Gigantes digitais devem impedir o assédio cibernético a jornalistas que cobrem a Covid-19, diz entidade internacional RSF

Gigantes digitais devem impedir o assédio cibernético a jornalistas que cobrem a Covid-19, diz entidade internacional

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) emitiu nesta segunda-feira (11) um alerta no qual pede às grandes empresas, entre elas Facebook e Google, que intensifiquem suas ações para proteger os jornalistas de assédio virtual, em curva crescente em todos os continentes, muitas vezes por iniciativa de líderes ou movimentos políticos.

Em muitos países, segundo a entidade, questionar as informações fornecidas pelas autoridades sobre a epidemia de Covid-19 resultou em jornalistas sendo alvo de campanhas de assédio cibernético destinadas a silenciá-las. Os casos documentados pela RSF revelam que essas campanhas on-line de ódio, realizadas por exércitos de trolls, indivíduos isolados ou apoiadores políticos, são frequentemente alimentadas por políticos e não provocam reações adequadas da comunidade.

 "É muito alarmante ver o ódio político de líderes como combustível contra jornalistas on-line, simplesmente porque eles não cobrem a crise de 19 Covid como os líderes querem”, diz o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire. “Este período de pandemia sem precedentes é uma oportunidade única para resolver um problema sistêmico nas plataformas on-line, que devem se comprometer com maior transparência em suas operações de moderação e nas ações realizadas para combater o cyberbullying de jornalistas".

No final de março, como medida de segurança para seus funcionários, Twitter, Facebook, YouTube (do Google) e outras empresas anunciaram um aumento no uso de sistemas automatizados para detectar e excluir conteúdo que viola suas regras de moderação. No entanto, segundo a RSF, essas decisões podem ter um efeito prejudicial para os jornalistas e ao acesso a informações confiáveis.

A capacidade limitada da inteligência artificial de distinguir com precisão o conteúdo manifestamente ilegal, segundo a RSF, ressalta a importância dos moderadores humanos. Além disso, devido à redução de suas equipes de moderadores, algumas plataformas informaram que, neste momento, só pode examinar o conteúdo potencialmente prejudicial.

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