Autor de ameaças na casa de Felipe Neto estava no grupo que jogou fogos de artifício no STF

O GLOBO - 31/07/2020

Marlen Couto

Um dos homens que foram acompanhados de um carro de som ameaçar o youtuber Felipe Neto em frente à sua residência no Rio de Janeiro, na última quarta-feira, estava também no grupo que lançou fogos de artifício no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, no mês passado. Ele se identifica nas redes sociais como Cavalieri, o "guerreiro de Bolsonaro".


Cavalieri apareceu em um dos vídeos do ato em frente à Corte que circularam nas redes sociais na época. Na ocasião, identificou-se como "Cavalieri do Otoni, assessor do deputado federal Otoni de Paula", que é aliado do presidente Jair Bolsonaro. Não há registro, no entanto, no site na Câmara de nenhum assessor do parlamentar com este nome.

Em seu perfil no Facebook, Cavalieri postou, nesta quinta-feira, um vídeo em que aparece na frente do condomínio onde mora Felipe Neto. Na postagem comentou: "Ontem estive na porta do condomínio onde ele mora, e o desafiei para um debate, mas o covarde não apareceu, fica fácil se fazer de macho atras (sic) das câmeras! Quer destruir a instituição mais importante de todas, que é a família".

Cavalieri fez diversas postagens em tom de ameaça a Felipe Neto nas redes. Em uma montagem, que circulou também em grupos bolsonaristas no WhatsApp esta semana, aparece com um fuzil ao lado do youtuber.

Felipe Neto, que se tornou um dos principais nomes da oposição a Bolsonaro nas redes, tem sido alvo de ataques e mensagens falsas. A hashtag #TodosContraFelipeNeto ficou em primeiro lugar no Twitter nesta semana, associada a um tuíte falso acusando o influenciador de pedofilia. A montagem atribuída a Felipe Neto estampava a frase “criança é que nem doce, eu como escondido” e foi classificada por diversos serviços de checagem do país como falsa. A mesma frase já havia aparecido em um meme com ataques ao Papa Francisco. Em seus perfis, Felipe Neto informou que só no Facebook e Instagram conseguiu retirar do ar, entre a última segunda e terça-feira, mais de 1,8 mil vídeos com informações falsas, entre elas as que o acusavam de pedofilia.

A escalada de ataques coincide com um reposicionamento do influenciador digital e empresário, de 32 anos. Dos vídeos de entretenimento e humor voltados para o público infanto-juvenil, Neto passou a falar com um público mais velho e a criticar com frequência Bolsonaro no Twitter. A ofensiva da base bolsonarista contra ele ganhou força principalmente após o youtuber publicar um vídeo em inglês no jornal americano “The New York Times” há duas semanas, em que defendeu que Bolsonaro é o pior presidente no mundo no combate à crise associada à pandemia de Covid-19.