24 horas de prazo. Foi obedecida. Um dos elementos que mudaram entre a primeira e a segunda ordens foi a aprovação da lei das fake news pelo Senado. É uma lei polêmica, mas deve passar também pela Câmara, ainda que com emendas. As plataformas estão sentindo a pressão e começam a agir de forma que não pareçam estar alheias ao problema. Também nesta sexta, o WhatsApp sugeriu que poderia fazer o rastreamento dos contatos que determinadas contas fazem durante um período, desde que com ordem judicial. É uma tentativa de amenizar a parte da lei que lhe toca. Mas também o primeiro gesto da plataforma que acena com alguma regulamentação que permita atingir quem manipula o debate público.