Desinformação sobre COVID-19 nas redes sociais “está custando vidas”, diz grupo global de médicos

Desinformação sobre COVID-19 nas redes sociais “está custando vidas”, diz grupo global de médicos

Desde o início da pandemia de COVID-19, os veículos noticiosos e autoridades de saúde alertam para o perigo da desinformação sobre o novo coronavírus espalhada nas redes sociais. Agora, um grupo global de médicos assina uma campanha da Avaaz, organização da sociedade civil que tem pressionado governos e empresas pela regulamentação da atuação de plataformas digitais, segundo a qual a “infodemia” de notícias falsas tem contribuído para o crescente número de mortos em diferentes países. O grupo também apresentou evidências a parlamentares britânicos de como as falsidades on-line prejudicam os portadores da doença, informou o site Press Gazette.

Mais de 2 mil profissionais de saúde e apoiadores assinaram a campanha da Avaaz pedindo às empresas de mídia social que “corrijam o registro de informações erradas sobre saúde”, “alertando e notificando todas as pessoas que viram ou interagiram com informações errôneas em suas plataformas e compartilhando correção bem projetada e verificada de fato de forma independente”.

 “A desinformação sem controle nas mídias sociais custa vidas e precisamos de uma ação severa para evitar essas mortes evitáveis”, diz Ricardo Mexia, presidente da Associação Portuguesa de Médicos em Saúde Pública. Segundo Meenakshi Bewtra, professora assistente de medicina e epidemiologia da Universidade da Pensilvânia, as notícias falsas sobre a COVID-19 alimentaram "práticas imprecisas e perigosas, bem como uma reação contra a ciência válida e os cientistas que defendem os fatos".

Duncan Maru, epidemiologista e médico do Instituto Arnhold de Saúde Global, disse acreditar que alguns governos demoraram para agir de forma eficaz em boa parte porque acreditaram em linhas de pensamento sustentas pela desinformação. A falsidade, de acordo com ele, foi eficiente em várias formas, infelizmente. A disseminação viral da desinformação sobre terapias domésticas não comprovadas, por exemplo, ajudou a permitir que o vírus se espalhasse mais rapidamente. “Como resultado, vi pacientes tarde demais para os cuidados de que precisam para sobreviver”.

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