Imprensa do Equador sofre para se recuperar da censura imposta nos anos de Rafael Correa

Imprensa do Equador sofre para se recuperar da censura imposta nos anos de Rafael Correa

Escolhido por Rafael Correa para sucedê-lo na presidência do Equador, o presidente Lenin Moreno optou por um rumo diferente do desejado por seu padrinho político, ganhou a inimizade do ex-mandatário e criou a expectativa, entre analistas internacionais, de que o país possa ingressar em um período menos autoritário. Há melhora nos indicadores de liberdade de imprensa, mas os estragos causados por Correa ao jornalismo independente estão longe de serem reparados, informa o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

"Tivemos um governo populista e autoritário durante os últimos dez anos e ele provocou um dano imenso", disse ao CPJ César Ricaurte, diretor da Fundamedios, organização defensora da liberdade de expressão com sede em Quito. "Agora temos uma geração inteira de jornalistas que aceita que o governo diga a eles como fazer seus trabalhos".  Recuperar-se do ataque de Correa à liberdade de imprensa "é como se recuperar de um grande trauma", agregou Arturo Torres, editor e colunista do diário de Quito El Comercio. O atual desafio, assinalou, é possibilitar que os jornalistas "deixem de temer o governo".

O medo era a principal arma da administração de Correa. O ex-presidente fez, por exemplo, intenso uso de processos judiciais por difamação para calar jornalistas. Na TV, ao vivo, rompeu exemplares de jornais e denunciou jornalistas independentes como corruptos e cúmplices da oposição. Também promulgou uma das leis de comunicação mais restritivas do hemisfério, que levou à censura generalizada, conforme investigações do CPJ.

Rafael Correa ainda ampliou a mídia estatal ao inaugurar emissoras de rádio e ao assumir o controle dos canais de TV privados, além de dois jornais independentes. Antes do ex-presidente, cerca de 70 % dos empregos de comunicação no Equador correspondiam aos meios privados, enquanto os 30% restantes eram oriundos da área pública. Com Correa, essa proporção inverteu-se. Ao mesmo tempo, o ex-presidente converteu a mídia estatal em órgãos de propaganda governamental, o que acabou com a credibilidade dos veículos e resultou em menores audiências.

A repressão também afetou as famílias de jornalistas, gerando autocensura e um jornalismo marcado pelo oficialismo. Hoje, muitos profissionais acreditam que a única maneira de cobrir uma notícia é assistir a uma coletiva de imprensa para obter a versão oficial dos fatos, comentou Christian Zurita, do site investigativo Mil Hojas. "Vai demorar muito tempo para recuperamos isso".

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https://cpj.org/es/2017/11/debido-al-legado-de-correa-los-periodistas-ecuator.php