O que mostrou a sabatina dos gigantes da tecnologia na Câmara dos EUA

O GLOBO - 30/07/2020

Pedro Doria 

Perante os quatro CEOs de Facebook, Google, Amazon e Apple, em uma sabatina virtual, os deputados da Comissão de Justiça da Câmara dos EUA se portaram de forma muito distinta, dependendo de seu partido. O objetivo da sessão convocada para esta quarta-feira era averiguar se havia práticas anticompetitivas por conta do poder de monopólio. Foi disto que os democratas trataram. Mas não os republicanos.


Os dois mais expostos na sabatina foram Mark Zuckerberg, do Face, e Jeff Bezos, da Amazon. Havia mais evidências concretas a respeito de suas empresas. No caso de Zuck, havia um email seu determinando a estratégia de comprar competidores menores antes que se tornassem ameaças. Com Bezos, os parlamentares tinham o depoimento de vários comerciantes que se sentem submetidos a altos custos e regras pouco transparentes, enquanto se veem obrigados a vender no site da Amazon por conta de seu domínio no mercado virtual. Em alguns casos, a própria Amazon passa a fabricar produtos que dão certo.

O Facebook é acusado de exterminar concorrentes para mandar no mercado das redes sociais. A Amazon, de domínio do mercado de comércio online. O Google, por seu controle sobre a publicidade online. E a Apple, por controlar que apps podem ou não chegar a iPhones, em alguns casos impondo comissões.

Enquanto isso, os republicanos perguntavam se as empresas de tecnologia queriam silenciar vozes conservadoras.

Mas a pressão democrata deixa algo claro. Quem abre processo antitruste é o Departamento de Justiça, equivalente à mistura de Ministério da Justiça e Procuradoria-Geral da República, no Brasil. Se Joe Biden for eleito presidente, muito possivelmente uma destas empresas, talvez duas, terão de encarar um juiz.

Se a temperatura da sessão na Câmara for indicador, serão Facebook ou Amazon.